Ranking do universo cinematográfico Marvel: qual o melhor e qual é o pior filme?

“O universo cinematográfico que revolucionou os filmes de super-herói – em seus melhores e piores dias”

2017 é um ano de novos desafios para o universo cinematográfico construído pela Marvel Studios. Os super-heróis – da casa das ideias – ao menos os mais famosos – já foram apresentados, enfrentaram seus vilões mais clássicos, reuniram-se e formaram os Vingadores, até brigaram entre si depois… e agora? Esse talvez seja o grande desafio da Marvel nessa chamada fase 3 de seus longas (que já se iniciou em Capitão América: Guerra Civil): reinventar uma fórmula que deu muito certo e garantir que a galinha dos ovos de ouro da Marvel continue viva.

Enquanto ainda não temos a oportunidade de assistir “Guardiões da Galáxia vol. 2″, “Homem-Aranha: de volta ao lar” e “Thor: Ragnarok” – todos títulos programados para esse ano – é legal dar uma olhada para o que já foi feito até então nesse universo cinematográfico Marvel. Ainda que o saldo seja bastante positivo, não podemos ignorar algumas pedras no caminho da Marvel Studios. Sem mais delongas, vamos ao ranking, do pior ao melhor filme:

14. Homem de Ferro 3 (2013)

Não importa por qual ângulo você tente olhar esse filme, ele continua sendo a pior produção da Marvel Studios até agora. “Homem de Ferro 3” teve a ingrata missão de iniciar a segunda fase do universo cinematográfico logo após o enorme sucesso de Vingadores e com certeza falhou em sua missão. O enredo é uma adaptação mal feita do arco Extremis; Robert Downey Jr. aparece mais do que o Homem de Ferro em si e nos deixa com a sensação de que o filme foi feito para o ator e não para o público. O Mandarim, clássico vilão das histórias do Vingador Dourado, foi desenvolvido de maneira pífia; o Patriota de Ferro funciona mal como easter egg. Além disso, o filme não tem menor relevância para o universo construído pela empresa: finja que os eventos retratados em Homem de Ferro 3 não existiram e perceba que não há influência alguma sobre a linha do tempo ou os eventos retratados em outros filmes.

13. Thor (2011)

A primeira aventura do Deus do Trovão não é de todo ruim, mas certamente deixou muitos fãs decepcionados. O filme tem um excelente elenco em mãos – Tom Hiddleston como Loki, Anthony Hopkins como Odin, Natalie Portman como Jane Foster – e efeitos especiais bem decentes para a época, mas o enredo apressado conseguiu drenar o potencial do filme. Tudo no filme acontece muito rápido: a jornada de Thor, de deus vaidoso e impulsivo a super-herói altruísta e bom moço por excelência acontece em apenas três dias. Além disso, é muito esquisito que Thor só lance raio duas vezes no filme todo: ele é o deus do quê, afinal? Da martelada? Asgard, assim como os três guerreiros, são apresentados de maneira muito breve e o filme como um todo deixou um gostinho ruim na boca dos fãs, que sabiam que poderiam ter assistido uma aventura mais bem trabalhada.

12. Homem-Formiga (2015)

Lembro que quando assisti esse filme no cinema, achei o máximo. Escrevi a crítica aqui para o site ainda sobre os efeitos entorpecentes do contato com a telona, então derramei elogios sobre o filme. Quando fui assistir novamente em casa, com mais calma e senso crítico, percebi que a realidade eram bem diferente. Homem-Formiga continua sendo um bom filme levando em conta que o personagem principal é um herói de segundo nível e que o principal vilão não está no filme – estou falando de Ultron. Mas o longa é apenas razoável: recheado de alívios cômicos (muitos deles desnecessários) e algumas poucas cenas de ação construídas de maneira inteligente, ele também acrescenta pouco ao universo cinematográfico, limitando-se a acrescentar um personagem aos Vingadores. Ainda que eu admire o esforço e a competência da Marvel em ter conseguido construir um bom filme com tão pouco material em mãos, não há real motivo para assistir Homem-Formiga mais de uma vez.

 

11. Capitão América: Guerra Civil (2016)

É aqui que a treta começa. Lembro de ter ido cheio de sonhos e esperanças ao cinema para conferir “Capitão América: Guerra Civil” na pré-estreia. Afinal, a minha saga favorita da Marvel estava sendo adaptada para o cinema! Ainda que a Marvel Studios não pudesse dispor de todos os heróis necessários para reproduzir fielmente na telona a magnitude do confronto da HQ, esperava assistir uma adaptação a altura. Infelizmente isso não aconteceu. É claro que o filme tem diversos méritos, como os efeitos especiais e as excelentes sequências de ação – a cena da batalha no aeroporto é espetacular. Mas o espírito de Guerra Civil não estava no filme. Todo o debate sobre a lei de registro de super-humanos, os questionamentos sobre liberdade x segurança, o dilema de deixar nas mãos do estado ou de vigilantes o direito de cuidar da segurança do mundo, isso tudo se restringe aos primeiros 20 minutos de filme, enquanto que as outras 2 horas tornam-se uma espécie de triângulo amoroso esquisito entre o Capitão América, Bucky e Tony Stark. Além disso, o Homem-Aranha, um dos personagens mais importantes da saga na HQ, não reprisa seu papel no filme e torna-se um mero coadjuvante, quase uma resposta da Marvel aos fãs, como quem diz “viu, conseguimos colocar ele no filme, tá ai”. Muito decepcionante.

10. Homem de Ferro 2 (2010)

Durante muito tempo considerei esse o pior filme da Marvel Studios – até que vieram esses aí da lista. Homem de Ferro 2 não repete o sucesso de seu antecessor e funciona melhor como um filme preparatório para Vingadores do que como filme solo. O filme tem pouquíssimas cenas de ação, apresenta um vilão com zero de carisma – Whiplash quem? – um outro antagonista bobão com menos importância ainda – Justin Hammer who?? – e perde boa parte do seu tempo sugerindo uma morte por envenenamento de Tony Stark que é revertida após uma experiência bem sucedida. Os méritos do filme estão em introduzir a Viúva Negra no universo cinematográfico, a S.H.I.E.L.D., Nick Fury e um easter egg legal do escudo do Capitão América. Ou seja: era melhor chamar o filme de “Pré-Vingadores feat. Tony Stark”.

9. Thor: o mundo sombrio (2013)

É esquisito como que a Marvel Studios ainda não conseguiu captar a aura mitológica e fantásticas das HQs de Thor. Thor: o mundo sombrio é muito melhor que seu antecessor, sem dúvidas, mas ainda assim deixa a sensação de que tem como melhorar a fórmula das aventuras solo do deus do Trovão. As batalhas são mais ferozes e fazem mais jus ao título de “Poderoso” que acompanha o personagem, mas ainda assim alguns problemas crônicos do universo cinematográfico Marvel acompanham o filme, como um vilão sem carisma e uma fonte de poder imprecisa que dita o enredo do filme (nesse caso o Éter). Outro elemento que me incomodou foi o excesso de alívio cômicos dentro do filme: Homem-Formiga pode ser engraçado, mas uma história do Thor não precisa ser tão divertidinha assim. O grande destaque positivo do longa são as sequências com Thor e Loki atuando lado a lado, fazendo uma divertida e poderosa dupla de estranhos e ressentidos aliados.

8. Doutor Estranho (2017)

Doutor Estranho tinha como missão introduzir no universo cinematográfico da Marvel um elemento difícil de lidar nas HQ: a “magia”. Felizmente o longa consegue cumprir sua missão com competência – em grande parte devido aos excelentes efeitos especiais. A excelente atuação de Benedict Cumberbatch como o doutor e mago supremo Stephen Strange ajudam a tornar o filme uma grata surpresa aos fãs da Marvel e a nos deixar com uma pulga atrás da orelha de qual será a contribuição do personagem para os futuros filmes dos Vingadores. Novamente posso destacar como nota negativa a ausência de um vilão forte – e que de preferência não tenha OS MESMOS poderes do herói – e alguns alívios cômicos que poderiam ter sido deixados de fora.

7. O Incrível Hulk (2008)

O patinho feio do universo cinematográfico da Marvel. Aquele filme que muitos esquecem que existe. A única aventura solo do Golias Esmeralda é criticada duramente por muitos fãs mas eu faço questão de partir em defesa dela. Ignore os efeitos especiais já defasados e o fato de que o ator que interpreta Bruce Banner mudou e você perceberá que é um bom filme sim. Bruce Banner exibe duas facetas interessantes: o cientista em busca da cura para o seu problema e o guerreiro em busca de autoconhecimento e paz interior para controlar sua fúria. Claro que em diversos momentos esse autocontrole vai para o espaço e aí presenciamos algumas batalhas bacanas entre Hulk e soldados, Hulk e carros blindados e, finalmente, Hulk e o Abominável. Aliás, o Abominável talvez seja um dos poucos vilões da Marvel Studios que te faça pensar “eita, tomara que o Hulk ganhe porque esse cara ai tá sem limites, vai matar todo mundo”.

6. Guardiões da Galáxia (2014)

Outro daqueles filmes que no cinema parecem mais legais do que quando re-assistido em casa. Mas felizmente, diferentemente de Homem-Formiga, a queda de qualidade não é tão vertiginosa assim. A Marvel Studios conseguiu transformar uma grande incógnita – Groot? Starlord? Quem? – em um grande sucesso de bilheteria e de carisma. O filme tem três grandes méritos: uma ótima escolha de elenco para interpretar os personagens – destaque para Chris Pratt, claro – um roteiro que consegue de maneira competente introduzir cinco personagens novos em pouquíssimo tempo de filme e a trilha sonora, a grande estrela do longa. As músicas anos 70 e 80 dão cores vivas a Guardiões da Galáxia e o tornam inesquecível. Se não fosse um vilão tão fraco – Ronan tem um martelo gigante e dá uma martelada o filme todo – Guardiões da Galáxia poderia subir um pouco mais nessa ista.

5. Vingadores: a era de Ultron (2015)

Talvez “Vingadores: a era de Ultron” não tenha sido tudo que esperávamos que fosse, mas é inegável que é um ótimo filme. Ignore alguns furos de roteiro e admire como que a Marvel Studios finalmente conseguiu presentear o público com um vilão interessante. Ultron encanta os espectadores com seus ideais homicidas e propensão a referenciar e até citar diretamente passagens bíblicas. A segunda aventura em grupo dos Vingadores ainda nos apresenta três novos personagens: Mercúrio, a Feiticeira Escarlate e Visão. O primeiro é legal, mas morre, a segunda é uma grata surpresa e o terceiro é aceitável. O que mais falar desse filme? É Vingadores! O elenco superestrelado funciona novamente muito bem em seus papeis e interagindo uns com os outros, as lutas são espetaculares e o filme ainda introduz alguns elementos pertinentes ao universo cinematográfico, como Wakanda, o termo “joias do infinito” e debates sobre os impactos globais da ação dos super-heróis – base para a Guerra Civil, por exemplo.

4. Homem de Ferro (2008)

O pioneiro do universo cinematográfico Marvel, o sucesso do “Homem de Ferro” foi um dos grandes responsáveis pela continuidade de todo o planejamento. Robert Downey Jr. incorporou o personagem, atraiu um público que não era fã de quadrinhos e elevou o personagem do Homem de Ferro a um patamar que nem na HQ o personagem tinha – hoje há quem ache que ele é o personagem principal da Marvel. Assim como em Guardiões da Galáxia, a trilha sonora desempenha um papel importante aqui: AC/DC dá um toque badass ao herói, complementando o enredo do filme. Aliando elementos míticos da figura super-heroica – o chamado ao dever, a guerra contra o mal – a artefatos tecnológicos – armadura, lasers, tiro porrada e bomba – Homem de Ferro apresentou ao público um super-heroi do século XXI: marrento, tecnológico e sem medo de explodir os bandidos.

3. Capitão América: o primeiro Vingador (2011)

O último filme pré-vingadores, o grande responsável por jogar a nossa hype na estratosfera, “Capitão América: o primeiro Vingador” funciona tão bem quanto aventura solo quanto base para o primeiro hit dos Vingadores. Lembro que ao terminar de assistir o filme, fiquei com duas sensações: a primeira é de que eu queria ser o Capitão América para sair tacando o escudo nos outros na rua e a segunda é a de que agora que o líder tinha chegado, os Vingadores podiam se juntar para salvar o mundo. O primeiro filme do Capitão América é a jornada do herói em estado puro: o franzino Steve Rogers tem acesso ao mágico soro do super-soldado, torna-se um herói, se lança na guerra, passa por diversas provações até conseguir vencer seus inimigos, trazendo a paz ao mundo, mas “morrendo” no processo. Chris Evans interpreta surpreendentemente o personagem, o “rei dos Nerds” Hugo Weaving dá vida a um excelente Caveira Vermelha, Tommy Lee Jones interpreta ele mesmo novamente e o espectador sai satisfeito do cinema por ter assistido a um filmaço. E tudo termina com a “chegada” do Capitão América aos nossos dias, sem saber que em breve teria de colocar seus talentos a serviço da paz mundial novamente.

2. Os Vingadores (2012)

O grande marco da história dos filmes de super-herois. Vingadores teve o mérito de finalmente conseguir construir um filme de alta qualidade com diversos heróis reunidos em um grupo – algo que nenhum X-Men conseguiu alcançar em todos esses anos. A fórmula de sucesso hoje já não é nenhum mistério, mas foi construída com muito carinho, dedicação, calma e sempre sob olhares desconfiados. A Marvel Studios apresentou cada herói em seu tempo, com calma, para não ter de introduzi-los às pressas no longa – a exceção é o Gavião Arqueiro, mas tudo bem, quem se importa com ele, na real? O elenco foi escolhido a dedo não só por suas interpretação como o personagem escolhido, mas pela interação promovida entre os membros da equipe – assista aos erros de gravação do filme e você entenderá: Chris Evans, Robert Downey Jr., Mark Ruffalo, Scarlett Johansson, Chris Hemsworth e até Tom Hiddleston parecem adorar atuar juntos. Loki é um dos grandes astros do filme e responsável por fazer uma legião de espectadores adorar a primeira aventura dos Vingadores – incluo a minha irmã nessa lista, por exemplo.

1. Capitão América: Soldado Invernal (2014)

Durante anos me convenci de que esse filme era o segundo melhor da Marvel Studios, perdendo apenas para “Vingadores”. Após re-assistir ambos mais de 10 vezes, me vejo obrigado a admitir que, enquanto filme, “Capitão América: Soldado Invernal” está um nível acima. O filme apresenta elementos que qualquer fã de HQs e super-heróis quer assistir: as lutas épicas – algumas delas as mais bem encenadas até hoje no universo cinematográfico da Marvel – as façanhas sobre-humanas dos protagonistas, os embates morais entre mocinhos e vilões… Mas ao mesmo tempo a trama do filme apresenta debates mais complexos, mais “adultos” do que em qualquer outra produção da Marvel Studios. A obra trata melhor e de maneira mais competente a discussão sobre Segurança x Liberdade, questiona qual o impacto da vigilância constante de órgãos governamentais sobre nossas ações e qual o poder de um homem contra esse sistema – claro que quando esse homem é o Capitão América a luta fica um pouco mais equilibrada, né? Além disso tudo, o vilão do longa é um dos melhores que a Marvel já apresentou: e não estou falando do Soldado Invernal nem de Alexander Pierce, mas da própria S.H.I.E.L.D., a grande antagonista da trama, a corporação fria, burocrática e com potencial para vigiar e punir milhões de pessoas.

Esse foi o meu ranking dos filmes do universo cinematográfico da Marvel Studios. Não gostou da lista? Acha que fui injusto com algum dos títulos? Outro longa deveria estar no topo da lista? Então não deixe de comentar como ficaria o seu ranking! Abraços.

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Lucas Bastos

Mestre em Comunicação, 7,8 na escala Nerd, fã obsessivo de FMA, Marvel fanboy e defensor da tese de que George Martin é melhor que Tolkien.

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