Quatro grandes defeitos de Esquadrão Suicida

Normalmente eu faço uma review ou uma crítica dos filmes, mas o caso de Esquadrão Suicida é um pouco mais detalhado. Por ter tido uma série de criticas na internet (sua maioria negativa), preferi apontar alguns motivos pelos quais o filme é, de fato, tão ruim quanto dizem.

1) A descaracterização do Coringa

Batman é um dos meus personagens preferidos e seus vilões contribuem muito para isso. Dentre uma gama de vilões icônicos, o Coringa é o maior e mais expressivo vilão do Morcego de Gotham. Mas por que um palhaço maluco consegue tanto destaque? Os embates psicológicos que o personagem cria com o herói, a dualidade construída na relação entre ele e o Batman e a sua imprevisibilidade são elementos que fazem o psicótico palhaço ser o mais perigoso e único inimigo que o maior detetive do mundo não consegue prever totalmente.

Ok, entendemos que o Coringa é sensacional, mas qual o problema do Coringa do filme? Bom, além tentativa grotesca de uma releitura de um Coringa meio gangster, o personagem passa o filme todo tentando ser algo que ele não é, um cara apaixonado.

Por mais que a Arlequina seja uma grande aliada do Coringa, o resgate que ele tenta realizar não tem como propósito um grande plano do palhaço, é apenas uma tentativa de dar emoções a um personagem sem emoções. O Coringa de Jared Leto é digno de um protagonista de comédia romântica que faz de tudo para ficar com a garota dos seus sonhos.

Sinceramente, o filme conseguiu algo quase impossível, descaracterizar um personagem bem sedimentado e ainda torná-lo algo incomodo no filme, já que a sua presença, bem alongada diga-se de passagem, não acrescenta nada na trama. O palhaço do crime não passa em momento algum a psicopatia clássica do personagem, parece mais um gangster mimado e temperamental.

2) O roteiro

Esquadrão Suicida é um grupo de vilões que fazem tarefas para diminuir a sua pena e são monitorados com chips e bombas implantadas no seu corpo para evitar que escapem. Simples, né? Bom, David Ayer tentou complicar e conseguiu, mas não de uma boa maneira. O filme tem três atos bem definidos, mas só um funciona, o primeiro. A apresentação dos personagens do esquadrão funciona, mas os dois atos seguintes são muito problemáticos.

Os vilões são apresentados como personagens bem individualistas e separados e, sem a menor motivação, acabam se entrosando e virando melhores amigos a ponto de dar a vida pelo próximo. Essa amizade é desenvolvida em uma noite, sim, uma noite. Tudo acontece de maneira muito corrida e com diálogos forçados e incoerentes pela personalidade dos elementos daquele grupo, dando a nítida impressão de que o tempo de filme estava acabando e o roteiro precisava da primeira solução que viesse para resolver tudo.

O drama exagerado e mal colocado acaba quebrando muito o ritmo, além de ficar controverso o grupo de vilões resolver o problema graças ao poder da amizade e da bondade. Os personagens, embora bem apresentados, acabam perdendo um pouco dessa construção por conta da situação em que se encontram e o filme acaba tentando passar uma espécie de redenção do grupo, mas desiste depois do confronto final.

3) A escolha do vilão

Nos primeiros momentos do filme, Amanda Waller (Viola Davis) diz que a sua força tarefa estaria sendo montada para possíveis ameaças que o exército normal não daria conta, por exemplo, a possibilidade do Super Homem se rebelar contra a humanidade. Um motivo válido? Com certeza. Mas será que alguns caras com pistolas e rifles e uma maluca com um taco de baseball poderiam fazer muita coisa contra o Super Homem? Acho que não. E contra uma bruxa centenária com poderes além da nossa compreensão e que já foi considerada um Deus por outras civilizações? Continuo achando que não…

O filme acaba dando uma ameaça muito além da capacidade daqueles personagens. Apenas o Diablo tem alguma capacidade para tentar bater de frente naquela luta e, por conta disso, o personagem acaba tendo que criar uma relação inexistente para se sacrificar pelo grupo e tentar conter a ameaça. O resto dos personagens não conseguem fazer nada na luta final, mas acabam derrotando o vilão porque tinha que ser assim.

Se a ameaça fosse algo mais palpável para o grupo, o filme talvez tivesse sido melhor. No entanto, a ideia de transformar a missão do esquadrão em algo épico acaba deixando o tudo mais incoerente.

4) A montagem do filme

Não é surpresa para ninguém que Esquadrão Suicida passou por diversas refilmagens para tentar “corrigir” elementos criticados em Batman vs Superman. No entanto, essas refilmagens podem ter comprometido o filme. Além disso, diversas cenas ficam evidentes que tiveram cortes bruscos (inclusive cenas que nos trailers são maiores e aparentavam ser mais interessantes).

Como disse na parte do roteiro, do segundo ato para frente, o filme é muito corrido e por conta disso, muitas cenas acabam ficando desconexas e forçadas. Os momentos de alivio cômico, por exemplo, não acrescentam nada ao enredo e são tão repetitivos que o publico acaba não aguentando mais as duzentas lembranças de que a Arlequina é maluca ou que o Crocodilo é esquisito.

A impressão que passa é que o filme ia ser w, mudou para x, pensou melhor em ser y e acabou sendo lançado em z. O filme tem muitos tons, mas nenhum deles parece ter sido o planejado, como disse, do momento em que o esquadrão se forma em diante, o filme fica confuso e corrido.

Esses são alguns pontos que o filme deixa a desejar e que, infelizmente, acabam prejudicando e muito. Infelizmente não foi dessa vez que a Warner acertou na sua adaptação da DC, mas o que deixa o gosto ainda mais amargo é o desperdício de um elenco de peso e alguns personagens que, apesar dos problemas do filme, agradam.

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Lucas Mizumoto

Professor de japonês, amante de cinema e telespectador de desenho japonês desde que se entende por gente .

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