Primeiras Impressões: Legion

Diferente de todas as demais séries de Super Herói, Legion ousa e acerta no seu piloto”

Em meio a uma enxurrada de séries de super-herói, a FX Productions, em parceria com a Marvel TV, chegou na disputa desse território com uma nova série do gênero. Legion, série focada no personagem de mesmo nome, é a primeira dos mutantes na televisão.

Neste primeiro episódio a série aposta em uma narrativa que intercala passado, presente e delírio do protagonista, David Haller (Dan Stevens), e imerge o telespectador na confusão do mutante ainda forçado a desacreditar nos seus poderes. David é uma pessoa que, após tentar o suicídio, acaba sendo internado em uma clínica psiquiátrica e diagnosticado com esquizofrenia. No entanto, outros mutantes e pessoas que caçam esta raça sabem da verdade sobre o jovem.

Nesse piloto acompanhamos o ponto de vista do atormentado mutante com poderes ainda não explicados completamente e sua relação com Sydney Barret (Rachel Keller), outra mutante que reside naquele sanatório. Embora a relação dos dois nesse primeiro episódio siga a clássica formula de apresentação de personagens, é a ambientação que chama a atenção. A direção de Noah Hawley sabe trabalhar com o vai e vem que a linha narrativa confusa que esse episódio se propõe. Os diferentes ângulos das cenas e retomadas de cenas para detalhes que vão sendo descobertos  são alguns dos artifícios que o diretor utiliza para ilustrar a cabeça caótica do seu protagonista.

Outro mérito de Hawley é roteiro que promete levar a série para discussões mais aprofundadas sobre o estranhamento e preconceito que os mutantes sofrem em relação ao resto da sociedade. Embora esse seja um tema recorrente nos filmes, este acaba sendo suavizado pela classificação etária dos longas, coisa que pode mudar em Legion e fomentar a discussão. Os mutantes não são heróis e grandes salvadores neste piloto, são ameaças que devem ser contidas ou controladas, mas, assim como nas HQ’s, são pessoas que buscam se unir e trabalham em grupo, como vemos na cena em que resgatam David. Dessa maneira o roteiro promete alinhar elementos mais adultos e sempre presentes nas histórias originais dos mutantes com as perturbações da mente do protagonista.

No entanto, a  série pode não agradar o grande público. Além de sua narrativa não linear, o primeiro episódio apresenta uma estética que causa estranheza. Desde sua palheta de cores até a longa passagem no sanatório, Legion apresenta uma preocupação muito grande na sua estética e acaba deixando o fator “super-herói” um pouco de lado, não que isso seja um defeito já que foi bem trabalhado, mas pode não agradar uma parcela que poderia estar esperando ação contínua. Ainda sobre ação, mesmo que em momentos breves, o episódio conta com boas cenas de ação, se aproveitando de cenas em slow motion para focar nos poderes dos mutantes em meio a correria das batalhas.

Com um episódio focado no desenvolvimento dos personagens e nos conflitos dos mutantes, Legion estreia com muito potencial, mas também com muitos desafios. Resta saber se a estética de Noah Hawley conseguirá cativar o público e se a sua aposta em apresentar algo fora do padrão de super-heróis será um diferencial que vai ajudar ou afundar a produção.

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Lucas Mizumoto

Professor de japonês, amante de cinema e telespectador de desenho japonês desde que se entende por gente .

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