Primeiras Impressões – American Gods, nova série da Starz tem tudo para ser um marco

“Com foco em personagens e uma estética impecável, piloto de American Gods agrada e muito”

Deuses Americanos (American Gods), série baseada no livro homônimo de Neil Gaiman, finalmente chegou às telas. Produzida pelo canal Starz e distribuída pela Amazon, a série é uma das grandes apostas para 2017.

Em sua primeira cena a série vemos a preocupação em mostrar a relação entre deuses e humanos e a importância do culto. Em tomada cheia de sangue, o telespectador acompanha uma narrativa sobre a primeira vinda do povo nórdico e, consequentemente, dos seus deuses, aos Estados Unidos.

O piloto da série se mostra muito mais preocupado em instigar o espectador do que de fato desenvolver algo e isso não poderia ser mais brilhante. O primeiro episódio foca em estabelecer o tom da série que sabe se aproveitar da violência e do drama para desenvolver seus personagens que ainda são um mistério para o telespectador.

Durante a maior parte do episódio acompanhamos o ex-presidiário Shadow Moon (Ricky Whittle) em seu arco dramático ao saber que sua esposa acabou de morrer em um acidente de carro e a sua relação com Mr. Wednesday (Ian McShane), um misterioso homem e oferece, insistentemente, um emprego de segurança particular para Shadow. O foco nos dois personagens entrega ao espectador uma narrativa muito mais focada no storytelling do que em qualquer outra coisa, os diálogos dos personagens e a maneira instigante como Wednesday fala criam um mistério naquela relação que pouco é desenvolvido, mas constantemente retomado. Essa dinâmica entre os personagens é o ponto alto do episódio e nos faz querer saber mais sobre o novo emprego de Shadow e como as coisas irão se desenrolar.

Aliado a essa química entre os personagens, o episódio cativa no aspecto visual e sonoro. A abertura em si já é muito bem-feita e repleta de pequenos detalhes com símbolos de diversas religiões e nacionalidades, mostrando bem o que a obra de Gaiman propõe, a relação entre o velho e o novo e como a sociedade contemporânea aglutina e descarta o que não lhe é necessário. Mas a parte estética vai além, os jogos de cores, a maneira como o sangue é disposto nas cenas e, principalmente, a preocupação da filmagem em focalizar em determinados pontos durante as cenas criam belíssimas tomadas durante a uma hora desse episódio. Vale ainda ressaltar a maneira como as cenas de ação trabalham bem com o slow motion e captam os detalhes de socos e espadadas. O piloto também tem uma preocupação nítida com a trilha sonora que complementa a experiência visual e retoma a discussão dos deuses Nórdicos.

Outro ponto a ser destacado é a maneira como o fantástico e o mundano se alternam durante o episódio. Bryan Fuller nos entrega uma narrativa que alterna entre os sonhos de Shadow, locais corriqueiros dos EUA e o fantásticos em cenas como as de Technical Boy (Bruce Langley) e de Bilquis (Yetide Badaki). O trabalho de produção do episódio alterna muito bem a realidade e o extraordinário e sabe introduzir todos os elementos de drama, ação e suspense nos momentos certos.

American Gods começou da maneira certa, uma série muito bem produzida e com um piloto que foca na relação dos seus personagens e no seu worldbuiling. Se essa preocupação se manter, talvez tenhamos uma belíssima adaptação dessa obra que foca não apenas nos embates de deuses, mas também na perspectiva de Shadow e maneira como os dramas da sociedade contemporânea estão de fato adoecendo o mundo.

Facebook Comments

Mizumoto

Estudante de letras: português-japonês, amante de cinema e telespectador de desenho japonês desde que se entende por gente.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *