Perfil: Stannis Baratheon, o rei sem reino.

As Crônicas de Gelo e Fogo” são uma fonte inesgotável de personagens marcantes e carismáticos, os chamados bigger-than-life. Eu, como grande fã da obra, seria capaz de escrever textos sobre pelo menos 15 deles, destacando pontos positivos dos mesmos, separando citações memoráveis, etc.  Nem todos esses são considerados fan favorites, e é exatamente sobre um membro desse grupo que falarei no texto de hoje: Stannis Baratheon, o único rei por direito em Westeros.

Stannis é mencionado já no primeiro livro, o “A Guerra dos Tronos“, mas faz sua primeira aparição apenas no prólogo do segundo, o “A Fúria dos Reis“. Stannis é irmão mais novo de Robert, o já falecido rei na ocasião, e irmão mais velho de Renly. É descrito como um homem duro e rigoroso: apesar de não ter mais do que 35 anos, já é quase completamente careca, seu rosto é seco e sua pele, rígida. Seus olhos azuis escuros exprimem seriedade e ele raramente sorri. Mas quando entendemos a vida que Stannis levou até então é fácil entender de onde vem tal postura.

“Não é questão de desejo. O trono é meu, como herdeiro de Robert. Essa é a lei”
(Stannis Baratheon)

Durante a guerra contra o Rei Aerys, Stannis foi encarregado de proteger Ponta Tempestade, fortaleza da casa Baratheon. Ele e seus soldados ficaram cercados por tropas inimigas durante meses. A comida acabou e eles foram obrigados a se alimentar de cavalos. Depois de cães, em seguida de gatos, ratazanas…mesmo nessas condições Stannis nunca desistiu. Graças à Davos Seaworth, que furou o cerco trazendo alguns peixes e cebolas, essenciais para que as tropas sobrevivessem por mais tempo, e a posterior chegada de Ned Stark para aniquilar as forças inimigas, Stannis cumpriu sua tarefa. Ao fim da guerra, Robert nomeou Jon Arryn como sua mão e Renly como senhor de Ponta Tempestade. À Stannis sobrou o controle de Pedra do Dragão, antigo lar dos Targaryen.

Stannis Baratheon, um Rei sem reino.

Stannis encarou tais nomeações como uma afronta. Pedra do Dragão é um lugar inóspito, deserto e traiçoeiro. Mas jamais desafiou o irmão mais velho, pelo contrário: quando foi chamado para batalhar contra os Greyjoy na rebelião de Balon, derrotou a temida Frota de Ferro. Mas nem tal vitória fora suficiente para ser convocado para o cargo de Mão do Rei quando Jon Arryn morreu. Stannis parecia fadado a ser apenas Senhor de Pedra do Dragão até o fim dos tempos. Mas aí Ned Stark anuncia uma descoberta que muda todo o jogo dos tronos.

Stannis talvez fosse o rei menos querido da chamada “Guerra dos Cinco Reis“. Joffrey tinha o apoio dos Lannister e seus vassalos: Robb marchava junto com o Norte inteiro; Balon tinha o poderio naval dos Greyjoy; Renly contava com o apoio de Jardim de Cima e seu exército gigantesco; e à Stannis restava apenas seu cavaleiro das cebolas, sua mulher vermelha, Melisandre, e poucos leais soldados. Mas mesmo assim, ao fim do quinto livro, o único aspirante à rei sobrevivente dessa guerra é ele. Como Stannis consegue continuar lutando mesmo em um cenário tão desvantajoso?

Stannis empunhando a Luminífera, seguido de perto por Melisandre. Imagem de “The Art of George R. R. Martin’s A Song of Ice and Fire”.

Três adjetivos explicam: liderança, persistência e lealdade. Stannis é caracterizado no livro como um general quase perfeito: justo, corajoso, nunca desiste de uma luta, rigoroso…mas infelizmente nunca foi tão simpático quanto Robert ou Renly, então seus homens tendem a respeitá-lo muito mais do que realmente amá-lo. Ele também é extremamente persistente – qualidade provada durante a guerra contra o Rei Louco –  e jamais desistirá de seu objetivo. E acima de tudo, Stannis é leal: mesmo após todo o descaso de Robert para/com ele, jamais desistirá de sucedê-lo no cargo de Rei de Westeros, pois considera uma afronta que um dos bastardos Lannister sente-se no Trono de Ferro e manche o nome dos Baratheon e de Robert.

“- É como o preveni. Não se levantarão, Meistre. Por ele, não. Não gostam dele.
Não, pensou Cressen. Nem nunca gostarão. Ele é forte, capaz, mesmo… sim, mesmo para além da sabedoria… Mas não basta. Nunca bastou”
(Meistre Cressen – prólogo de “A Fúria dos Reis”)

Existe um arco dentro dos livros responsável por trazer alguns leitores – menos do que eu gostaria – para a causa de Stannis. Quando a Patrulha da Noite está na iminência de receber um ataque organizado dos Selvagens, os patrulheiros pedem ajuda a todos os reis em Westeros. Apenas Stannis responde ao chamado, levando seu pequeno exército para a muralha, e mesmo em uma desvantagem de 10 para 1, consegue conter o exército selvagem de Mance Rayder. Mais uma vitória para o ótimo histórico de Stannis Baratheon.

Que homem. 

A série infelizmente dá pouco destaque à Stannis. Cenas curtas, aparição em poucos episódios e quase nada do seu passado é revelado aos fãs. Para quem teve a oportunidade de ler os livros, fica claro que o último dos irmãos Baratheon é mais do que um candidato a rei e também muito mais que o tal Azor Ahai que Melisandre tanto preza. Inclusive fica mais claro nos livros que seu respeito por R’hllor e seus rituais é quase nulo: Stannis apenas se aproveita dos poderes de Melisandre, uma força sem a qual ele já teria perdido a guerra há muito tempo. Ah, mas cabe um destaque positivo à escolha do ator: Stephen Dillane, além de ter sido caracterizado muito próximo ao que eu imaginei do personagem, atua muito bem como o rancoroso e taciturno rei de Pedra do Dragão.

“Pouco sei sobre deuses, e me preocupo com eles ainda menos, mas a mulher vermelha tem poder”
(Stannis Baratheon)

Em resumo: Stannis é o único candidato a rei que realmente merecia ocupar o Trono de Ferro. E talvez o único que pudesse governar com sabedoria. Não acredito que ele será o rei no fim das Crônicas de Gelo e Fogo: inclusive tenho um palpite de que ele encontrará a morte já no sexto livro. Mas até o momento ele está vivo: George Martin não apenas confirmou esse fato como ainda nos deu uma prévia do que ele anda fazendo. Ainda tentando travar batalha contra Ramsay Bolton (Snow) para tomar Winterfell, Stannis já deixou instruções claras para seus cavaleiros de que caso morra em batalha, eles devem proteger Shireen, sua única filha, e lutar para torná-la a rainha.

Ai esse é o momento no qual o fã da série diz PERA AI, O QUE? Mas ele não queimou a filha cruelmente em um ritual maligno para R’hllor? Então pessoal, essa foi uma das reviravolta da HBO que me deixou mais puto e me fez quase desistir de acompanhar a série. Pelo que temos de informação e linha de raciocínio até agora nos livros, Stannis nunca faria isso com a própria filha. Ou George Martin mudará os rumos do personagem drasticamente no sexto livro, ou isso nunca acontecerá e teremos certeza que essa foi uma das maiores burradas da HBO ao conduzir a série.

Bom, enquanto não sai o sexto livro – Ventos do Inverno em 2025: eu acredito! – e nem Stannis ressuscita na série – tem gente que ainda acredita fielmente nisso – vamos aproveitar os capítulos no qual ele aparece para acompanhar a vida desse extraordinário personagem. E já aviso: torcerei por ele nessa épica guerra que denomino de “Stannis contra o Mundo”.

Pra fechar, fiquem com um material produzido pela HBO, no qual o ator que interpreta Stannis conta um pouquinho de sua história e da rebelião contra o rei Aerys.

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Lucas Bastos

Mestre em Comunicação, 7,8 na escala Nerd, fã obsessivo de FMA, Marvel fanboy e defensor da tese de que George Martin é melhor que Tolkien.

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