Opinião: Três motivos para não termos um filme solo do Coringa

Na última semana fomos surpreendidos com a notícia de que a Warner pretende lançar um filme solo do vilão mais icônico do Batman.

Apesar de ser um personagem muito expressivo e claramente um dos mais populares, a noticia não foi muito aceita pelo grande público. Pensando um pouco sobre o assunto, cheguei a conclusão de que somente a Warner quer esse filme e ele certamente será um caça níquel. Para isso, reuni três motivos principais para achar esse filme desnecessário.

Vale ressaltar que estou levando em consideração a coerência narrativa e o perfil do personagem desde sua origem.

1) O “fator” Jared Leto

O motivo mais obvio para se pensar nesse filme com o Coringa é a repercussão negativa de Jared Leto interpretando o vilão. Um novo filme, com um novo ator, seria uma maneira do estúdio arrecadar um dinheiro (já que estamos falando de um personagem que se vende pelo nome) e tentar apagar a imagem negativa de Leto.

No entanto, por mais que esse plano pareça interessante, temos um elemento na equação que deixaria tudo ainda pior: Universo Compartilhado. O Coringa de Leto já foi estabelecido nesse universo do cinema e já está confirmado em outros filmes da Warner. Logo, imagina a confusão que seria termos 2 Coringas em um universo que já vem sido criticado? Ou, em outro caso, “forçar” a Warner a criar um novo universo, a partir desse filme do Coringa (caso venha antes do filme do Flash).

Pelo menos para mim, se a ideia foi conter os danos causados por Esquadrão Suicida, talvez essa ideia só desencadeie um efeito dominó.

2) O Coringa não precisa de uma origem

Uma das grandes qualidades do personagem é a dualidade construída com o Batman. O Coringa é a antítesse do Morcego de Gotham e, se pararmos para pensar, a sua origem se dá através do herói.

O vilão é a personificação da loucura e o grande agente do caos. Dar uma origem para o caos ou criar uma história em que o público simpatize com, seja lá o que ele era antes, acaba tirando um pouco da mística do personagem. Por mais que tenhamos algumas histórias que abordem como o personagem se tornou o que é, como A Piada Mortal, o mistério acaba sendo muito mais interessante.

3) Como funcionaria um filme sem um contraponto?

Retomando um pouco do argumento anterior, o Coringa funciona tão bem por ser o contra ponto de um outro personagem excelente, o Batman. Se pensarmos em um filme solo do vilão, a primeira coisa que pode vir a cabeça é: Como fica a história ser o herói?

Esse, ao meu ver, seria o grande desafio e o principal motivo para esse filme ser um risco tremendo. Um filme só focado no Coringa acabaria perdendo muito do potencial do personagem que, como o mesmo disse na interpretação de Heath Ledger, “Eu e Você, Batman, nos completamos”. Pensar em um filme só com o palhaço é, além de raso, sem propósito. O público não está interessado na figura antes do Coringa e muito menos num caos sem conflito ou explicação, uma vez que, por mais que o palhaço seja louco, seus planos são orquestrados.

 

É isso pessoal, essa foi uma pequena reflexão que fiz a partir da notícia. E vocês, o que acham? Querem um filme do Coringa ou também acham que é só uma maneira da Warner levantar grana com algo de qualidade questionável?

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Lucas Mizumoto

Professor de japonês, amante de cinema e telespectador de desenho japonês desde que se entende por gente .

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