Opinião: Estamos ficando acomodados com os serviços de stream?

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Recentemente eu estava conversando com uma amiga sobre a série How to get away with murder e disse que só comecei a ver porque estava na Netflix. Ela ficou um pouco surpresa com a atitude e logo em seguida eu comecei a refletir um pouco e cheguei a seguinte conclusão: Acho que estou ficando acomodado graças aos serviços de streaming.

Não é surpresa para ninguém que a internet vem substituindo as locadoras, canais de televisão e etc. A medida em que a rede vai se ampliando, os usuários conseguem ter acesso mais facilmente a qualquer conteúdo que queiram e, obviamente, os programas televisivos não seriam diferentes. Um exemplo bem prático disso são as séries de TV, pois qualquer um pode encontrar um episódio que saiu no dia anterior em poucos minutos de busca na internet. Nesse primeiro momento do “boom” da internet, muitas pessoas eram criticadas pelos downloads ilegais que, embora facilitem a vida de muitos, acabava prejudicando as gravadoras e os estúdios. No entanto, o surgimento dos chamados programas de streaming veio para “legalizar” a distribuição online. Obviamente isso trouxe inúmeros benefícios, mas eu também tenho sentido o tal acomodamento que comentei no início do texto.

No meu caso em especifico, eu costumava buscar muitas coisas para baixar/assistir na televisão com base em opiniões de fóruns, blogs e redes sociais. Por mais que fosse demorado (afinal de contas, essa maravilha da internet com mais de 10 megas não existia nos bons 2005), eu esperava numa boa para baixar uma temporada daquela série que não tinha saído no Brasil. No entanto, desde que eu assinei a Netflix e o Crunchyroll, eu não tenho tido mais esse ímpeto de buscar coisas que não estejam na biblioteca virtual desses sites. Os motivos para isso variam dos mais bestas, como preguiça de clicar para baixar, aos mais “compreensivos”, como não querer assistir algo em uma qualidade muito inferior, mas ainda assim são motivos rasos e que, certamente, estão me fazendo perder a oportunidade de conhecer inúmeras obras com grande potencial.

Outro ponto que acho que intensifica essa comodidade criada pelos serviços de stream (em especial a Netflix) é o fato das séries saírem em pacote de temporada completa. Eu sinceramente gosto muito desse modelo quando são séries da própria netflix (como aconteceu, por exemplo, com Demolidor e Sense8), mas o grande problema, ao meu ver, é quando você espera temporadas novas de séries semanais (como Flash e Arrow) pelo simples fato de acabar esperando uma temporada inteira acabar e ir para o site. Além de acabar tendo uma experiência diferente daquela mídia (afinal, eu estou maratonando algo que, teoricamente, foi pensado para ser apreciado semanalmente), inconscientemente eu fico refém do serviço comprar o direito de exibição daquele programa.

É obvio que esses serviços também trazem infinitas vantagens, mas ainda acho que essa breve reflexão é válida. Com base nisso, faço duas de muitas perguntas que tenho pensado desde que me reconheci como um acomodado e refém dos serviços online: Será que sou o único que tem ficado acomodado com a biblioteca “infinita” da netflix ou isso é um “problema” geral? Como será o futuro das séries caso uma parcela substancial do público passe a esperar a sua disponibilidade via streaming?

E você, o que pensa do assunto? Deixem suas opiniões nos comentário!

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Lucas Mizumoto

Professor de japonês, amante de cinema e telespectador de desenho japonês desde que se entende por gente .

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