Crítica: xXx: Reativado

Se aproveitando da grande onda de reviver franquias, temos, após 12 anos, o terceiro filme da franquia Triplo X. Muita ação, explosão e esportes radicais, a franquia retorna com Vin Diesel o interpretando Xander Cage, o entusiasta de esportes radicais e principal nome de um grupo secreto.

Dirigido por D.J. Caruso, Triplo X 3: Reativado é um filme que sabe para o que veio e busca apresentar isso de maneira segura. Com um enredo que serve apenas de plano de fundo para a ação, o longa entrega ao público o que a franquia tem de melhor: cenas de ação exageradas e personagens espalhafatosos. Não é um filme que o espectador possa esperar uma grande trama, mas, e talvez justamente por isso, é um filme que funciona na sua proposta.

Vin Diesel retorna para a franquia ciente e confortável com a proposta que a mesma apresenta. O ator encarna o papel do espião radical da maneira mais descontraída possível, não existe a necessidade de impor nem a menor carga dramática como é o caso de Toretto, personagem de Disel em Velozes e Furiosos. Xander Cage é o personagem mulherengo, fissurado em adrenalina e que encara tudo como uma diversão. Não existem riscos para o personagem e é justamente por estar ciente disso que as situações mais absurdas do filme, combinadas com a nítida felicidade do ator interpretando o personagem, que xXx: Reativado permite as cenas que apresenta.

No entanto, não é só Vin Diesel que brilha durante o longa, todo o elenco de apoio funciona bem, principalmente as mulheres. Destaques para Nina Dobrev que, no seu papel de nerd, interpreta uma personagem com ótimas tiradas de humor e tem alguns dos melhores diálogos do filme e para a dupla Deepika Padukone e Ruby Rose que comandam boa parte da ação junto do protagonista e criam uma relação inusitada, mas que não se concretiza nas telas. Essa força feminina no filme é uma grata surpresa, por mostrar como as insinuações sexuais e o ritmo frenético não se prende apenas aos homens e a formula “testosterona” clássica.

Outra grande presença é a de Donnie Yen (Star Wars: Rogue One) que talvez consiga até se sobressair na ação em relação ao protagonista. O ator acrescenta ao filme com cenas de luta muito bem coreografadas e um personagem tão divertido quanto Cage. No entanto, o desfecho do personagem de Yen e de sua gangue é tão óbvio que acaba criando cenas que não levam a lugar nenhum, assim que termina o primeiro ato já fica evidente que os grupos de Yen e Diesel vão se unir em algum momento, mas o falso antagonismo entre os dois se arrasta demais.

De resto, xXx: Reativado é apenas ação e piadas sobre o próprio gênero. As intrigas, a grande missão e até mesmo o verdadeiro vilão são tão irrelevantes que você termina o filme sem nem lembrar dos nomes. O que importa é apenas o tiroteio, os socos e as explosões, ter uma trama de confronto geopolítico só existe para os personagens principais porque vai ser divertido tentar impedir aquilo. O filme se cria na pura diversão do elenco e uma direção que dá liberdade para que a ação se sobressaia, o que não é um erro, mas acaba sendo algo de nicho.

Um filme que tem seus pontos altos por conta do elenco, xXx: Reativado agrada na ação e quase exclusivamente nisso. É interessante ver que Vin Diesel está em sintonia com a franquia, mas resta saber se a mesma vai conseguir se manter da maneira que é feita durante muito mais tempo. Diferente de Velozes e Furiosos, outra franquia com o ator, a história de Cage não apresenta um apelo tão grande ao público sabendo misturar a ação e a relação de família que Toretto apresenta.

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Mizumoto

Estudante de letras: português-japonês, amante de cinema e telespectador de desenho japonês desde que se entende por gente.

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