Crítica – Silicon Valley

Vale do Silício, região famosa na California é o local onde grandes empresas de tecnologia se reúnem e crescem. Um local com tanta prosperidade tecnológica e grandes investidores é o cenário da comédia da HBO, Silicon Valley.

A série criada por Mike Judge, John Altschuler e Dave Krinsky acompanha a vida de Richard Hendricks (Thomas Middleditch) um programador que, ao criar um programa de compressão de dados chamado Pied Piper, que tem tudo para ser algo revolucionário no mercado, cria sua própria empresa.. No entanto, Richard e seu grupo de amigos e sócios acabam destruindo o seu próprio trabalho devida a sua falta de habilidade com público e foco exclusivo na parte da engenharia do produto.

Silicon Valley ganha o seu público por saber aliar o humor com a ambientação do Vale em si. Tecnologia é algo presente no nosso cotidiano e a curiosidade para saber como aquilo é feito acaba sendo algo comum. Dessa maneira, a série consegue transmitir ao telespectador uma experiência descontraída daquele universo através da comédia. Vale ainda ressaltar que, por se tratar de uma série da HBO, a ótica mais adulta característica das séries do canal estão presentes aqui também, mas nesse caso através de uma comédia politicamente incorreta, mas bem inserida dentro do contexto.

Outro ponto que se destaca na série são os seus personagens e como os atores conseguem passar para o público o constrangimento que aquele grupo de pessoas esquisitas passam para quem está fora daquela bolha de tecnologia e programação. Embora Richard seja o protagonista e desenvolvedor do produto que acompanhamos o crescimento, todos da sua empresa são cruciais para o desenvolvimento do mesmo. Erlich (T.J. Miller), Dinesh (Kumail Nanjiani), Gilfoyle (Martin Starr), Jared (Zach Woods) são personagens que orbitam Richard, mas que tem destaque próprio quando necessário e que interagem muito bem entre si, até por estarem juntos em uma mesma casa diariamente.

A série aproveita os seus personagens dentro do ambiente de trabalho, mas segue uma formula nas três primeiras temporadas de se aproveitar de alguma ação acidental de alguém do grupo para uma reviravolta. Ainda que seja algo repetitivo no roteiro, essa maneira de se aproveitar das ações, inicialmente questionáveis, dos personagens acaba funcionando por todo absurdo que acompanha o desenvolvimento da série. Um exemplo disso é a maneira como Big Head (Josh Brener), um completo fracassado que, por ter sido um dos supostos fundadores da Pied Piper junto de Richards, recebe diversas promoções na empresa rival, fatura milhões sem fazer absolutamente nada e acaba ajudando seus amigos, ainda que acidentalmente, em diversas situações.

Somando ambientação e bons personagens, a série cria uma sátira da vida no Vale e mostra como as ideias brilhantes que surgem naquele lugar podem não ir para frente. A presença constante do marketing, advogados e etc. mostram como os criadores de fato não sabem administrar seus produtos, são apenas nerds com ideias e sem direção. Uma crítica interessante, mas que não é o foco da série, ainda que sirva como o plano de fundo das piadas.

Silicon Valley talvez não seja a série mais badalada da HBO, mas sem dúvida merece atenção. Com um humor que mistura as clássicas piadas com nerds e um pouco de humor politicamente incorreto, a série é, sem dúvidas, uma das melhores se tratando de comédia na atualidade. Game of Thrones e Westworld podem ter seu destaque, mas a galera do Vale do Silício vem aos poucos conquistando o público.

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Lucas Mizumoto

Professor de japonês, amante de cinema e telespectador de desenho japonês desde que se entende por gente .

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