Crítica: Power Rangers

“ GO GO adolescentes problemáticos que lentamente tornam-se Power Rangers ”

Quando foi anunciado um novo filme para a franquia Power Rangers, eu e grande parcela do público nerd sentimos que uma tragédia estava por vir. Os primeiros trailers não convenceram; o visual a la Homem de Ferro dos heróis gerou diversas críticas. Cruzamos os dedos e torcemos para o melhor até termos a oportunidade de assistir a estreia do filme, nessa semana. Felizmente, o filme não concretiza um atentado a nossa infância, e se não é brilhante, ao menos diverte e nos faz gritar “ GO GO POWER RANGERS ” mais uma vez.

A versão cinematográfica ~moderna~ de Power Rangers tem direção de Dean Israelite. Não preciso me alongar na descrição da sinopse, não é mesmo? Cinco adolescente são convocados para protegerem a Terra – e principalmente a Alameda dos Anjos, claro – como membros de um esquadrão especial chamado de Power Rangers. Seu primeiro desafio é um confronto de proporções apocalípticas contra Rita Repulsa. Ou seja: nada de novo por aqui, não é mesmo?

Power Rangers

Escolha o seu favorito – o meu sempre foi e continua sendo o Azul. 

Apesar do filme vestir uma roupagem moderna, a versão 2017 de Power Rangers apresenta poucos novos elementos para a trama. Os trajes coloridos ainda estão aqui; Alfa, o simpático robozinho e Zordon, a cabeça flutuante e chefe da porcaria toda, também; os zords felizmente também retornam, assim como os roteiros simples e lotados de furos. Então afinal o que difere esse filme de qualquer outro episódio do clássico seriado?

A construção dos heróis é a única grande diferença em relação ao que assistíamos em nossa infância. Quem esperava um filme com grandes batalhas épicas, explosões e um festival de faíscas voando dos uniformes coloridos, certamente saiu frustrado do cinema. Power Rangers usa 80% do tempo do longa explorando a vida e os dramas adolescentes dos cinco heróis. Essa estratégia do enredo tem suas qualidades e defeitos.

Rita Power Rangers

Rita nem-tão-repulsiva-assim

É legal ver como que a direção do filme aproveitou para inserir debates sobre bullying, dificuldade de adaptação, problemas familiares, enfim, elementos mais ou menos comuns na etapa da adolescência e que mostram que por trás de cada armadura colorida existe um garoto ou garota com suas indecisões, medos, ainda tentando entender seu lugar no mundo e, na medida do possível, fazer tudo certo.

Entretanto, o filme incomoda o espectador pela lentidão pela qual desenvolve seu enredo. O primeiro arco, que consiste na apresentação dos adolescentes e nos primeiros contatos entre eles e os elementos fantásticos que os transformam em Power Rangers levam um tempo considerável; o segundo arco, no qual eles começam seu treinamento, entendem a grande do combate que está por vir e inexplicavelmente NÃO conseguem morfar, se estende tanto, mas tanto, que você se pergunta se algum dia verá um megazord no filme. O terceiro arco, no qual toda a ação se desenrola, demora tanto a chegar que quando começa você fica com pena de sobrar tão pouco tempo de filme.

O grande destaque do filme – e de certa forma surpreendente haja visto o histórico da franquia – fica por conta do Ranger Azul, Billy Cranston (RJ Cyler). Billy é retratado no longa como um garoto tímido, muito inteligente e com um grau de autismo. Ainda que sua condição especial por diversas vezes o faça ter problemas na hora de interagir com seus colegas, seu bom coração e sua vontade de proteger os amigos o destaca dos demais. Jason, o Ranger Vermelho (interpretado por Dacre Montgomery), ainda é o líder da equipe e tem seus momentos de brilhar, mas quem realmente rouba a cena nesse filme é Billy.

RJ Cyler Ranger Azul Power Rangers

O Ranger Azul é negro, autista, alívio cômico e… é o máximo também. 

Power Rangers aposta na nostalgia, mas também em uma abordagem aprofundada sobre os dramas adolescentes dos guerreiros mais queridos de nossa infância. Ainda que o roteiro apresente dezenas de furos e chegue a irrita pela lentidão em finalmente chegar ao que interessa – lutinhas, zords, etc – o filme diverte e passa longe de ser a tragédia que nós temíamos encontrar nos cinemas.

Power Rangers Crítica Nota

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Lucas Bastos

Mestre em Comunicação, 7,8 na escala Nerd, fã obsessivo de FMA, Marvel fanboy e defensor da tese de que George Martin é melhor que Tolkien.

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