Crítica: Planeta dos Macacos: A Guerra é o desfecho perfeito para uma grande trilogia

Em planeta dos Macacos: A Guerra, Matt Reeves consegue extrair o máximo da franquia

Desde Planeta dos Macacos: A Origem, vemos que os conflitos entre homens e símios é, em linhas gerais, uma alegoria para nos mostrar como a natureza pode nos punir pelos nossos atos inconsequentes. Na conclusão desta nova trilogia, Matt Reeves nos mostra como as falhas de caráter e a arrogância humana sobre evolução, intelecto e dominação em relação as demais espécies pode nos custar caro.

A saga de Cesar chega ao seu ápice dramático

Concluindo o prelúdio para o clássico de 1968, vemos o final da trajetória de Cesar (Andy Serkis) em sua busca por salvar sua espécie. Os símios, apesar de estarem em maioria, vivem reclusos e com constante medo de um ataque e da represália sem fim por parte dos humanos. Em meio a esse cenário caótico, temos um Cesar amadurecido, um líder que é visto como uma figura messiânica. Mas que, apesar de saber das suas responsabilidades, ainda vive seus conflitos internos e suas próprias batalhas.

Apesar do título sugerir um confronto de grandes proporções, a Guerra que nos é entregue está muito mais no campo das ideias e das discussões morais que o filme apresenta. O roteiro deixa claro, desde o primeiro embate entre Cesar e o Coronel (Woody Harrelson), que a guerra está sendo travada pela defesa do argumento desses dois personagens. Uma escolha arriscada do roteiro assinado por Reeves e Mark Bomback, mas que é bem executada e sustentada por toda carga dramática que o longa apresenta. Toda a discussão e drama construído está acompanhado de uma trilha sonora, composta por Michael Giacchino, que sabe alternar entre a tensão entre homens e símios, a leveza oriunda da esperança de um futuro melhor e a intensidade das batalhas. Três camadas que o filme constrói e aprofunda de maneira precisa.

A relevância do elenco e como os tons de cinza dos personagens se constrói de maneira perfeita

Com influências claras de Apocalipse NowA Ponte do Rio Kwai e Os Dez Mandamentos, o longa nos entrega um épico que trabalha com as camadas dos seus personagens que apresentam tons de cinza e pegam o público de surpresa por não entregar um embate maniqueísta. Cesar não é a prova de falhas, assim como o Coronel não é apenas um exterminador tirano. Ambos apresentam argumentos para os seus atos e o encontro da dupla nos mostra como a “humanidade” pode se perder no momento da busca pela sobrevivência.

Aliado aos personagens que compõem o embate principal, temos um ótimo elenco de apoio que ajudam a moldar as diversas camadas do filme. O sábio orangotango Maurice (interpretado por Karin Konoval) e os guerreiros Rocket e Luca (Terry Notary e Michael Adamthwaite) estão aqui para intensificar o drama e a luta da sua espécie. Já o novato Bad Ape (Steve Zahn) apresenta um alivio cômico e uma nova perspectiva para os macacos, além da esperança de termos outros da espécie pelo mundo e não apenas o grupo de Cesar. Por fim, a jovem Nova (Amiah Miller) que representa o fim da bondade humana e a última esperança de convivência amigável entre as duas espécies.

Os méritos vão além e a qualidade técnica é impecável

Outro grande mérito do filme vai para os recursos gráficos que dão vida aos símios. É possível ver a entrega dos atores por trás das roupas de captura de movimento. O trabalho de computação talvez seja o principal acerto do filme, uma vez que a carga dramática exigida, principalmente por Cesar, só atinge o patamar que precisa graças aos efeitos e as expressões que o ator apresenta. Podemos acreditar que são macacos de verdade em busca de melhores condições de vida e lutando pelo seu espaço no novo mundo que está sendo moldado após a infestação do vírus.

Mesmo se tratando de um filme com uma carga dramática bem alta, temos também sequências de ação que compõem a parte da “Guerra” mais esperada pelos fãs. Sabendo utilizar de todo o espaço de tela, Reeves cria cenas onde vários elementos trabalham em sintonia e não se torna algo cansativo para o espectador. A câmera acompanha os protagonistas enquanto todo o caos está no plano de fundo, mas ainda podemos ver todos os tiros e explosões que estão acontecendo.

Conclusão

Planeta dos Macacos: A Guerra consegue ser competente em tudo que se propõe. Além de encerrar o arco de um personagem sólido em uma época onde as franquias não buscam terminar, o filme sabe utilizar ao máximo da computação gráfica e da ação. Com um enredo cativante e um drama muito bem inserido, Matt Reeves entregou para os fãs da franquia um longa que certamente será um clássico do gênero assim como é o seu antecessor de 1968.

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Lucas Mizumoto

Professor de japonês, amante de cinema e telespectador de desenho japonês desde que se entende por gente .

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