Crítica: Lion – Uma jornada para casa

Emocionante e cativante, Lion leva ao público uma história real sobre o autoconhecimento e a importância do pertencimento

A Índia é um país com um dos maiores quadros de desigualdade do mundo e, em meio a essa realidade, muitas crianças se encontram órfãs por diversos motivos. Em Lion – Uma jornada para casa, o diretor estreante, Garth Davis, nos apresenta a trajetória de uma dessas crianças.

Baseado nos relatos de Saroo, o filme acompanha a agonia e obsessão do rapaz que, após um lampejo de memória, inicia uma busca pela sua família biológica a partir de fragmentos de memória que ele vai tendo e com auxílio do Google Earth. Alternando com flashbacks interpretados por Sunny Pawar e o Saroo do presente interpretado por Dev Petel (Quem quer ser um milionário?), o longa explora o cenário de miséria da Índia em contraste com a Austrália, definindo bem as duas vidas do protagonista.

Por se tratar de uma história real e com um grande apelo emocional, o longa cativa o espectador através da sutileza do protagonista na infância que, mesmo em uma situação bem sofrida, ainda encontra a felicidade. A ótica infantil é muito bem refletida na fotografia de Greig Fraser que destaca a beleza nos mínimos detalhes. Outro ponto que emociona são os diálogos, principalmente na relação de Saroo e seus pais adotivos, interpretados por Nicole Kidman e David Wenham, que refletem a angustia do jovem e o amor incondicional que seus país demonstram por ele e por aquela família criada com muitos desafios.

As memórias de Saroo são o que mantém o protagonista em sua busca, mas também são as responsáveis por todo o dilema do filme, a busca pelo seu local e a por entender o que é pertencer a alguma coisa. As indagações do personagem e a atuação de Petel transmitem o desespero de alguém perdido e aumentam a expectativa para as conclusões do ato final, criando no espectador um sentimento de torcida. No entanto, o desenvolvimento da história acaba sendo um pouco corrido e, por mais que o foco seja obvio, o enredo acaba deixando pontas relacionadas aos personagens secundários como o irmão adotivo do protagonista.

Pautado na relação entre as pessoas e no sentimento de amor pela família, Lion nos apresenta uma história comovente e cativante. Saroo descobre e mostra ao público que pertencer a um local vai além dos laços sanguíneos, é uma questão de afeto mútuo de ambas as partes.

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Lucas Mizumoto

Professor de japonês, amante de cinema e telespectador de desenho japonês desde que se entende por gente .

2 comentários em “Crítica: Lion – Uma jornada para casa

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