Crítica: Kong: Ilha da Caveira

Buscando construir seu universo expandido através dos monstros clássicos do cinema, a Legendary Pictures nos apresenta Kong: A Ilha da Caveira, um filme de origem e um reboot da franquia do famoso gorila King Kong.

O longa acompanha uma expedição à uma ilha inexplorada, mas com lendas de espécies animais desconhecidas no local. Militares, cientistas e exploradores se unem para ir ao local com a desculpa de uma pesquisa geológica por parte da empresa Monarch, mas, ao chegarem no local, se deparam com o gigante macaco que destrói parte de sua frota.

Seguindo a clássica formula de aventura dos anos 80, Kong entrega ao espectador um filme muito mais focado nos estereótipos do que no gorila em si. Figuras caricaturadas como o aventureiro ao estilo India Jones (Tom Hiddleston), a moça a ser protegida (Brie Larson), o militar sedento por guerra (Samuel L. Jackson) e os cientistas com óculos quadrados estão presentes. No entanto, desde sua cena de abertura, onde vemos um soldado americano e um japonês, com uma katana em mãos, brigando, o diretor Jordan Vogt-Roberts mostra sua preocupação com cultura pop e sua vontade de uni-la com o saudosismo das clássicas aventuras, entregando ao público um longa que lembra uma história em quadrinhos ou um jogo no estilo hack and slash.

Apostando muito na ação e no impacto visual, o diretor cria grandes cenas de batalha, seja com humanos ou entre Kong e os seus inimigos, os Skullcrawlers. Batalhas essas que seguem um ritmo frenético que vem acompanhado de uma trilha sonora que, casando com as mudanças rápidas de câmera aliadas a um jogo de cores e sombreados fortes, acabam criando a sensação de que espectador está assistindo um compilado de clipes musicais com um fundo de pancadaria e tiroteio, algo semelhante ao que vimos em Sucker Punch de Zack Snyder. Uma escolha inteligente e que entrega um resultado mais que satisfatório e que conta com o auxílio de efeitos especiais de encher os olhos, principalmente na criação e Kong.

No entanto, a preocupação na ação acaba tornando todo o roteiro e, consequentemente, o desenvolvimento dos personagens (incluindo o Kong) quase que descartável. Hiddleston e Larson, protagonistas do filme, têm uma jornada pouco explorada e motivações fracas para a empatia que criam com o gorila. Salvo o momento em que Larson presencia um ato de bondade de Kong, não vemos nenhum motivo para que os personagens apoiem aquela aberração que destruiu metade dos aviões que transportavam a comitiva. A comitiva de cientistas é completamente esquecível e parece existir apenas para usarmos como ponte para a relação entre Kong e Godzilla futuramente. Com isso, resta aos soldados, núcleo que ironicamente serve como alívio cômico, entregar as melhores atuações e diálogos do filme, ainda que com algumas ressalvas como a maneira volátil que todo o elenco encara o personagem de Samuel L. Jackson, ora como grande líder, ora como vilão e obcecado por vingança.

Apesar de seu enredo fraco, Kong é um filme que aposta na diversão a partir de ação e acerta em cheio nesse quesito. Repleto de referências da cultura pop, Vogt-Roberts nos entrega um filme pipoca fantasiado de Apocalipse Now. Fica a única ressalva dos personagens rasos e, por conta disso, o desperdício de um elenco de peso nesse sentido.

Kong Ilha da Caveira Crítica Nota

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Lucas Mizumoto

Professor de japonês, amante de cinema e telespectador de desenho japonês desde que se entende por gente .

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