Crítica: Aliados

A tensão e a responsabilidade de ser um agente secreto são coisas que nós, cidadãos comuns, nunca iremos mensurar. Com base nessa profissão e usando de plano de fundo um dos períodos mais conturbados da nossa história contemporânea, Robert Zemeckis nos apresenta Aliados.

O filme que se passa durante a segunda guerra mundial acompanha a relação amorosa de Max Vatan (Brad Pitt) e Marianne Beauséjour (Marion Cotillard), dois espiões que estão em Marrocos para uma missão contra o governo nazista. A trama que envolve romance e espionagem nos leva a um momento crucial em que Max descobre que sua mulher pode ser uma infiltrada das forças alemãs e, caso isso se confirme, ele deve assassina-la.

Embora o filme tenha uma premissa interessante e a direção saiba trabalhar com os cenários e a própria dimensão da segunda guerra, seu roteiro, escrito por Steven Knight, e algumas atuações infelizmente não acompanham o ritmo. O enredo se desenvolve com um ar novelesco que incomoda e toda a construção de família feliz que a dupla de personagens cria acaba se perdendo com a tensão exagerada de Brad Pitt durante a sua missão que passa longe de um espião. Uma decisão ruim que faz o filme perder a sua tensão e seu drama para uma relação de romance que descredibiliza a premissa inicial. Pitt e Cotilard parecem estar em filmes diferentes. Enquanto a primeira encarna a espiã e sabe criar o suspense sobre ser ou não a nazista, Pitt é o grande apaixonado.

No entanto, o filme ainda tem alguns elementos que valem ser explorados e que, graças a sua direção e a atuação de Cotilard, conseguimos extrair algo. As cenas de ação, os cenários e toda as discussões nas entrelinhas sobre confiança em relacionamento e bastidores da guerra estão um tom acima do restante da obra. Esse bom trabalho acaba servindo apenas para evidenciar o potencial desperdiçado do longa por conta do roteiro. Sobre desperdício, vale ainda ressaltar o belo primeiro ato onde Cotilard rouba a cena e mostra como o filme poderia seguir se fosse de fato focado no suspense de espionagem.

Aliados tinha todo o potencial para criar algo único e inusitado em um contexto já batido nos cinemas, mas acaba preso no romance novelesco. Ainda que a direção e alguns momentos do filme sejam muito bons, a obra como um todo acaba pecando demais na sua execução.

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Mizumoto

Estudante de letras: português-japonês, amante de cinema e telespectador de desenho japonês desde que se entende por gente.

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