The Cloverfield Paradox

The Cloverfield Paradox| Crítica

Poucos sabiam sobre a existência do terceiro capítulo da franquia Cloverfield.

Havia muitas especulações, mas o fato é que só sabíamos o titulo que usavam na época da produção que era A partícula de deus. Hoje, não só temos novidades sobre o projeto, mas o próprio filme.  Um lançamento surpresa, anunciado no final de um teaser de menos de um minuto durante o intervalo do SuperBowl. Essa é a beleza do mundo atual e, especialmente, a força das plataformas. A Netflix certamente elevou o seu nível, e deve ser recompensada por essa excelente estratégia de lançamento.

A trama deste terceiro capítulo gira em torno de um grupo de astronautas que são enviados para o espaço na tentativa de solucionar o problema de falta de  energia que o nosso planeta vem sofrendo. No entanto, antes que possam salvar bilhões de vidas, o grupo terá que descobrir como se salvar ao ter que enfrentar uma série de situações peculiares e aterradoras. Diante de uma descoberta chocante, e uma realidade que pode não ser o que parece, eles terão que lutar não só para salvarem suas vidas, mas também a vida como conhecem.

Assim como aconteceu com Rua Cloverfield, 10, este era um projeto que foi comprado pela produtora do J. J. Abrams e foi anexado ao universo Cloverfield com o acréscimo de alguns pontos-chave no roteiro. Embora tenha funcionado surpreendentemente bem no Rua 10, o mesmo efeito não conseguiu ser replicado. O maior problema de The Cloverfield Paradox é que ele não funciona como um filme próprio, a premissa funciona até certo ponto, mas o desfecho  e as explicações não funciona se você pensar um pouco sobre elas. The Cloverfield Paradox tenta ser muitas coisas ao mesmo tempo, e infelizmente falha em quase todas elas; desde a busca de sua própria identidade até as conexões com o universo da franquia.

Os eventos bizarros – uma mulher encontrada entre a fiação da nave, um braço com vida própria, entre outros – são respiros interessantes e tecnicamente bem realizados em 1h42 de filme, mas a falta de consistência do roteiro de Oren Uziel torna tudo gratuito. Não há uma ameaça verdadeira quado os personagens não são suficientemente interessantes para que o espectador tema por suas vidas. Nem tudo é desastre: a protagonista, Hamilton (Gugu Mbatha-Raw), é a única personagem bem desenvolvida, com um arco interessante que se resolve de modo satisfatório. O suspense às vezes funciona e até rende algumas surpresas — que, infelizmente, acabam se revelando vazias.

No fim das contas, o maior vilão em The Cloverfield Paradox é a necessidade de integrar uma franquia. Rua Cloverfield, 10 foi um excepcional thriller psicológico que, além de funcionar muito bem isoladamente, ainda conseguiu se conectar ao filme anterior. Já o lançamento da Netflix se esforça para oferecer uma explicação da qual só vai importar para o próximo filme da franquia Overlord.

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