300 A ascensão de um império

O filme começa paralelamente ao primeiro filme da franquia e retrata a trajetória do general Temístocles e da persistência persa em conquistar territórios europeus, começando com o Rei Dário I em uma batalha na cidade de Maratona. O grande general e político ateniense tenta unir a armada de todas as cidades-estado da Grécia para a grande batalha naval de Salamina, contra a ameaça do imperador Xerxes I, comandada por Artemísia I de Cária. Este episódio, não por acaso, é o ápice do filme.

A sequência que não conta com astros consagrados de Hollywood é tão intensa quanto o primeiro filme. Batalhas corpo-a-corpo são recorrentes e mesmo com Noam Murro ocupando a cadeira de diretor, Zack Snyder coloca sua marca em muitas cenas, combinando slow motion com fastforward logo em sequência. As cores predominantes do filme sofreram alterações. No primeiro a base era amarela por causa do terreno das termópilas e adjacências e o contraponto visual era o vermelho escarlate do manto espartano. No segundo, as batalhas são no mar e com isso surge a base cinza e os detalhes azuis, cor do manto ateniense.

Não é um filme espartano, mas um filme de culto aos 300 heróis, pois Temístocles não é um bom encorajador, não passa a segurança de um discurso heroico como o Rei Leônidas passa. A genialidade de Temístocles é aclamada: sua imagem de excelente estrategista militar e de político que exala valores da boa moral e dos bons costumes ficou bem aparente, mas em certos pontos ficou massante a mensagem dele pra quem, como eu, gostaria de ver algum tipo de Leônidas da Atenas. Um destaque positivo do filme é a sedutora Eva Green, no papel de Artemísia I. Ela carrega nas costas as cenas de drama, o rumo do filme, conexão de roteiro entre gregos e persas e não satisfeita com tudo isso ainda é a protagonista da cena de sexo.

Rodrigo Santoro volta para essa sequência com mais cenas e de maneira muito mais imponente, chegando a decapitar Leônidas e jogar sua cabeça no solo de Atenas pegando fogo. Vale ressaltar que Xerxes I leva rumo místico da película com sua explicação do porquê de ele ser um Deus-Rei, mas o ponto ruim do papel de Santoro é a influência de Artemísia. Ele aparece no primeiro filme como uma grande ameaça pensante, único no poder e autônomo. Já nessa sequência, com suas explicações, surge um Xerxes louco e motivado pela vingança da morte do seu pai, tudo isso graças à nossa senhorita Green, que não canso de repetir: leva o filme nas costas.

Gostei bastante do filme. Ele por si só é muito bom, carregado de ação, história e emoção, mas é impossível não fazer a comparação com o anterior: “300: A ascensão do Império” deixa a desejar pela lacuna de Gerard Butler, que com seus gritos motiva até o mais covarde dos soldados e o mais acomodado dos expectadores. Com Leônidas e seus discursos você se sentia parte da elite espartana, justamente o que os 300 representam para o cinema. Esse é um grande defeito, mas fique tranquilo que todos os outros pontos positivos da franquia estão presentes nesse filme.

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