Nossas Noites (Netflix)

Apoiada em grande parte pelo talento e carisma de Robert Redford e Jane Fonda, “Nossas Noites” é uma tocante história sobre amor e companheirismo na melhor idade

O mundo do entretenimento é recheado de grandes histórias sobre homens e mulheres de meia-idade. Mais recentemente, em grande parte ao sucesso estrondoso de Harry Potter, as histórias infanto-juvenis ganharam mais espaço. As livrarias, cinemas, os consoles, todas as mídias foram invadidas por aventuras de crianças e adolescentes. Mas onde estão as histórias da melhor idade? Eu sei que existem e basta procurarmos para encontrá-las, mas confesso que nunca dei muita importância a elas. Mas hoje a Netflix trouxe até mim “Nossas Noites”, um excelente filme com uma narrativa muito prazerosa e tocante, depositou-a no meu colo e disse “assista”. E, felizmente, eu topei o convite.

“Nossas Noites” é uma produção original Netflix, dirigida por Ritesh Batra, baseada em um livro de Kent Haruf, intitulado originalmente de “Our souls at night”. O longa conta com um elenco bastante enxuto, mas que tira do casal de protagonistas a sua principal qualidade. Robert Redford e Jane Fonda vivem um casal de idosos viúvos que decidem, juntos, afastar a solidão. Addie Moore (personagens de Jane Fonda) convida Louis Waters (Robert Redford) para passar as noites com ela, a fim de ter alguém com quem conversar. A nova experiência, constrangedora no início, com o tempo começa a aproximar o casal.

Os atores que chamam a responsabilidade

Quando disse que o longa tinha um elenco enxuto, eu não estava brincando. São menos de 10 personagens fixos no filme, sendo que nem seis deles chegam a ter um grande destaque no filme. Em outros filmes essa escassez de personagens poderia ser um problema, mas em “Nossas Noites” isso não gera incômodo algum. Porque a narrativa é sobre o casal de viúvos e a única história que realmente queremos que se desenrole é a deles. E felizmente foram escolhidos para viver esses protagonistas dois atores que chamam a responsabilidade. Fonda e Redford dão vida a dois idosos tão carismáticos, divertidos a sua maneira, mas tão traumatizados ao mesmo tempo que é delicioso descobrir um pouco mais sobre o seu passado a cada cena. Além disso, a química entre os dois atores é gigantesca e muito bem aproveitada pelo roteiro.

Devagar se vai ao longe

Uma característica difere a narrativa do filme de outras tantas produções cinematográficas atuais: o ritmo. Quando comecei a assistir o longa, já imaginei que fosse encontrar uma história com ritmo mais lento. Mas até mesmo os diálogos e as interações entre as personagens apresentam uma lentidão ímpar. Mas vejam bem, eu não considero isso um defeito do filme: muitas cenas pedem pouco dinamismo. O filme, aliás, usa muito do silêncio como elemento da narrativa. Algumas cenas inteiras não apresentam diálogos, mas muitas mensagens são passadas pelos objetos, trocas de olhares, linguagens gestuais, etc. Mas de qualquer forma fica o aviso para os “apressadinhos”: se você quer uma história que seja contada e resolvida rapidamente, vapt-vupt, talvez esse não seja o filme para você.

Tramas paralelas com pouco espaço

Eu não tenho nada contra filmes que não fechem arcos ou tramas paralelas. As vezes queremos que todas as histórias tenham uma conclusão mastigada, sendo que isso nem sempre é necessário. Mas me incomoda quando algumas dessas histórias não são embasadas suficientemente. Darei um exemplo do filme, tentando ao máximo dar spoilers da trama. A filha de Louis, Holly, parece ter uma relação conturbada com o pai. Quando digo “parece”, é porque o filme indica isso, mas não embasa de maneira satisfatória esse arco. A participação da personagem é muito pequena e deixa a nítida sensação de que no livro isso era melhor contado. Outras tramas ficam “soltas” no filme e o espectador fica com a impressão de que ele perdeu alguma cena na qual o personagem em questão foi melhor introduzido.

O arco de Jamie, neto de Addie, é um dos poucos que ainda funciona bem no filme.

Conclusão

“Nossas Noites” é uma tocante história sobre amor, companheirismo e novos começos na terceira idade. Para quem gosta de narrativas sobre a melhor idade, o filme está mais do que indicado. Jane Fonda e Robert Redford fizeram um trabalho excepecional nesse longa que é certamente um dos melhores originais Netflix lançados até hoje.

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About Lucas Bastos

Mestre em Comunicação, 7,8 na escala Nerd, fã obsessivo de FMA, Marvel fanboy e defensor da tese de que George Martin é melhor que Tolkien.

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