Mudo

A direção de Duncan, deixa a desejar no seu novo filme “Mudo” é uma tentativa de fazer um filme ficção de científica, mas a bagunça do seu roteiro atrapalha muito a essa experiencia.

Nesses últimos tempos a netflix vem aumentando o numero de lançamentos originais em sua plataforma. O que de certa forma é bom pois temos mais conteúdo, mas por outro lado a qualidade media dessas produções vem caindo.  E hoje vamos falar um pouco sobre a nova produção Mudo

Leo (Alexander Skarsgard) é um amish mudo inserido em uma Berlin cyberpunk futurista. O longa já começa atirando seu principal personagem em uma tragédia, apresentando o momento em que Leo perde sua fala e sua mãe recusa a ajuda para se manter fiel a tradição de seu povo. O roteiro até tenta criar algo para o personagem, mas a interpretação corporal de Skarsgard não ajuda, logo, acompanhar o personagem se torna cansativo.  Temos a participação da atriz Seyneb Saleh, interpretando Naadirah, par romântico de Leo. Que poderia criar uma empatia com o publico, mas acaba sendo descartada rapidamente do roteiro e se transforma apenas no objetivo de Leo.

Por mais que a proposta cyberpunk pareça cativante, o esplendor visual da Berlin futurista nunca acaba sendo explorado a fundo ou de maneira original, rendendo assim uma ambientação bem-feita, ainda que genérica. Diferente de outros longas do gênero, como Blade Runner, não existe algo de hipnotizante ou contemplativo sendo feito com a atmosfera que os visuais oferecem. 

 Mas Mudo não é apenas a história de Leo. Além do protagonista, conhecemos o médico-soldado Cactus Bill (Paul Rudd), que trabalha para uma organização criminosa realizando operações cirúrgicas em seus integrantes, enquanto espera pela papelada que irá tirar ele e sua filha de Berlin. O personagem opera junto do amigo Duck (Justin Theroux), um comparsa com algumas facetas sombrias escondidas em sua personalidade.

Acompanhar essa dupla de médicos é quase um alívio dentro da trama, sendo que são dois personagens bastante vivos, contrastando com o tédio narrativo das andanças de Leo.

Sim, o longa é uma confusão. A direção de Duncan Jones (Lunar) não consegue decidir quem é o protagonista da historia. Tendo em vista que as andanças de Leo, tem quase o mesmo tempo de tela de que a dupla de médicos. A trama depende de coincidências absurdas para se desenrolar, contando com um ritmo arrastado, uma perseguição que não se desenrola e que não vai a lugar nenhum, além de um terceiro ato sórdido que, embora funcione para prender a atenção, atinge notas óbvias demais.

É engraçado frisar, inclusive, o quanto Mudo parece um filme inchado e verborrágico quando comparado com Lunar – outro filme de Duncan Jones, que conta com uma abordagem minimalista elegante e eficaz.

Falando nisso, existem referências que conectam Mudo com Lunar, filme de Jones que ganhou um certo status cult, estabelecendo uma espécie de universo expandido. Se você não assistiu Lunar, vale a pena conferir, afinal, é um filme melhor e, se você gosta de ficção científica e pretende dar uma chance para Mudo, vai ficar por dentro de uma ou duas sacadas.

Mudo não é um filme que  deseja ser lembrado por sua ação,  quando Leo empunhando uma tora de madeira, encontra um personagem destacado pela trama como imponente e forte, segurando uma perna de robô, corta o desenrolar do combate como se quisesse fechar a porta na nossa cara em termos de ação desenfreada, quase uma provocação. Todas as lutas são cortadas e apenas vemos as suas conclusões.

No fim das contas, Mudo não cativa o par romântico e por isso deixa a aventura bem entediante, não possui cenas de ação  e tem um desfecho que se baseia quase que totalmente em um grupo de coincidências.

Infelizmente, o resultado final não cativa o espectador, por mais que as boas intenções de Jones sejam notáveis, a impressão passada é a de que abaixo de toda a confusão que é Mudo, existe sim um bom filme de ficção científica, ainda que dispensável.

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