Me Chame Pelo Seu Nome

Me Chame Pelo Seu Nome Crítica Drop Hour

Me Chame Pelo Seu Nome | Crítica

Guadagnino entrega ao público um filme que preza pela beleza e conta com boas atuações para criar um amor sincero.

A adolescência é um momento crucial para o nosso amadurecimento. As incertezas, a rebeldia e os temores, ainda que não verbalizados, são elementos necessários para nos formarmos. A partir da perspectiva de alguém nessa fase que Luca Guadagnino, em “Me Chame Pelo Seu Nome“, nos entrega bela história de amor.

O foco no desenvolvimento dos personagens

O longa acompanha a relação de Elio (Timothée Chalamet) e Oliver (Armie Hammer) durante um verão na Itália. A chegada de Oliver para trabalhar com o seu pai, Professor Perlman (Michael Stuhlbarg), acaba mudando a pacata vida do jovem e despertando novos sentimentos.

Desde seus créditos de abertura, com várias estátuas romanas, a direção mostra a sua intenção: entregar ao espectador um filme contemplativo, quase uma ode a beleza. Se passando no norte da Itália, Guadagnino utiliza muito bem do cenário para entregar tomadas belíssimas. Seja no campo ou nos rios, o longa utiliza de muito do seu tempo expondo o ambiente em que os personagens estão para que o espectador, assim como o casal, consiga aproveitar aquele verão.

O senso estético e a tensão sexual em prol do roteiro

A relação criada pelos protagonistas vai além da questão da orientação sexual, o roteiro busca criar um amor entre duas pessoas. Com um ritmo lento, mas bem utilizado, o longa explora a interação dos personagens e dá ao espectador o peso da passagem do tempo. Pela perspectiva de Elio, vemos a figura de Oliver como algo excêntrico naquele ambiente e essa excentricidade vai se transformando em admiração e desejo na medida em há uma aproximação.

Dessa maneira, o erotismo que o filme trabalha não é utilizado apenas para o sexo. A tensão sexual não é em momento algum reprimida e é usada como uma maneira de Elio amadurecer como pessoa e se reconhecer. Vindo de uma família com uma bagagem cultural muito rica e aberta para diferenças, o menino acaba tendo uma visão privilegiada de mundo e um discernimento mais rápido dos seus sentimentos. A bagagem cultural e a influência familiar se refletem, principalmente, no monologo final do pai do rapaz.

O roteiro explora bastante a puberdade do jovem e a direção conversa com isso na medida em que enche de subtexto as suas tomadas. Sejam cortes rápidos, focos em objetos, a principio sem apelo sexual, ou até mesmo a trilha sonora que reflete muito os pensamentos do menino.

A atuação de Timothée Chalamet

Elio é um personagem com muitas camadas e contradições internas. Apesar de extremamente inteligente e perspicaz para artes, ele é muito ingênuo e imaturo. O menino reconhece que falta sabedoria em sua e vida e, com a jornada apresentada no longa, é perceptível a sua confusão mental sobre o seu futuro. Há muita rebeldia em seus atos, mas uma rebeldia que busca chamar a atenção das pessoas em seu entorno, em especial Oliver.

Mas toda a complexidade e profundidade do personagem não funcionaria sem a entrega de Chalamet. O ator rouba a cena com seu personagem e convence o público de suas incertezas e descobertas. O jovem consegue entregar expressões de alegria, tristeza e tensão no mesmo nível. A maneira como a percepção de Elio sobre Oliver muda pode ser sentida pelo público, na medida em que Chalamet nos entrega emoções palpáveis em sua atuação.

A entrega do ator reverbera também no personagem de Hammer, na medida em que, por se tratar de uma figura misteriosa para o publico e o protagonista, suas ações e aparições no filme se sustentam pela ótica de Elio. Hammer apresenta bons momentos no filme, mas o propósito do seu personagem parece por vezes dedicado à beleza que precisa ser descoberta e explorada. Assim como as estátuas que Oliver ressalta a sensualidade, Hammer é visto da mesma maneira pelo personagem de Chalamet.

Conclusão

“Me Chame Pelo Seu Nome” é um filme utiliza de uma premissa simples para trazer uma bonita história de amor. Com foco no amadurecimento do seu protagonista, vemos como uma relação intensa e rápida como um amor de verão pode ser essencial para a vida.

Luca Guadagnino nos entrega um filme sensível, emocionante e que sabe trabalhar com a beleza. Com um ótimo elenco e um cenário deslumbrante, o longa mostra que as vezes precisamos de um cinema mais contemplativo para vermos uma bela história em seu próprio ritmo.

 

 

 

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About Lucas Mizumoto

Professor de japonês, amante de cinema e telespectador de desenho japonês desde que se entende por gente .

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