Maze Runner: A Cura Mortal

Maze Runner: A Cura Mortal crítica Drop Hour

Maze Runner: A Cura Mortal | Crítica

Desfecho da trilogia conta com boas cenas de ação, mas com roteiro fraco e problemas de ritmo.

O primeiro longa da franquia Maze Runner chegou aos cinemas com uma proposta um pouco diferente dos seus concorrentes teen da época. Com uma premissa inusitada e uma ambientação bem construida, o filme acabou se destacando. Em “Maze Runner: A Cura Mortal“, vemos que o diretor, Wes Ball, busca obviedades do gênero e apela para mais cenas de ação do que os demais filmes apresentavam.

Desde sua cena de abertura o filme mostra que seguirá uma estrutura de assalto e resgate para desenvolver a trama. Ainda em busca do seu amigo Minho (Ki Hong Lee), Thomas (Dylan O’Brien) decide tira-lo da base da WICKED, mas para isso precisa descobrir como invadi-la. É através da parceria com amigos já presentes e reencontro de outros personagens da franquia que vemos o plano sendo articulado. Paralelamente, vemos  os problemas que o vírus já causam ao mundo e a tensão dentro da WICKED que está a beira de um colapso.

Ritmo mal trabalhado e um roteiro previsível

Intercalando bem os seus núcleos, o filme utiliza dos seus protagonistas, Thomas e Teresa (Kaya Scodelario) para expor os conflitos. De um lado temos Thomas com uma postura muito mais instintiva e abraçando e imerso no desespero da população deixada para morrer, de outro vemos Teresa com uma perspectiva mais racional e entendendo o custo dos seus atos, mas convicta de que está fazendo algo pelo bem maior. A maneira como o roteiro trabalha essa dualidade entre núcleos funciona na medida em que os personagens se mantém fieis a suas construções até então.

No entanto, o desenvolvimento dos arcos é mal executado. Por ser tratar de um filme desnecessariamente longo, muitas  cenas acabam se alongando demais e perdem o peso que deveriam ter. O roteiro previsível acaba sendo prejudicado pelo tempo do longa que faz com que o público perceba a resolução que está por vir e precisa aguardar por diálogos desnecessários ou momentos de tensão que não convencem serem encerrados.

Dessa maneira, o longa não perde somente em ritmo, mas também acaba se estendendo em alguns momentos e deixando questões da trama aberto ou com soluções fracas. A falta de organização do roteiro prioriza a interação entre seus personagens, mas não trabalha isso de maneira eficaz, deixando furos. Planos são elaborados sem explicação, locais impossíveis de entrar viram portas abertas com tranquilidade e reencontros indesejáveis se resolvem em questão de segundos.

O excesso de Deus ex machina nas resoluções dos conflitos

Além disso, o filme recorre ao recurso de Deus ex machina para a resolução da maioria dos seus conflitos. Seja com personagens voltando dos mortos, ou ajuda vinda, literalmente, do céu, o roteiro acaba recorrendo sempre a soluções convenientes demais. Essa estratégia acaba tirando o peso dos eventos do filme uma vez que o público, após dois ou três momentos assim, não compra mais o senso de urgência ou perigo proposto.

O excesso atrapalha até os momentos em que não é empregado. O fato do roteiro ser previsível e suas viradas poderem ser antecipadas, os momentos em que não há solução acabam servindo apenas como impulsos para o herói. O público não cria uma empatia pela cena em si. O que acaba dando peso às mortes e aos desfechos é o desenvolvimento a longo prazo que foi trabalhado e a identificação com os atores por parte do público.

A direção competente e o bom uso da ação

Se não fosse a direção de Wes Ball, “Maze Runner: A Cura Mortal” acabaria sendo um completo desastre por conta do seu roteiro. No entanto, o diretor consegue contornar alguns dos problemas com bom uso da ação e da ambientação construída.

Com muito uso de efeitos práticos, a direção acerta na composição das cenas de ação do filme. Dylan O’Brien entrega uma boa atuação nesses momentos e empolga o público. A cena de abertura, em especial, consegue fazer bons usos dos efeitos para montar a perseguição e também utiliza de uma câmera aberta para explorar seu cenário. A escolha da direção por não apelar ao uso excessivo da computação é recompensada.

Além disso, é perceptível a preocupação na construção de mundo. Com muito uso de tomadas panorâmicas, o longa mostra uma preocupação estética em apresentar o mundo em que se passa. O filme nos entrega um retrato de mundo pós-apocalíptico convincente.

O uso de luz e sombra empregado e a maneira como a direção busca emular o labirinto do primeiro filme com cortes rápidos e transações constantes entre os núcleos, principalmente em cenas de perseguição, acrescentam mais tensão nas cenas. Apesar dos desfechos óbvios, a maneira como o visual é construído deixa o público com um mínimo de interesse por conta da empolgação gerada pela ação.

Conclusão

“Maze Runner: A Cura Mortal” é um filme muito prejudicado pelo seu roteiro. Apesar de termos atuações satisfatórias e personagens bem desenvolvidos, a maneira como a trama se desenvolve faz com que o público não crie a conexão esperada com a história.

Wes Ball acerta na sua criação de mundo e nas suas cenas de ação. O desfecho da trilogia acaba ficando muito aquém do que foi apresentado no primeiro Maze Runner, mas ainda assim deixa claro que o diretor se esforçou para entregar um filme satisfatório com o material que tinha.

 

 

 

 

 

 

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About Lucas Mizumoto

Professor de japonês, amante de cinema e telespectador de desenho japonês desde que se entende por gente .

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