Lady Bird – A Hora de Voar

Lady Bird Crítica

Greta Gerwig apresenta uma sincera história de amadurecimento  em “Lady Bird”

Um braço costuma ficar no máximo poucos meses engessado por uma fratura leve. É em uma passagem de tempo tão curta que vemos uma série de mudanças na vida de Christine “Lady Bird” McPherson (Saoirse Ronan). Em seu primeiro trabalho individual como diretora e roteirista, Greta Gerwig nos entrega um retrato sincero da transição da adolescência para a vida adulta em Lady Bird – A Hora de Voar.

A fluidez do enredo e o retrato fiel da adolescência

O filme acompanha o último ano de escola da sua protagonista. Lady Bird, como prefere ser chamada, é uma menina que tem problemas com a mãe e acredita que sair da sua cidade, Sacramento, na Califórnia, é a resposta para melhorar sua vida. Sempre criando muita expectativa em tudo, acompanhamos as frustrações da personagem em seus relacionamentos amorosos, busca pela faculdade e até nas relações de amizade. Situações simples, mas que se agravam pelo exagero adolescente da protagonista.

Embora seja uma história simples, o roteiro acerta em criar sua personagem de maneira muito real. Lady Bird tem problemas que qualquer espectador pode se identificar e os erros e hipérboles da adolescência são apresentados de maneira muito natural. No entanto, são os pequenos detalhes e as curvas de amadurecimento, e, principalmente, a relação entre Bird e sua mãe (Laurie Metcalf) que fazem o filme brilhar.

Com diálogos fortes e que passam para o público uma relação real, ainda que conturbada, de mãe e filha, a dupla de personagens brilha no longa. Trabalhando com uma espécie de ciclo onde começamos com uma aparente harmonia das duas na cena de abertura e o monólogo de Lady Bird no final, o filme trabalha com sensibilidade a relação maternal e as inseguranças femininas das personagens. A maneira como as duas discutem e voltam a se falar é um dos pontos mais altos do longa e onde o espectador percebe as nuances da fala e atuação de Ronan e Matcalf.

A influência da experiência pessoal de Gerwig no enredo

Todo o arco de amadurecimento e a maneira orgânica como a personagem se desenvolve é um grande mérito da diretora. Gerwig já disse abertamente que há influência de sua vida pessoal no roteiro e isso se torna evidente pela veracidade dos fatos apresentados em tela. Há claro o mérito das atuações, mas a maneira como a história simples e com foco em pessoas simples consegue trazer tantas camadas e permite que o público crie tanta afeição, principalmente pelas mulheres do filme, é uma maneira da diretora transmitir um pouco da sua vida em sua obra.

Além disso, o espectador consegue perceber a sutileza da direção nos detalhes da ambientação. Desde transições de tempo marcadas por movimentação de câmera até tomadas da cidade de Sacramento, vemos a preocupação do filme em resgatar a noção de lar. Inicialmente um local rejeitado pela adolescente, mas, ao perceber que a sua busca era pela sua própria identidade e não por novos ares, vemos que a cidade natal de Lady Bird passa a ter uma nova importância para a protagonista, que agora se reconhece como Christine.

Conclusão

“Lady Bird – A Hora de Voar” é uma bela história de amadurecimento e de relações interpessoais. Grewig consegue expressar com uma narrativa simples as inseguranças dos jovens e como perspectiva dos adolescentes pode ser caótica e exagerada.

A transição da jovem Lady Bird para a adulta Christine e sua relação com sua mãe servem como guia para o espectador e para indicar os principais temas do filme. Mas há muito o que ser dito e aprendido pelos erros e preocupações dessas duas mulheres geniosas.

 

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About Lucas Mizumoto

Professor de japonês, amante de cinema e telespectador de desenho japonês desde que se entende por gente .

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