“Kingsman: O Círculo Dourado” Bom filme mas não é melhor que o primeiro.

Porque toda sequencia, tem que aumentar a escala dos acontecimentos em relação ao filme original?

Kingsman: Serviço Secreto lançado em  2015 foi uma das maiores surpresas daquele ano. Então obviamente uma continuação seria encomendada. Dirigida por Matthew Vaughn (“Kick‑Ass ‑ Quebrando Tudo”) é responsável pelo roteiro e pela direção do primeiro e do segundo filme. A sequência traz tudo de volta. A organização dos eventos, um vilão estiloso, a perda de companheiros, uma luta no bar, tudo acaba sendo um repeteco do primeiro longa. O resultado, no entanto, não é melhor que o primeiro filme.

O primeiro filme teve um sucesso tao inesperado que deixou muitos com a expectativa de um segundo filme à altura. “Kingsman: O Círculo Dourado” não é tão bom quanto seu antecessor. Mas isso não quer dizer que ele seja ruim, na verdade é bom, mas não supera as expectativas, mas cria um desejo para ver o logo o terceiro filme dessa franquia.

Sendo uma continuação, muito é reaproveitado, a começar pelos personagens. Se no primeiro filme o arco dramático de Eggsy era referente à sua mãe, agora, é relativo à sua namorada. Se no primeiro filme era apresentada a kingman, nesse são os statesman a nova organização, e se tínhamos Valentine, para destruir o mundo, agora tempos a Poppy.

Não é esse, porém, o ponto forte do roteiro, focado na guerra às drogas. Evidentemente, não chega a ser um estudo aprofundado sobre o tema, mas, para um filme de ação, incluir, no texto uma discussão sobre as drogas, não apenas as ilícitas, mas também as licitas como o álcool que é uma grata surpresa. Tentar definir o usuário de uma como um criminoso e da outra com normalidade sem levar em conta que todas fazem mal. Para mim é um bom avanço e claro sem contar o retrato do Presidente dos EUA, fiel ao real e com as suas ações no filme sendo bem coerentes com a persona real que ele apresenta.

O roteiro também é inteligente na maneira como envia Eggsy e Merlin para o Kentucky: a conexão é genial, pois feita de maneira acertada, por um elemento inusitado. Em diversos momentos, o plot foge do previsível, isso é garantido. Outro ponto que tenho que destacar é a atriz Julianne Moore, pela sua vilã Poppy, eu gostei da motivação que é apresenta, nao como apenas uma traficante e sim como uma empresaria que quer melhorar o statos de sua mercadoria. Sua apresentação, ao estilo malvada diferentona, é uma obviamente uma imitação ao vilão do Samuel L. Jackson do primeiro filme.

Existe um esforço em apresentar todo um novo núcleo de personagens, os Statesman, a versão americana da organização de agentes secretos, mas nenhum deles consegue a conexão emocional que qualquer um dos Kingsman tinha.

A maioria deles é simplesmente apresentado e esquecido em seguida, não tendo tempo para se desenvolver.  Alguns dos grandes nomes do elenco que são apresentados pela Statesman têm participações curtas: Channing Tatum como Tequila e Halle Berry como Ginger, por exemplo, mal aparecem e deixam apenas um deslumbre de participação para um terceiro longa. Enquanto isso, Pedro Pascal como whiskey com o seu chicote e laço, tem uma participação  bem importante para o filme e inesperadamente Elton John, que inicialmente parecia que faria apenas como uma piada, ganha mais destaque que muitos outros atores.

Kingsman: O Círculo Dourado é divertido, com cenas de ação extremamente competentes, mas que tem um conteúdo muito raso e diluído quando tenta ser qualquer coisa além disso. Ele não chega a superar ao primeiro filme da franquia, então, se houver a intenção de fazer um terceiro longa, vai ser preciso muito mais do que repetir a fórmula e trazer de volta personagens que considerávamos que estivessem mortos para manter o interesse vivo.

Apesar de cansativo (duas horas e vinte de duração), “Kingsman: O Círculo Dourado” é criativo, divertido, empolgante e fiel às próprias premissas. Tão fiel que, se anunciarem uma continuação, a expectativa não será de uma obra-prima, mas de uma produção de bom nível.

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