Jumanji – Bem-Vindo à Selva

Jumanji - Bem-vindo à Selva Crítica

Jumanji – Bem-Vindo à Selva | Crítica

Com enredo descompromissado, Jumanji entrega um filme divertido e se torna uma grata surpresa

Retomada de grandes franquias vem sendo um marcado desta década no cinema na cultura pop. Se aproveitando do momento, o diretor Jake Kasdan nos apresenta Jumanji: Bem-Vindo à Selva, uma continuação do clássico dos anos 90 estrelado por Robin Williams.

O longa acompanha um grupo de adolescentes em detenção que, durante a atividade, acabam encontrando um video game com o jogo Jumanji. Após escolherem seus personagens, os jovens são transportados para dentro do jogo e precisam completa-lo para voltarem para sua realidade.

Mesma premissa, novo enfoque

É com essa premissa simples que Kasdan nos entrega uma aventura com um forte apelo para os jovens da nova geração. A escolha de uma ambientação em vídeo game adiciona elementos dessa mídia e faz constantes piadas com jogos. O esquema de fases, os NPC, as cutscene, e até mesmo um vilão exageradamente caricaturado ajudam na repaginada do jogo.

A maneira como a narrativa é conduzida acaba deixando de lado a pegada do filme de 90. Em “Bem-vindo a Selva”,  temos um filme de comédia com momentos de ação. O suspense e o senso de temor que o jogo passava no filme anterior é logo deixado de lado aqui e vemos os personagens, na medida que vão se relacionando, gostando do jogo. O esquema de vidas, único ponto que causa alguma tensão, é explorado de maneira bem pontual.

A escolha de elenco e a maneira como o mesmo é trabalhado ajuda na veia cômica. Enquanto os adolescentes são apresentados e unidos como uma espécie de “Clube dos Cinco”, com um primeiro ato que foca em apresentar cada um deles e como são tão distintos entre si, os seus avatares no jogo servem como uma maneira de quebrar seus estereótipos.

O carisma dos personagens como grande trunfo

O nerd vira o fortão (Dwayne Johnson), a patricinha vira o professor gordinho (Jack Black), a menina reclusa vira a moça sexy (Karen Gillan) e o jogador de futebol vira o baixinho pesquisador (Kevin Hart). O enredo explora as mudanças físicas dos personagens com boas piadas e o estranhamento dos adolescentes, agora adultos. Embora The Rock e Gillan em alguns momentos não convençam em estarem com a mente de dois nerds, algumas piadas pontuais da dupla e o entrosamento com o restante do elenco compensa.

Black e Hart são os grandes destaques na comédia do filme. Os dois atores, já conhecidos pela comédia, apostam muito no humor físico e servem de apoio para a outra dupla. Por estarem constantemente relembrando das suas diferenças com as “versões adolescentes”, a paródia dos dois ganha mais força.

A estrutura próxima de “Clube dos Cinco” se mantém quando os personagens estão no vídeo game e o enredo sabe utilizar bem do seu elenco para estreitar a relação dos protagonistas. O fato de termos um elenco muito carismático faz com que o público se importe pelos personagens e queira ver mais da relação entre eles. Dessa maneira, o clima leve do longa serve não apenas para o humor, mas também para apresentar um amadurecimento dos seus personagens.

Ação com bons momentos

Se The Rock e Gillan não acompanham a comédia, a dupla compensa na ação. Apesar do enredo claramente optar por deixar a ação em segundo plano, as cenas de luta e perseguição empolgam o público. A maneira como a história se desenvolve e a ambientação de vídeo game é estabelecida, consegue usar do humor para introduzi os “poderes” dos personagens e como eles lutam de maneira exagerada.

Vale destacar principalmente a personagem de Gillan, que empolga em suas cenas de luta. Por ser uma artista marcial dentro do jogo, cenas de combate são quase todas com ela. Com cenas bem coreografadas, a personagem entrega alguns dos melhores momentos do filme e se torna uma personagem cativante por unir bons momentos de luta e uma personalidade forte.

O esquecimento do senso de aventura

No entanto, o filme acaba pecando no seu senso de aventura na selva. Embora tenhamos muitas cenas de perseguição e a presença quase constante da selva no fundo, pouco é explorado da ambientação. Os animais que pouco aparecem, a presença constante de ameaças humanas e as transições muito rápidas entre ambientes acabam tirando muito do senso de aventura que havia no filme de 90.

Os personagens de Nick Jonas e Bobby Cannavale deveriam ser os guias na jornada, mas apenas o primeiro entrega um que de aventura. Interpretando um jogador que não consegue mais avançar no jogo, Jonas é responsável por referências sutis, mas interessantes do longa estrelado por Robin Williams e também por aprofundar um pouco a ambientação da floresta.

Já o personagem de Cannavale acaba sendo um vilão extremamente caricaturado e mal trabalhado. Sua suposta relação com os animais é pouco explorada e enfraquece o universo apresentado. O fato do personagem ter pouco tempo de tela faz com que o público não ligue para ele. A jornada do ponto A ao ponto B acaba sendo muito mais cativante e o confronto final com o vilão pouco importa.

Conclusão

Jumanji: Bem-Vindo à Selva é um filme que soube se aproveitar das mudanças de geração. Com um enredo que foca muito mais no humor e utiliza de uma ambientação que agrada os jovens, o filme acerta no fator diversão.

Com um elenco cativante, o filme utiliza bem da ironia e da quebra dos estereótipos. O filme acerta em não se levar a sério e só entregar uma história simples, mas empolgante. No entanto, o espectador saudosista do primeiro filme sentirá falta da aventura e talvez se frustre com o vilão.

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About Lucas Mizumoto

Professor de japonês, amante de cinema e telespectador de desenho japonês desde que se entende por gente .

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