Fullmetal Alchemist

A nova tentativa de live action original da Netflix, “Fullmetal Alchemist”, não foge dos erros mais comuns dos seus antecessores , Tenta simplificar o enredo mas oferece uma experiência medíocre e dispensável

Adaptações de mangás e animes são sempre uma tarefa complicada. E tentar condensar em 2 horas uma histórias que se desenrolam ao longo de diversos volumes,  muitas vezes resulta em varias perdas sobre o material original, como é o caso dos recentes Ghost in the Shell (2017) Death Note (2017).
Uma saída inteligente para a necessidade de resumir uma história complexa são adaptações que se desenrolam por mais de um filme. Foi dessa forma que surgiu um dos melhores live actions de todos os tempos: a trilogia Samurai X (2012-2014). A adaptação de Fullmetal Alchemistdistribuída pela Netflix, tenta seguir os mesmo caminho de Samurai X ao apresentar a história em vários filmes separados.( Bem se vai ter mais filmes, isso vai depender do publico).

Entretanto, a produção da Oxybot e com distribuição originalmente pela Warner Bros. Japão, estreou ainda em dezembro de 2017 no país natal da obra, antes de ir para o catálogo de serviço de streaming da Netflix. Dirigido por Fumihiko Sori (Appleseed), o live-action conta com Ryosuke Yamada (Assassination Classroom), Dean Fujioka (Dance! Dance! Dance!) e Tsubasa Honda (Fashion Story: Model).

Fumihiko Sori
Ryosuke Yamada
Dean Fujioka
Tsubasa Honda

 

 

 

 

 

A trama acompanha a jornada dos irmãos Elric em busca da pedra filosofal. A busca por essa matéria-prima enigmática tem como principal objetivo a reconstrução de seus corpos – ao realizar uma transmutação humana para trazer sua mãe de volta a vida, os irmãos são confrontados por uma força conhecida como A Verdade.

Espectadores familiarizados com a saga Fullmetal Alchemist terão uma percepção diferente daqueles que nunca tiveram nenhum contato com o material original. Quem já havia assistido ao anime ou lido o mangá sentirá falta de núcleos importantes como a Guerra de Ishval (aleatoriamente citada no filme) e a exploração do Quinto Laboratório; personagens como Scar, Major Armstrong e o próprio King Bradley acabam ficando de fora da história.

A ausência de núcleos e personagens fundamentais na saga Fullmetal Alchemist se deve principalmente à necessidade do roteiro de tornar os acontecimentos coesos e dinâmicos. A narrativa, portanto, é linear e focada nos acontecimentos estritamente ligados à busca dos irmãos Elric pela pedra filosofal. Conflitos complementares que têm importância crucial no anime e no mangá tornariam a trama ainda mais corrida, o que muito provavelmente resultaria em um filme sem profundidade como aconteceu com o lamentável Death Note (2017), também distribuído pela Netflix.

live action de Full Metal Alchemist opta por dar mais ênfase a núcleos específicos da saga, teoricamente uma ótima maneira de condensar a complexidade da história original em um filme que tenta ter apelo principalmente para o espectador não familiarizado com o anime. Isso porque os eventos que o filme se propõe a trabalhar são executados erroneamente pela direção de Fumihiko Sori; destaque para a passagem de Shou Tucker e sua filha Nina, que consegue ser tão sem sal e sem importância, que eu precisei dar uma olhada no original, para verificar a cagada que eles conseguiram fazer com esse núcleo.

Se os produtores, tivessem focado a historia desse filme totalmente na historia de Shou Tucker,

Essa maquiagem tá triste.

Apesar de ter seus apelos aos fãs e conhecedores da obra, Fullmetal Alchemist parece não estar certo sobre o que pretende fazer com esse serviço de fã e também não possui uma clareza em identificação com um novo público, apesar  da relação familiar dos irmãos e das suas motivações, o resto dos personagem são totalmente ignorados . Enquanto o design do filme representa bem as fontes originais, como as representações das cidades, as caracterizações físicas dos personagens deixa a desejar, por mais que a recriação da armadura de Alphonse seja mais precisa, ainda lhe falte uma sensação de autonomia, falta peso nas suas movimentações e por muitas vezes, eu percebia que ele era um grande bonecão de 3D . Já Edward está em uma performance genérica e banal, apresentando-se quase como um cosplayer de evento do que o próprio Edward, estando bem longe do temperamental mas determinado loirinho das obras originais. E os demais personagens, não conseguem serem desenvolvidos pelo roteiro, que mesmo tentando focar em uma historia linear, não consegue passar a importância dos personagens apresentados. Realmente achei que estava vendo um filme, feito por um grupo de cosplayers.

Grande grupo de cosplayers….

Não que o desserviço seja a principal consideração a ser feita se colocarmos o live-action em parâmetros comparativos com as mídias anteriores – mangá e anime -, mas é perceptível uma massificação de toda a história, uma reciclagem em termos narrativos quando são apresentados os pontos principais da alquimia e o quão ela é importante histórica e socialmente, pois apesar de ter quase uma percepção de culto, essa especificidade se perde quando o filme tenta dissecá-la, mais uma vez, em um ritmo e montagem desconexos e que não apresentam significados e simbologia. Cada elemento invocado pelos alquimistas e portadores da “ciência” representa, mesmo que levemente, considerações personificadas de seus portadores. A contextualização é falha, creditando-a um senso comum e de imediata identificação, sem dar um tempo hábil de fazê-la coerente principalmente a quem não conhecia a obra.

Concluindo. Full Metal Alchemist tenta seguir os passos  da trilogia Samurai X ao não apressar sua história e deixar pendente eventos apresentados no filme para uma provável continuação. Mas o trabalho acaba sendo tão porcamente, que mesmo os espectadores que não conhecem o material original, provavelmente vão achar a obra um grande atropelo, tanto em sua narrativa, quanto nos seus defeitos especiais.

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