Crítica: “Zodíaco – Convergência” é uma mistura de Jackie Chan com X-Men.

Quando Stan Lee está envolvido em uma obra, ela torna-se digna da minha atenção. Aliás, isso deveria ser uma regra básica do mundo nerd. Então quando me deparei com um charmoso livro vermelho com o nome desse homem na capa, precisei ver do que se tratava. A obra em questão era um livro: “Zodíaco: O Legado“. O primeiro título dessa trilogia assinada por Stan Lee, Stuart Moore e Andie Tong chama-se “Convergência” e é objeto dessa crítica. Esse livro é divertido, leve e perfeito para uma audiência mais jovem do que a minha.

“Zodíaco: O Legado – Convergência” chegou ao Brasil em 2017 pelas mãos da editora Novo Século. O livro é de autoria do mestre Stan Lee e Stuart Moore (autor do livro Guerra Civil). As ilustrações que enriquecem as páginas da obra são de Andie Tong. De cara adianto que a edição do livro é fantástica! Páginas coloridas, muitas ilustrações ao longo do texto, diagramação criativa e até um marcador de livro exclusivo. Esse trabalho cuidadoso faz do livro não apenas um veículo no qual a história é contada, mas sim um portal para a dimensão na qual a narrativa ocorre.

A capa brasileira do livro

 

Um time de jovens super-poderosos lutando contra o mal? Estou dentro.

História essa do livro que certamente se direciona a um público infanto-juvenil. O enredo gira em torno das energias místicas do Zodíaco chinês. Elas se ligam a hospedeiros humanos e lhes conferem habilidades especiais. Steven Lee, um garoto comum, de repente se vê ligado não apenas ao Zodíaco mas a uma verdadeira conspiração de proporções mundiais. Aí a aventura começa e o destino do planeta está em jogo em uma verdadeira guerra mística.

A obra é uma mistura divertida entre “X-Men” e “As Aventuras de Jackie Chan”. É impossível não olhar o Zodíaco chinês e os poderes místicos sem lembrar do desenho “protagonizado” pelo ator. Entretanto, os poderes especiais não estão em talismãs ou animais, mas sim em hospedeiros humanos. Então a coisa fica meio X-Men, pois vemos equipes “mutantes” sendo formadas com diferentes poderes.

Inclusive é nesse atributo – os poderes místicos – que é possível ver o dedo mágico de Stan Lee. Eles são muito divertidos! Cada signo confere habilidades diferentes aos seus hospedeiros. Além de ser divertido tentar adivinhar qual será o poder recebido, os usos das mesmas pelos personagens às vezes é surpreendente. Até mesmo as combinações entre elas é interessante: o que acontece quando um jovem invulnerável se alia a um outro com sentidos e força aguçadas? Só lendo para descobrir!

Stephen Lee, esse tigrão da p#$%!*@

 

A simplicidade que empobrece.

O problema do livro, a meu ver, é que a história que ele conta é simples demais. Como falei anteriormente, a obra é destinada a um público mais novo do que eu. Logo, eu me incomodo com aspectos que talvez essa audiência não ligue. Algo que me desagradou foi a quase nula construção psicológica dos personagens. Alguns simplesmente não tem motivações pessoais ou personalidade definidos. Inclusive algumas decisões tomadas ao decorrer da história por eles são até bizarras de tão sem sentido. Outro ponto negativo é a velocidade da narrativa: tudo acontece MUITO rápido. Os locais são descritos de maneira apressada, quase que por obrigação. Os diálogos são corridos demais para quem gosta de ver interações entre os personagens. As lutas são tão frequentes que o intervalo entre elas às vezes é de menos de 1 dia! Esse tipo de narrativa, a meu ver, cabe melhor em uma HQ do que em um livro.

Maxwell, o vilão da história. Apesar da pouca complexidade – homem é o estereótipo do antagonista mauzão – gostei do personagem.

 

Ilustrações muito bem-vindas.

 

As ilustrações são um ponto forte do livro. Além de muito bonitas, elas ajudam a ilustrar alguns momentos da narrativa que por vezes a descrição não esclarece muito bem. Gosto dessa proposta de livro, pois mistura a narrativa lenta e mais profunda do livro com o dinamismo e beleza das HQs. O único problema, a meu ver, é que algumas vezes as ilustrações de “Zodíaco” antecipam eventos do enredo. Isso ocorre pouquíssimas vezes no livro, mas não deixa de ser chato receber um enorme SPOILER do nada.

“Zodíaco: O Legado – Convergência” é um início promissor para uma história que não agrada muito a meu gosto, mas que deve ser devorada por um público mais novo. Se você é fã de Stan Lee, gosta do trabalho de Stuar Moore e admirou as ilustrações de Andie Tong, então comece agora essa leitura.

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About Lucas Bastos

Mestre em Comunicação, 7,8 na escala Nerd, fã obsessivo de FMA, Marvel fanboy e defensor da tese de que George Martin é melhor que Tolkien.

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