Crítica: “Tarkin” constrói um protagonista sólido, mas um enredo frágil.

Em “Tarkin”, James Luceno explora o passado do Grão-Moff, mas não desenvolve um enredo tão aprofundado ou interessante quanto.

Deve ser ótimo escrever para o universo expandido de Star Wars. São muitos os elementos da franquia ainda inexplorados. Planetas, espécies, até mesmo personagens coadjuvantes podem ser postos sobre uma nova ótica. No Peguemos os personagens, por exemplo: muitos ainda podem ter o seu passado, motivações ou seu papel nos eventos retratados nos filmes aprofundado em um livro. Em “Tarkin”, James Luceno aproveita para fazer esse movimento, nos trazendo uma releitura mais íntima do grão-moff. Infelizmente, o autor não repete o bom trabalho na trama do livro e nos entrega uma história rasa e sem grandes emoções.

“Tarkin” faz parte do novo cânone oficial de Star Wars. O livro foi lançado em 2014 e chegou ao Brasil pelas mãos competentes da editora Aleph. O autor, como já foi adiantado, é James Luceno, conhecido por seu trabalho em HQs dessa mesma franquia. A história gira em torno de Tarkin e sua escalada rumo ao posto de grão-moff do Império Intergaláctico. A trama intercala ação no momento presente e reflexões do soldado sobre o seu passado e os eventos que moldaram seu caráter.

A elegante capa do livro,

Tarkin e a Carniça.

James Luceno entrega de maneira competente o background do grão-moff. Durante a obra acompanhamos flash-backs de Tarkin em seu planeta natal, Eriadu. Um planeta posicionado na Orla Exterior da galáxia, frequentemente assolado por piratas e dotado de uma fauna recheada de predadores e criaturas brutais, Eriadu era um local perigoso até mesmo para os líderes do sistema. Tarkin viveu diversas provações, passando por rituais de sobrevivência na mata, além de ter de chefiar equipes de proteção ao próprio planeta.

Além das aventuras vividas em seu planeta natal, Tarkin também participou ativamente das Guerras Clônicas como soldado e também se lançou nos jogos políticos durante a queda da República. Esses acontecimentos são visto pela perspectiva de Tarkin, e quando o autor apresenta sua participação nos eventos, ele ajuda a construir um personagem muito mais complexo do que poderíamos ter imaginado quando o vimos apenas chefiando a Estrela da Morte nos filmes.

O enredo não mantém o nível.

Se os flashbacks e reflexões de Tarkin são interessante, infelizmente o enredo da trama não mantém o nível. A trama se desenrola no período de construção da primeira Estrela da Morte. O Império Intergaláctico já se consolidou mas ainda enfrenta pequenas rebeliões. Quando um grupo desconhecido começa a usar tecnologia antiga para manipular a HoloNet (a internet de Star Wars) e ameaça a integridade do Império, cabe a Tarkin e Darth Vader investigarem a célula rebelde. O problema é que essa missão não se mostra empolgante em nenhum momento.

Tarkin e Vader são uma dupla bacana de se acompanhar, mas ficam rodeados por personagens coadjuvantes sem relevância alguma. Tanto os rebeldes quanto os oficiais militares retratados na trama não tem importância. Seu passado ou motivações não são explorados suficientemente. O leitor não consegue se aproximar deles. A perseguição aos inimigos do Império torna-se chata pela falta de complexidade dos coadjuvantes e também pela ação repetitiva presente no desenvolvimento do roteiro. Todas as sequências envolvem tiroteiros entre naves no espaço: claro que Star Wars tem de ter isso, mas onde está a ação com sabre de luz? Ou os confrontos entre Stormtroopers e rebeldes? Certamente não estão aqui.

 

A escrita que afasta.

Infelizmente não me adaptei ao estilo de escrita de James Luceno. Por diversos momentos o autor decide descrever, em minucias, o funcionamento de aparelhos e naves do universo de Star Wars. Esse recurso não me agrada pois acho que quebra a narrativa. Seria mais interessante, a meu ver, gastar esse “tempo” apresentando melhor os personagens do que se estendendo sobre as funcionalidades de aparelhos ficcionais. Luceno também se utiliza de parágrafos enormes, o que me incomoda. Frequentemente me perdia no conteúdo da frase pois o autor estendia-se acrescentando muitas informações no mesmo período.

Um outro ponto que considero um demérito do livro é sua dependência de outras obras. Um novo leitor do universo de Star Wars terá dificuldade de acompanhar a história: são muitas às referências episódios ocorridos durante as Guerras Clônicas, por exemplo. Caso você não tenha visto TODOS os filmes, acompanhado as Guerras Clônicas e ainda por cima ter lido algumas HQs, alguns pontos da história irão lhe escapar. Ainda que muitos leitores gostem de ser premiados por reconhecerem as referências, novos leitores ficarão perdidos.

Conclusão

“Tarkin” apresenta uma releitura bem-vinda para o grão-moff mais querido do Império. Quando o livro volta sua narrativa para o passado do personagem ou para suas motivações pessoais, a obra cresce. Nos outros momentos, infelizmente, James Luceno nos entrega um enredo fraco, lotado de personagens coadjuvantes desinteressantes e que não empolga.

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Lucas Bastos

Mestre em Comunicação, 7,8 na escala Nerd, fã obsessivo de FMA, Marvel fanboy e defensor da tese de que George Martin é melhor que Tolkien.

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