Crítica: Stranger Things 2

Dentre todas as ótimas séries da Netflix, Stranger Things foi o sucesso mais inesperado que o serviço de streaming teve no ano passado. Antes do lançamento, ninguém dava nada pela nova produção, era apenas o novo seriado estrelado pela Winona Ryder. Mas depois do lançamento, não havia uma só pessoa que pelo menos não tivesse ouvido falar da série. E as que viam, geralmente não podiam se aguentar sem falar nas redes sociais. Assim sendo, Stranger Things se tornou a nova queridinha dos espectadores e da critica.

Mas e quando o fator surpresa acaba, será que a nova temporada mantem o nível da primeira?

A segunda temporada é uma sequência direta aos acontecimentos da primeira temporada, avançando a historia para um ano após os acontecimentos do Demogorgon e do desaparecimento do Will.  A primeira temporada deixou inúmeros questionamentos ao final, principalmente no que diz respeito a Eleven, que, aparentemente, morreu no final da temporada. Temos também o caso de Will, que, após ser resgatado do Mundo Invertido, parecia normal, mas, nos momentos finais da temporada, podemos ver o garoto vomitando uma criatura estranha e tendo uma breve visão do Mundo Invertido.

Nessa segunda temporada, os primeiros episódios, nos explicam o que aconteceu com a Eleven e  focam em mostrar a situação do Will, desde o bully que ele sofre na escola até os problemas de saúde que ele tem por causa do mundo invertido, e claro estabelecem a ameaça (o Monstro das Sombras). A metade da temporada mostra as suas complicações, principalmente no episodio solo da Eleven e os dois últimos capítulos trabalham em torno da resolução.

Falando sobre os personagens, alguns merecem um belo destaque. O primeiro deles é Steve, que na primeira temporada parecia ser apenas um estereotipado valentão escolar dos anos 80. E, desta vez, passou por uma merecida redenção, principalmente ao desenvolver uma relação de amizade com Dustin ao longo da temporada. O segundo definitivamente é Hopper, que nesta temporada carrega o cargo de personagem principal. O policial desempenhou um excelente papel como figura paterna para Eleven e uma força a ser respeitada no enredo.

Novas adições, como os irmãos Max e Billy, encontram espaço para crescer em um arco criado para traçar um paralelo entre ameaças fantásticas de outras dimensões e o terror mundano, com efeitos igualmente devastadores em escalas diferentes. Bob Newby, o namorado da Joyce, completa a trama, sendo usado tanto com uma peça para colocar a narrativa em movimento,  ao resolver alguns dos enigmas da temporada, e claro como uma figura emocional. Murray Bauman, o louco da teoria da conspiração, é outro usado com propósitos claros, mantendo o clima de paranoia da guerra fria. E de quebra, Murray apresenta uma solução para o relacionamento entre Jonathan e Nancy.

Pontas soltas

As pontas soltas ficam com o laboratório de Hawkins. Dr. Owens é inexplicavelmente bonzinho, destoando totalmente do antigo Dr. Martin Brenner. Seu papel é limpar a bagunça deixada pelo vilão, mas os personagens que aparecem observando as consultas dele com o Will, deixam muitas perguntas para a próxima temporada sobre o experimentos do Departamento. O mesmo vale para as revelações sobre o passado de Eleven. Seu episódio solo – “A Irmã Perdida” -, que apresenta a sua irma Kali, inicia a sua autodescoberta, o seu amadurecimento, mas deixa novas evidências e velhos fantasmas para um outro momento.

Já que falamos de Kali, vamos falar de uma das poucas coisas que realmente me incomodou nesta temporada: A trama de Eleven.

Eu entendo que a Eleven precisava crescer como personagem e entender o que ela é em toda essa historia e que não se apoiasse apenas no seu grupo de amigos. Mas o que me pareceu é que afastaram a menina da trama principal, apenas porque tê-la por perto resolveria as coisas de um jeito fácil demais. Ela voltou à trama principal para resolver o problema e ponto.

Esse distanciamento da personagem  acarretou em um episodio solo totalmente fora da curva dos outros episódios da temporada. Na verdade, todas as cenas dela com a mãe e a tia, são muito boas e explicam tudo o que tinha ficado de aberto na primeira temporada, mas o episodio dela com a Kali só apresentou uma trama de vingança que possivelmente só vai ser resolvida nas futuras temporadas e a desculpa que estão usando, que ela ficou mais forte depois do treinamento com a irmã, para mim poderia ter sido com qualquer outra pessoa ou qualquer outro lugar.

Fora isso, a temporada traz uma trama mais apocalíptica. Porém, respeitando todos os elementos que fizeram da primeira temporada um sucesso tão grande. Temos, em vez de um monstro perseguindo os personagens nas sombras, praticamente uma invasão do Mundo Invertido. Há um exército de demo-dogs orquestrado por um ser ciente apelidado de Mind Flayer, o que traz uma ameaça muito maior (começando pelo tamanho do bicho), mas tenho que dizer que fiquei até o final do ultimo episodio, esperando que algum demo-dogs evoluísse para um Demogorgon.

Conclusão

Stranger Things 2 consegue manter o nível da primeira temporada e elevar as expectativas para a próxima, apesar de trazer menos ação e mais diálogos. São 9 episódios que você consegue maratonar em um dia. No fim, a falta do fator surpresa, misturada com essa alta expectativa do público agora, jogou uma luz em cima de algumas falhas que a primeira temporada pode ter cometido e que se repetem na segunda. Mas isso ainda não é o suficiente para tirar o brilhantismo da série, tampouco da temporada, que traz todos elementos que nos fizeram amar Stranger Things, mais uma vez para nossas telas.

Facebook Comments

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *