Crítica: Star Wars O Herdeiro do Jedi

“Luke Skywalker, finalmente eu gosto de você”

Recentemente comecei a me aventurar pelo universo expandido de Star Wars e escolhi os livros como ponto inicial dessa missão. Depois de ter lido “Kenobi” e “Troopers da Morte” – a crítica sobre Kenobi, inclusive, você encontra nesse maravilhoso site através desse link aqui: http://drophour.com.br/2016/01/16/review-kenobi/ – decidi que sei lá, só pra variar um pouco, leria algum título que realmente estivesse no canon oficial. Depois de uma rápida pesquisa pelas sinopses dos livros disponíveis no Brasil que atendessem a essa condição, optei por Star Wars O Herdeiro do Jedi como minha próxima leitura. Confesso que eu mesmo me surpreendi com essa escolha, porque o protagonista do livro era nada mais nada menos que Luke Skywalker, um dos personagens dos quais menos gostei em todos os filmes.

Antes de explicar os motivos por trás da minha implicância com Luke, cabe deixar alguns registros básicos sobre a obra. O livro foi publicado originalmente em 2015 mas chegou ao Brasil apenas em 2016, pelas mãos da editora Aleph. O autor é o estadunidense Kevin Hearne, autor da série The Iron Druid Chronicles. No fim do texto vai ter um link bacana para caso você tenha interesse em comprar o “Herdeiro do Jedi” – e se eu tiver conseguido passar com o meu texto tudo que senti ao ler, acho que você se sentirá motivado a comprar.

Star Wars O Herdeiro do Jedi Livro Capa

A belíssima capa do livro. Olha esses tons púrpura, olha esse Luke e essa Nakari badass… comprava só pela capa. 

O “Herdeiro do Jedi” se passa entre os episódios IV e V, preenchendo algumas lacunas deixadas pelos filmes e ao mesmo tempo nos oferecendo uma excelente aventura interestelar completa. Após a destruição da Estrela da Morte, Luke Skywalker foi condecorado um dos heróis da missão e por isso o jovem aprendiz de Jedi começa a ser respeitado em meio aos operativos rebeldes – e claro, isso também o faz mais visado pelas frotas imperiais. Entretanto, mesmo que Luke tenha um talento para utilizar a força e seja um excelente piloto, ele ainda é inexperiente em diversos outras áreas extremamente necessárias para a aliança rebelde, tais como espionagem, missões de resgate… E é exatamente sobre esse processo de aprendizado que o livro trata, mas sem nunca perder o dinamismo.

O enredo principal da obra gira em torno de uma missão confiada a Luke, seu fiel escudeiro R2-D2 e a recruta da aliança rebelde, Nakari Kelen – voltarei a ela em breve e com muitos elogios. Eles são enviados para resgatar e trazer em segurança uma criptografa talentosa, Drusil Bephorin, considerada como uma possível peça-chave para os planos da aliança rebelde. Obviamente a coisa não se desenrola de maneira fácil e todos os personagens tem que usar o máximo de suas capacidades para poder concluírem a missão.

“Drusil Bephorin vestia uma longa e fluida túnica verde que caía abaixo dos joelhos e um cinto marrom. Não dava para saber se ela estava bem de saúde ou não. Aos olhos humanos, os Givins eram um pouco parecidos com esqueletos tristes, com cabeças lembrando crânios nus e sobrancelhas inclinadas que se uniam ao meio, dando-lhes a aparência de luto perpétuo ou talvez consternação por descobrir algo peludo rastejando em sua comida (…) Isso me deixava sem expressão para avaliar; eles não tinham olhos visíveis e sua boca bastante inflexível era pobre em expressões. Eu só saberia como ela estaria se sentindo se ela me contasse, e, até onde eu sabia, ela me contaria por meio de cálculos”

(Star Wars: O Herdeiro do Jedi – p. 144)

Esse foi um dos motivos pelos quais eu mais gostei desse livro: cada personagem tem um motivo para estar ali – todos tem uma história que justificam sua afiliação à Aliança Rebelde -, todos tem qualidades únicas que os qualificam para exercer a sua função e, cada um a sua maneira, roubam a cena no livro nos momentos certos. Nakari Kelen é uma destemida guerreira e excelente atiradora. Além disso, ela exala confiança, motivando os companheiros e dando até mesmo ao leitor a impressão de que vai dar tudo certo. O pequeno affair entre ela e Luke também ajudam a dar simpatia à personagem. R2-D2, como sempre, ajuda todo mundo a sair vivo das confusões não só com seus talentos de navegador e hacker, mas também com seus ocasionais e providenciais disparos atordoantes. A criptografa Drusil também faz a sua parte, decifrando não apenas mensagens trocadas entre as tropas imperiais, mas até mesmo a movimentação de naves e operativos inimigos durante as batalhas.

Porém, quem realmente chama para a si a responsabilidade de estrelar o livro e excede as expectativas é Luke Skywalker. E agora podemos voltar ao tópico “porque eu nunca gostei do Luke”. De todos os protagonistas dos filmes já lançados, sempre achei ele o mais sem graça. Luke sempre me pareceu o garoto que recebeu um sabre de luz, um treinamento relâmpago de como ser Jedi e PUFT, tornou-se a nova esperança da galáxia. Não digo que o roteiro em cima dele seja forçado – até porque se formos enveredar por esse caminho vamos escrever uns 57 textos só dissecando o roteiro dos filmes – é só que ele nunca me pareceu ser tão foda quanto Anakin, por exemplo. Tenho alguma base no que estou falando ou é só implicância? Provavelmente a segunda opção. Mas o importante é: nunca fui com a cara dele e, depois desse livro, revi meus conceitos.

Fui obrigado a mudar minha opinião porque nesse livro, inteiramente narrado pela perspectiva do personagem – algo inédito até então dentro do universo de Star Wars, pelo que eu pesquisei – Luke Skywalker é versátil tanto nas batalhas quanto em sua interação com os outros personagens. Nos combates, Luke não apela sempre para a Força – até porque nesse momento de sua vida ele é um mero aprendiz e não consegue fazer mais do que sentir a presença das pessoas e mover garfos – mas também utiliza sua lendária habilidade de piloto, improvisa algumas soluções utilizando elementos do ambiente, ocasionalmente saca o sabre de luz para desferir um golpe ou outro… É bom ver um Jedi fazendo mais do que arremessar pessoas ou cortar braços.

“Fechei os olhos e deixei minha consciência se expandir, e a Força assumiu uma presença mais intensa, como se agora me desse toda a sua atenção. Era provavelmente o oposto: minha total atenção recaía sobre a força. Ela cresceu e eu a persuadi a levantar o garfo do prato, não uma tremida ou um salto, mas uma leve e contínua levitação, cheia de macarrões que pingavam ruidosamente enquanto abandonavam a poça de fluidos na tigela, impregnada de alho e amendoim”

(Star Wars: O Herdeiro do Jedi – p. 250)

Nos diálogos com as outras personagens, Luke mostra várias facetas suas. Com R2-D2 ele é misto entre mestre e amigo, que dá as ordens mas também fica feliz quando vê que seu querido droide está bem. Com Drusil ele se comporta como um perfeito membro da aliança rebelde, traçando planos de fuga e pedindo seus conselhos sobre táticas de batalha. Em Nakari o jovem Jedi vê uma perfeita companheira de aventuras, pela qual ele nutre uma grande admiração, respeito e uma certa atração. É nas cenas com ela que vemos um Luke mais humilde, compartilhando seus receios, dúvidas, mas ao mesmo tempo se esforçando ao máximo para cumprir sua missão.

“Nakari: Você não é o que eu esperava, sabe (…) Isso é uma coisa boa.
Luke: você tinha uma imagem mental de mim antes de nos conhecermos?
Nakari: Ué, claro! Você ouve falar de alguém que explodiu a Estrela da Morte, alguém pintado como um herói da aliança, e você pensa: ‘esse menino deve ser tão cheio de si que já deve ter seu próprio campo de gravidade a essa altura’. Ou você acha que alguém assim só pensa em dever e justiça e usa a roupa de baixo apertada demais. Nenhum senso de humor, sabe? Porque quando eles promovem alguém a herói, não estão promovendo a pessoa real: você vira esse ideal de fanatismo político. 

(Star Wars: O Herdeiro do Jedi – p. 234-235)

 

O que faz “O Herdeiro de Jedi” um livro tão bacana é justamente essa multiplicidade de experiências trazidas pelo roteiro. Tem batalha especial, tem espionagem, tem crises existenciais, tem reflexões sobre os Jedi e a Força, tem um pouquinho de romance, tem alívio cômico… e tudo isso sem inconvenientes como um personagem irritante, tipo Jar Jar Binks, para estragar tudo. Recomendo demais a leitura tanto para fãs dos filmes quanto para iniciantes nessa saga.

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Star Wars O Herdeiro do Jedi Crítica Nota

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Lucas Bastos

Mestre em Comunicação, 7,8 na escala Nerd, fã obsessivo de FMA, Marvel fanboy e defensor da tese de que George Martin é melhor que Tolkien.

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