Crítica: Punho de Ferro (Netflix)

Punho de Ferro, ultimo herói das séries da Netflix chegou até nós. Com a responsabilidade de encaixar o mundo místico dentro da equipe dos Defensores, muitos fãs criaram uma expectativa alta em relação a série.

Desde sua premissa e inspiração original, o alter ego de Danny Rand (Finn Jones) seria uma referência ao mundo místico da Casa das Ideias e também uma referência nas lutas.  O protetor de K’un-Lun e inimigo do Tentáculo seria a liga que faltava para nos explicar o possível inimigo que juntará Demolidor, Luke Cage, Jessica Jones e o próprio Punho de Ferro. No entanto, a série falta em misticismo e em novas explicações para além do que vimos na segunda temporada de Demolidor.

Punho de Ferro segue a formula apresentada até então nas séries do serviço de streaming em parceria com a Marvel, uma pegada mais realista, urbana e com foco no desenvolvimento de um protagonista ainda se descobrindo herói e, no caso de Rand, superpoderoso.

Rand é um jovem que sobreviveu a um acidente de avião e foi resgatado por monges que o treinaram para se tornar uma Arma Viva, o Punho de Ferro. No entanto, pouco acompanhamos dessa jornada e menos ainda da real importância desse título. O foco da série está nos dilemas de Danny sobre o seu desejo de vingança pela morte dos dos seus pais e da sua tentativa de ingressar na empresa dos mesmos e, consequentemente, restaurar seus laços de amizade com os Meachum, atuais donos das Industrias Rand e amigos de infância do protagonista. Uma premissa necessária, mas que não deveria ser utilizada durante toda a série.

O foco no lado urbano do personagem acaba desperdiçando o real brilho do mesmo, a sua liberdade para o exagero. Punho de Ferro é um personagem que luta contra um dragão, vive em uma cidade que só aparece na Terra de tempos em tempos e que teve um treinamento milenar. Todos esses elementos de background do personagem possibilitariam trazer ao universo dos heróis urbanos algo a mais, algo de fato poderoso, seja na sua capacidade de luta ou na sua gama de vilões. No entanto, o que temos são cenas de ação que muito se assemelham ao que vimos em Demolidor e uma falta de vilão central.

Embora tenham cenas interessantes de kung fu, no geral não vemos nada muito bem coreografado e nada que justifique ou diferencie o suposto mestre em artes marciais de Matt Murdock. Danny Rand parece muito mais um vigilante que aprendeu a lutar em Nova York do que alguém com um treinamento árduo e o fato do personagem pouco usar do seu punho de ferro só aumenta essa sensação. Por mais que fique claro a intenção do roteiro em apresentar um herói incompleto, talvez nos tenha sido entregue algo incompleto até demais.

Aliado ao seu estilo de luta genérico, os seus vilões acabam indo para o mesmo caminho. Gao, Bakuto e Ward Meachum em momento algum parecem alimentar a relação de rivalidade que Danny cria com os mesmos. O que vemos é uma série de personagens que, por conflitos de interesse ou por serem instigados pelo herói, acabam brigando com o Punho de Ferro em algum momento. O próprio Tentáculo, ainda que seja uma entidade sem um “rosto”, e que deveria ser o vilão principal, não parece se importar de fato com o herói e muito menos com os seus propósitos (vingança dos pais ou a proteção de K’un-Lun).

No entanto, se o que alimentava expectativas acaba decepcionando, é nos elementos menos prováveis que a série brilha. Punho de Ferro nos entrega relações entre personagens interessantes e, salve alguns deslizes no roteiro como o desfecho da personagem Joy Meachum (Jessica Stroup), temos bons desenvolvimentos de personagem. A série ganha pontos com as cenas do cotidiano e com a inocência de Danny, elemento que talvez seja o único que o diferencie dos demais heróis que vimos até então na Netflix. Nesse sentido, Punho de Ferro acaba se assemelhando com a série do canal CW, Arrow, mas com uma execução muito melhor e com personagens muito mais tridimensionais e melhor resolvidos.

Punho de Ferro é uma série com mais erros do que acertos. Seja pela alta expectativa depositada ou pelo foco não esperado, fato é que a saga de Danny Rand não convence. Apesar de apresentar bons personagens, a falta de boas lutas e de um aprofundamento na mitologia do personagem acabam deixando a montagem final sem identidade e com uma sensação de deja vù para aqueles que já viram Demolidor.

Punho de Ferro Netflix Crítica Nota

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Mizumoto

Estudante de letras: português-japonês, amante de cinema e telespectador de desenho japonês desde que se entende por gente.

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