Crítica: “King” não reinventa a roda, mas é um ótimo filme de ação.

“King” oferece uma clássica história de vingança, com um protagonista resoluto, muita violência e tristes desfechos.

Algumas fórmulas de sucesso nunca são superadas completamente. Você provavelmente já assistiu a algum filme de ação no qual um protagonista decide ir contra tudo e contra todos em busca de vingança. Algum familiar, conhecido ou amigo foi morto e agora ele fará justiça com as próprias mãos. Uns 500 filmes devem ter sido escritos a partir dessa mesma ideia. Mas será que alguns filmes realmente precisam ir além dessa proposta? “King” mostra que às vezes até o mais do mesmo pode ser uma boa pedida se você adicionar bons atores, uma história convincente e uma boa direção.

“King: uma história de vingança” (no original “Message from the King“) é uma produção original da Netflix. O filme tem direção do belga Fabrice Du Welz e roteiro de Stephen Cornwell e Oliver Butcher. O elenco conta com alguns atores bem conhecidos no mundo nerd. O protagonista, Jacob King, é interpretado por Chadwick Boseman (o Pantera Negra, também um “rei”, a propósito). Quem dá vida ao antagonista principal, Paul Wenworth, é Luke Evans (Bard, em O Hobbit e Gastón, na versão mais recente de A Bela e a Fera). Tom Felton, o eterno Draco Malfoy e Alfred Molina, o clássico Dr. Octopus da primeira trilogia do Homem-Aranha também estão no filme.

O filme conta a história de Jacob King, um homem misterioso da África do Sul que chega aos Estados Unidos com uma missão: encontrar sua irmã, Bianca. Logo no início do longa ele percebe que sua irmã não levava uma vida exatamente tranquila na California. Depois de conhecer os tipos de pessoas com os quais ela se envolvia e de perceber qual foi destino de sua irmã, King inicia sua busca por vingança.

Um homem e uma missão
Não faça mal à família desse homem. Não é uma boa ideia

Chadwick Boseman oferece ao espectador um protagonista que leva boa parte do filme nas costas. King é o típico personagem sério, calado, resoluto e obcecado por sua missão. Raros são os diálogos extensos do personagem, ainda mais raros os sorrisos. King prefere deixar sua determinação falar por ele – e às vezes seus punhos também.

O personagem é envolto por uma aura misteriosa que aos poucos vai se dissolvendo durante a trama. Ao invés do filme explicar a sua história, ele prefere deixar o espectador ir fazendo conjecturas sobre o seu passado e motivações. O mesmo acontece com Bianca, irmã de King. Relatos opostos são feito sobre sua personalidade e história, dificultando a quem assiste montar o quebra-cabeça de quem exatamente ela era.

Uma trama simples e mediana
Por sorte, esses bandidos todos não costumam ter armas.

O filme aposta em uma fórmula de sucesso nos filmes de ação: um homem em busca de vingança. O enredo não avança além disso, colocando King contra todos aqueles que de alguma forma prejudicaram sua irmã. Existe uma série de antagonistas com uma diversidade grande de delitos e depravações cometidas com Bianca, mas no geral, tudo se resume em King buscando ferir e matar todos eles.

Não tenho problema com uma aposta em um enredo simples – nem todo longa precisa ter a narrativa mais complexa e criativa do mundo. O problema é que o roteiro apresenta alguns furos que prejudicam o que poderia ter sido uma execução perfeita dessa construção de história. Em alguns momentos o protagonista parecer ser um pouco onisciente, antecipando relações ou movimentos de seus adversários. Os criminosos que King encontra pelo caminho parecem fracos demais: muitos deles inclusive andam desarmados, o que diminui a sensação de perigo. Além disso, a trama envolvendo o enteado de Bianca, Armand, não é construída tão bem quanto se esperava.

O elenco que dá brilho
Luke Evans é Paul Wentworth: simpático dentista e inescrupuloso chantagista.

Felizmente, embora o enredo simples seja atrapalhado por esses furos, ele é abrilhantado pelo elenco do longa. Além da feliz escolha por Chadwick Boseman para ser o protagonista, outros atores sobem o nível do filme. Luke Evans interpreta muito bem o típico vilão bem apessoado, educado, mas inescrupuloso. Tom Felton, ainda que tenha uma participação muito pequena no filme, interpreta bem o papel de traficante covarde. Alfred Molina convence como diretor de moral questionável. Teresa Palmer também atua muito bem no papel de Kelly, mãe solteira e única amiga de King. Essas escolhas bem acertadas de atores ajudam o longa a tornar-se melhor do que o próprio roteiro seria capaz.

Conclusão

“King” não é um filme único. O longa não reinventa a roda, mas aposta em uma velha fórmula dos filmes de ação e a executa muito bem. Um bom elenco ajuda a encobrir alguns furos de um roteiro bastante simples, mas que em nenhum momento decepciona o espectador. King é uma ótima pedida para quem quer acompanhar uma rápida história sobre vingança.

Curta a nossa fanpage! https://www.facebook.com/realdrophour/

 

Facebook Comments

Lucas Bastos

Mestre em Comunicação, 7,8 na escala Nerd, fã obsessivo de FMA, Marvel fanboy e defensor da tese de que George Martin é melhor que Tolkien.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *