Crítica: Homem-Aranha: De Volta ao Lar é inserção perfeita do Homem-Aranha no Universo Marvel, mas não do Peter Parker

Com um título mais que apropriado, Homem-Aranha: De Volta ao Lar representa um dos maiores desejos dos fãs da Casa das Ideias, ter um dos seus heróis mais icônicos e querido inserido no MCU. SonyDisney trabalhando juntas para inserir Peter Parker no universo dos Vingadores no cinema é uma tentativa válida de apresentar, pela terceira vez, um personagem que, em cada uma delas, é explorado de maneira diferente, mas sempre bem vinda.

Após os acontecimentos de “Capitão América: Guerra Civil”, vemos um Peter Parker (Tom Holland) inquieto, querendo reconhecimento do seu mentor Tony Stark (Robert Downey Jr.) e ansioso para combater o mal. No entanto, as coisas não ocorrem como o personagem planejava e toda uma discussão sobre o papel do herói inexperiente é colocada em questão quando Peter tenta impedir os planos do Abutre (Michael Keaton) de contrabandear armas criadas a partir de material alienígena. Com essa premissa simples, mas eficiente, o longa busca iniciar a jornada do herói sem precisar recorrer as origens (vistas duas vezes no cinema) do personagem e buscando se aproveitar mais da sua narrativa para explicar os fatos do que da história prévia dos personagens e insere o MCU de maneira orgânica com a questão do material alienígena. Uma escolha acertada no ponto de vista de roteiro, mas que deixa um gosto amargo na boca dos fãs que esperam uma maior aproximação com os quadrinhos.

Embora a caracterização física do personagem seja perfeita, a essência do mesmo não está presente e pode fazer o público questionar se faltou coragem da Marvel para colocar Tom Holland como Miles Morales em vez de Peter Parker. Desde a presença de Ned Leeds (Jacob Batalon) até a escolha de um cenário colegial, todas as escolhas de adaptação se assemelham muito mais ao cabeça de teia latino do Universo Ultimate do que ao clássico. Mas mesmo essa falha não é suficiente para acabar o longa, pois escolha e interpretação dos atores, a construção dos personagens (para o que é proposto no longa), o desenvolvimento e as referências à cultura pop (que passam dos filmes anteriores até a concorrente DC) são, de maneira geral, bem pensadas e executadas em Homem-Aranha: De volta ao Lar.

A aposta do roteiro em focar na dualidade da vida colegial e heroica do protagonista acaba dando um ritmo leve ao longa que sabe equilibrar a parte cômica e o drama do protagonista e do vilão que acabam tendo jornadas opostas e forçadas pela Batalha de Nova York no primeiro longa dos Vingadores. Enquanto o personagem de Michael Keaton se vê forçado a ir pro mundo do crime para sustentar sua família, Parker é uma criança que se encantou com os heróis e agora com poderes sonha ser relevante para a sociedade como os seus ídolos, efeitos diferentes que são confrontados nos dois últimos atos do filme quando o diálogo sobre “até onde os Vingadores se importam com as áreas mais marginalizadas da cidade” surge.  Já a faceta colegial serve para o público se aproximar do personagem e trabalhar melhor a personalidade do mesmo que, na medida que o roteiro se desenvolve, vai amadurecendo e fica nítida a transição de menino para homem na vida do protagonista.

No entanto, o roteiro falha na maneira como o Homem-Aranha se estreita na sua relação com Homem de Ferro. Apesar do papel de “mentor” de Tony Stark ser necessário e já introduzido em Guerra Civil, esse papel acaba se estendendo demais e elementos chaves para a construção do personagem Peter Parker parecem ser jogados fora em prol de uma maior relevância do personagem de Robert Downey Jr. A relação de Peter com a família, em especial seus tios, é algo atrelado na sua construção de caráter, mas em Homem-Aranha: De Volta ao Lar isso é deixado de lado e seu clássico embate moral de “com grandes poderes vem grandes responsabilidades” fica totalmente a cargo da sua relação com Stark.

No que diz respeito a ação, o filme acerta no seu ritmo, mas falha nas batalhas. A ação é sustentada pelos feitos do herói e não por lutas do mesmo contra os bandidos. Uma escolha que pode incomodar alguns espectadores, mas que, aliada às diversas referências contidas no filme, ainda conseguem empolgar aqueles que não esperam só pancadaria. Outro fato que contribui para ação do filme são seus efeitos especiais que não fogem do que já vimos nos outros longas da Marvel Disney e que parecem melhorar a cada filme.

Apesar dos problemas envolvendo as adaptações dos personagens, Homem-Aranha: De Volta ao Lar é um filme muito bem executado e que diverte. Com personagens carismáticos, roteiro bem estruturado e uma direção acertada, o longa é a confirmação que Marvel precisava para encaixar o cabeça de teia no seu universo. Só fica a dúvida se escolheram o cabeça de teia certo para isso.

Homem-Aranha: De Volta ao Lar Crítica Nota

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Mizumoto

Estudante de letras: português-japonês, amante de cinema e telespectador de desenho japonês desde que se entende por gente.

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