Crítica: “Deadpool – Dog Park” é uma grande comédia do universo Marvel.

Muito engraçado, mas pouco além disso.

Deadpool está na moda. Desde o lançamento do seu filme solo – cuja review você encontra aqui na Drop Hour – surgiram legiões de fãs do mercenário tagarela. Aproveitando esse movimento as editoras de quadrinhos lotam as bancas com quadrinhos do personagem, estratégia que já vimos ser adotada em quase todos os lançamentos de filmes super-heróicos. Mas dessa vez até a Novo Século, editora responsável pela publicação dos livros da Marvel no Brasil, entrou na brincadeira: o mais recente título publicado é Deadpool – Dog Park. O livro, se não é brilhante, ao menos alcança o objetivo de divertir o leitor da primeira à última página.

“Deadpool: Dog Park” é um romance autônomo – não acontece dentro de nenhum período específico dos quadrinhos e nem precisa deles para ser compreendido – e tem como Deadpool o seu grande astro. A obra é de autoria do escritor estadunidense Stefan Petrucha e foi publicada originalmente em 2015, antes do filme estrear – fato mencionado durante o livro. Mas será que Petrucha conseguiu abrir com chave de ouro a participação de Deadpool no universo literário Marvel?

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A cômica capa de “Deadpool: Dog Park”

O roteiro é tão simples que é possível resumi-lo em poucas linhas: o mercenário é enviado pela S.H.I.E.L.D. para capturar cachorrinhos geneticamente modificados que se transformam em monstros sanguinários. Às vezes o livro te dá a impressão de que o plot vai avançar em um ponto ou outro, mas isso realmente nunca acontece. Em 70% do tempo temos Deadpool caçando cachorrinhos, sejam eles já transformados ou não. Ok, eu sou leitor das histórias em quadrinho do comediante carmesim e não lembro de ter encontrado roteiros que tenham sido muito mais elaborados do que esse, mas com tantas opções de bons livros na minha estante, sou obrigado a dizer que durante a leitura de “Dog Park” fiquei tentado a trocá-lo por outro pois em nenhum momento fiquei realmente ansioso para saber o que viria em seguida.

O roteiro pode não impressionar, mas o humor, esse sim reluz em cada página. Petrucha transporta para as páginas de seu livro o Deadpool que tanto nos faz rir nas HQs. A mente caótica do mercenário, povoada por diferentes personalidades, está aqui, representada por itálicos, negritos e fontes diferenciadas. As piadas infames fora de hora, o estilo de luta caótico que frequentemente mais atrapalha o personagem do que o ajuda, até mesmo a relação psicótica com a querida cega Al aparecem em “Dog Park”. Eu gargalhei diversas vezes durante a leitura, pois algumas tiradas de Petrucha são tão bem boladas que são dignas das melhores HQs do nosso Deadpool.

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O escritor Stefan Petrucha

Um outro ponto a se elogiar é a conexão entre Deadpool e outros personagens da Marvel. Nos quadrinhos é comum que diversos heróis e vilões caiam de para-quedas nas aventuras do mercenário tagarela e felizmente o livro repete a fórmula. Não darei spoilers de quem aparece ou não na obra, mas já adianto de que quando rola esses crossovers, a narrativa torna-se bem divertida e próxima ao que seria um quadrinho original do personagem.

Ah, e não posso me esquecer do show que o autor dá em termos de referências. Quem acompanha as histórias de Deadpool sabe que o personagem é recordista em referências à livros, quadrinhos e diversos produtos principalmente da cultura pop. Em seu livro a coisa não é diferente: desde Charles Dickens à “Buffy: a caça-vampiros”, cada capítulo guarda em si diversas referências às quais o leitor pode se deliciar tentando entender.

“Deadpool: Dog Park” não é um livro brilhante e nem impressiona pela qualidade da história narrada. Senti falta de um enredo que oferecesse um suspense, um drama a mais, alguma coisa que me prendesse ao próximo capítulo. Também queria ter visto um Deadpool um pouco mais assassino do que simplesmente bobão, mas esses defeitos não diminuem os méritos de uma obra tão divertida e fiel ao espírito do personagem. Se você é fã de Deadpool ou quer conhecer mais sobre o comediante carmesim, esse livro é uma boa aquisição para sua estante.

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Lucas Bastos

Mestre em Comunicação, 7,8 na escala Nerd, fã obsessivo de FMA, Marvel fanboy e defensor da tese de que George Martin é melhor que Tolkien.

Um comentário em “Crítica: “Deadpool – Dog Park” é uma grande comédia do universo Marvel.

  • 19 de agosto de 2016 em 22:53
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    Se é pra rir,vou comprar.A realidade tá tão dura que só a ficcão alivia.Bom humor sempre!

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