Crítica: Chico Bento: Arvorada é uma história que todos deveriam ler

Em Chico Bento: Arvorada, Orlandeli entrega ao leitor uma história emocionante e carregada de sabedoria

“Aproveite os pequenos momentos da vida” é uma frase que muitos falam, mas nem sempre executam. Em Chico Bento: Arvorada, temos uma história emocionante que, de certa maneira, mostra a importância de seguirmos essa filosofia. Como nos diz a epígrafe, “esta é a história de um menino (Chico Bento), uma anciã (Vó Dita) e um Ipê Amarelo”, mas, mais do que isso, essa é uma história de amor.

Orlandeli, que cuida do roteiro, arte e aplicação de cores, entrega ao leitor uma história carregada emoções e ditada pela chamada “sabedoria da roça”. Se aproveitando de um drama familiar, o autor cria um arco dramático para Chico pautado na brevidade da vida. O protagonista, após saber da doença de sua avó, se arrepende de não ter aproveitado um momento com a mesma e isso gera toda uma discussão sobre dar valor a cada momento que podemos passar com as pessoas queridas.

A relação de Chico com sua avó é algo que encanta. Mesmo não deixando de fazer coisas que normalmente fazia no seu cotidiano, o menino vive espiando pela janela ou portas, ouvindo a conversa do médico com o pai e tentando entender o que está acontecendo. O medo de perder a sua avó é o que faz o personagem amadurecer, mas, mesmo em um momento triste, a lembrança e o carinho não deixam a narrativa ganhar um tom depressivo.  O arrependimento de Chico é um incentivo para aproveitar melhor o seu futuro, não uma maneira de deixa-lo amargurado.

Todo esse arco culmina no final do álbum onde vemos a motivação do narrador em apresentar a história. Os momentos simples podem ser o melhor que a vida nos reserva. Saber reconhecer isso e passar esse ensinamento adiante é a mensagem que o narrador nos deixa.

A arte em consonância com o roteiro

O enredo não é o único ponto que merece destaque. Orlandeli nos entrega uma arte espetacular e que se faz necessária para a narrativa. As páginas se mesclam e os desenhos, propositalmente exagerados, entregam uma experiência visual única para o leitor. O autor consegue utilizar do seu desenho como uma nova camada textual e expande a narrativa para além do que é dito nos balões. A estética “feia” dos personagens é logo entendida pelo leitor e vemos que nada desenhado no álbum foi utilizado por acaso.

Para completar o trabalho gráfico, temos ainda a escolha de cores. Sépia, amarelo, verde, marrom, vermelho, roxo e preto predominam e são encaixados para intensificar as emoções das cenas. As variações de tons são fundamentais e, aliadas aos jogos de sombras, possibilitam uma maior fluidez das páginas.

Considerações finais sobre Chico Bento: Arvorada

Com um enredo tocante e um trabalho gráfico impar, Orlandeli nos entrega uma verdadeira obra de arte. Chico Bento: Arvorada é uma prova de que uma boa história não precisa de um tema complexo, basta ser bem contada (e nesse caso ilustrada). Uma bela adição ao selo Graphic MSP e certamente um dos melhores quadrinhos de 2017 até então.

Chico Bento Arvorada Crítica Nota

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Lucas Mizumoto

Professor de japonês, amante de cinema e telespectador de desenho japonês desde que se entende por gente .

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