Companheiros de Bar #4: Magic – A que ponto chegamos?

Por Caio Amaral

Volta e meia um amigo/conhecido chega pra mim e fala: “Po cara, to querendo começar a jogar Magic… o que você me recomenda?”. Honestamente, meu instinto na hora é sair correndo e torcer para aquela pessoa esquecer que eu existo. Por quê? Porque eu simplesmente fico entre a cruz e a espada.

Minha resposta padrão é a seguinte: “Fera, tem um baralho baratinho para você jogar. Se você comprar dois iguais, pode jogar em todos os formatos. Vende na farmácia mais próxima.”Risos e aplausos, a mão do saudosíssimo Carlos Alberto de Nóbrega chega a tremer para assinar um contrato para “A Praça é Nossa”. Daí eu mudo de assunto e escapo de mais uma. É, escapo.Essa maldita pergunta chega a me dar um frio na espinha. Como é que você responde para o seu coleguinha que a sua opinião sincera é que não vale a pena começar a jogar o jogo que você tanto gosta

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Como entusiasta do jogo, eu deveria incentivar os outros a entrarem na brincadeira também, visto que quanto mais jogadores, mais competição e todo mundo aprende um pouco mais, ganhando ou perdendo. Então tá, quer montar um baralho? Modern e Legacy são muito caros, então sobrou o Standard. É aí que complica. Não posso, em sã consciência, aconselhar um conhecido meu a gastar 1000 reais em um baralho Standard, para ele ser dominado sem perdão nesses torneiozinhos de várzea duas vezes na semana. Uma hora ele cansa de apanhar e larga o Magic, vendendo tudo por uma fração do que pagou, já que é inviável para um cara que acabou de começar a jogar acompanhar as últimas tendências e ficar trocando de baralho. Qual é o sentido disso?

Tudo bem que o dólar subiu, a culpa é da Dilma e blábláblá. Mas isso nem vem ao caso. Antes de o dólar passar de R$3,00 já estava caro jogar. Eu só consigo jogar Magic competitivamente hoje porque parei de focar no Standard. Foquei no Modern antes de tudo ficar caro e agora só faço a manutenção da coleção. Os baralhos estão absurdamente caros. Obviamente, “Volta no tempo aí e compra tudo que é Modern!” não é um conselho que se possa dar.

Tudo o mais constante, não jogarei o novo Standard. Desconsiderando o fato de eu achar “Battle for Zendikar” uma edição com um power level tosco comparada às outras, simplesmente não tenho condição de gastar aqueles mesmos 1000 reais do meu fictício amiguinho dominado. Mesmo fazendo resultado na várzea, no fim eu acabo não lucrando grande coisa. Tá difícil de me sustentar no Magic. Agora imagina para o cara que vai jogar para tentar ganhar uma ou duas partidas. Como já dizia o grande pensador El Chavo del Ocho, “Teria sido melhor ter ido ver o filme do Pelé.”Aí vem alguém e fala, “Mas você não está se divertindo?”.Faça-me o favor, né. Aquela velha máxima de que “o importante é competir” é overrated. Como jogador, o que eu quero mais é ganhar de todo mundo e sair no lucro ainda por cima.

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Sendo assim, com o coração pesado, segue, em primeira mão, minha nova recomendação aos que insistem que querem começar a jogar Magic: “Como o resto está muito caro, a boa é o Pauper T2. Urgh.” Com grunhido e tudo.

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8 comentários em “Companheiros de Bar #4: Magic – A que ponto chegamos?

  • 29 de setembro de 2015 em 04:20
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    Sinto exatamente a mesma dor, mas a solução que encontramos em Porto Alegre é que tiny leaders e Commander são excelentes portas de entrada, são formatos eternos que com uma coleção pequena já resultam em decks de caráter “competitivo” (considerando o meta-game das pessoas que também jogam esse formato na cidade) fora a facilidade de não requerer playsets, ou cartas extremamente caras(de inicio… todo mundo acaba um dia ou outro tendo q comprar as malditas dual lands… mas isso é outro assunto).A dinâmica “politica” do formato e a possibilidade de montar um deck com suas cartas favoritas (independente de Cmc ou utilidade real) são fatores excelentes para iniciantes pegarem gosto pelo jogo.

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  • 29 de setembro de 2015 em 09:32
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    Não é todo esse drama assim quanto parece. Basta tu conhecer alguém que é amigo de alguém que conhece outro alguém. As pessoas emprestam cartas umas às outras. Assim que eu jogo t2 há anos, sem ter carta alguma standard.

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  • 29 de setembro de 2015 em 10:02
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    Man acho que voce não deve fugir ao assunto, quando alguem te perguntar sobre como começar a jogar magic. Nós que jogamos o chamado “competitivo” esquecemos que isso é apenas um nicho, uma fração do que o magic realmente é. Acho que o nosso amado jogo existe um milhão de opção para se divertir infinitamente, apenas se lembre de quando você começou e jogava na mesa da sua cozinha com varios decks com coisas que você gosava e não fazia o menos sentido, mesmo assim se divertia horrores. Depois se um dia o seu amigo quiser jogar o competitivo que nada mais faz do que colocar um cabresto nos jogadores de magic que acham que o jogo se define em entrar na internet e copiar liatas e gatar todo o dinheiro com cartas milionarias, ele fará isso sozinho, assim como você provavelmente deve ter feito!

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  • 29 de setembro de 2015 em 11:10
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    Que tal se ao invés de aconselhar seu amigo a jogar Standard, Modern e etc… Vc não o acompanha no 4fun? Joga com ele até que ele possa decidir o que ele vai fazer com o dinheiro dele. Magic não é só Standard, Modern, Legacy e Vintage, o cara pode ser um casual, jogar entre amigos de outro círculo social.

    Tive vários amigos que começaram, montei um deck simples pra brincar com eles, e cada um seguiu seu caminho, um foi pro Standard, outro ficou no Modern e outros dois, jogam pela diversão, montam decks 4fun.

    Magic não é só competitividade.

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  • 29 de setembro de 2015 em 14:45
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    Não há maneira de jogar magic casual?
    Nem todos os jogadores/colecionadores de MTG jogam em torneios. Na verdade eu e mais 5 amigos só jogamos casual. Onde nós escolhemos as regras.
    Gostei muito do artigo, mesmo assim.
    Achei muito real.
    Minha ideia é mais pela diversão do que pela competitividade. Se ele comprar pelo menos um pouco das próximas 6 coleções ele poderá curtir mais e preparar um baralho melhor. E temos a liga magic pra observar os cards que queremos e pechinchar o máximo possível.

    Caso alguém se interesse em MTG casual, visitem nosso canal no YouTube, A Vida no Mesão!

    Abraço.

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  • 29 de setembro de 2015 em 17:20
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    Discordo do artigo. Jogar magic não é apenas entrar em campeonatos. Se a pergunta fosse “Vale a pena começar a jogar magic COMPETITIVO hoje em dia”, o seu artigo faria muito sentido. Porém, magic é muita diversão quando não se trata disso. Tenho amigos que ingressaram a pouco no Magic e passam a madrugada inteira jogando cmdr multi-player com os decks pré-construídos da wizards que eles vão alterando aos poucos e se divertem pra caramba. Concordo que pra jogar ambiente competitivo está muito caro, tanto pelo valor das cartas em si, quanto pelo valor do dólar. Tenho milhares de cartas em casa, montei vários decks mais simples para jogar com esses meu amigos iniciantes. Montei um Crap-cube também.. e eles não gastaram mais do que 200 reais pra se divertirem muito. Eles não ligam pra campeonatos por que não querem “investir” um rim para jogar cartas…
    Da pra começar a jogar magic hoje em dia sim… e magic já foi e ainda é aquele “jogo de cartinha que você joga na sala de casa com seus amigos”.
    O jogo é muito divertido e variado…

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  • 30 de setembro de 2015 em 15:09
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    Não estou respondendo ninguém especificamente, aqui vai um comentário geral.

    Meu objetivo com esse texto foi expressar algumas de minhas frustrações com o cenário de Magic atual na minha cidade, e como já foi falado, aparentemente se aplica a outras também. Bom saber.
    Uma coisa deve ficar clara: o meu ponto de vista é de um jogador competitivo. As pessoas que sabem que eu jogo Magic sabem disso. Portanto, quando um amigo/conhecido faz a tal pergunta do começo do texto, logo concluo que ele quer o insight de um jogador competitivo para se dar bem no jogo. Na minha cabeça, o 4fun não é uma opção viável para se dar bem no Magic. Daí pensa-se em formatos construídos e por aí vai.
    Como jogador essencialmente competitivo, o Magic casual para mim é coisa do passado, e não acredito necessariamente que isso é uma coisa boa. A pressão que eu coloco em mim mesmo para ser bem sucedido no jogo às vezes é sufocante e honestamente me faz lembrar os tempos nos quais eu jogava 4fun. Já larguei o Magic uma vez por esse motivo, mas como cartinha é tipo crack, já viu né.

    Apesar do tom sarcástico, o texto é sim bem pessoal. Agradeço a todos por terem lido e comentado.

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