Um universo cinematográfico de Agatha Christie é uma boa ideia?

Existe espaço para Agatha Christie nos cinemas?

Em meio a muitos blockbusters lançados quase simultaneamente no último trimestre de 2017, “Assassinato no Expresso do Oriente” pode ter passado despercebido. Entretanto, a adaptação de um dos maiores clássicos da escritora Agatha Christie agradou a quem deu uma oportunidade ao longa. Após a exibição do filme, começaram a circular boatos de que outras obras da autora também poderiam chegar ao cinema. Essa possibilidade foi confirmada quando o ator e diretor Kenneth Branagh confirmou a produção de “A Morte no Nilo” e o desejo de criar um universo cinematográfico envolvendo as histórias. Após especulações e confirmações, cabe abrir uma discussão: existe espaço para Agatha Christie nos cinemas?

Para quem não conhece a autora ou as suas obras, aqui vai um pequeno resumo. Agatha Christie foi uma escritora britânica especialista no gênero romance policial. Seus livros já foram traduzidos para mais de 100 idiomas diferentes e romperam a barreira de bilhões de cópias vendidas. A autora recebeu a imponente alcunha de “Rainha do Crime“. Essas informações por si só já começam a indicar que a resposta para a pergunta anterior deve ser positiva, certo?

Quem é Rainha nunca perde a majestade

Mais do que Hercule Poirot

Uma especialista em livros de romance policial tinha que ter um detetive famoso, certo? Agatha Christie criou um dos investigadores mais divertidos, excêntricos e brilhantes da literatura mundial: o belga Hercule Poirot. O pequeno e metódico homenzinho resolve crimes graças a suas incríveis e pequenas células cinzentas, olho clínico e profundo conhecimento da mente humana. Em “O Assassinato do Expresso do Oriente”, o personagem foi brilhantemente interpretado por Kenneth Branagh e conquistou grande parte do público. Mas será que uma série extensa de filmes com o mesmo detetive não iria cansar o público?

Graças à competência de Agatha Christie, talvez essa resposta nunca tenha de ser encontrada. Afinal, a escritora não viveu de apenas um detetive: diversos personagens já fizeram o papel de investigador em suas obras. Alguns romances tinham na amável e perspicaz Miss Marple a figura responsável por esclarecer os casos. Em outros livros cabia ao eficiente Superintendente Battle desvendar os crimes. Algumas obras nem mesmo apresentavam uma figura central responsável por encontrar respostas: “O Caso dos Dez Negrinhos” (ou “E não sobrou nenhum“, título atual do livro) é um dos maiores exemplos de trama que não dependem de um detetive para se desenvolver. Essa variedade de personagens pode contribuir para a construção de um universo cinematográfico mais dinâmico.

Patente alta, dá aula, bigode grosso!

Muitas surpresas

Se você assistiu ao “Assassinato no Expresso do Oriente” e achou o final espantoso, aqui vai um aviso: esse nem é o livro mais surpreendente. É claro que muitas das obras da autora seguem uma fórmula simples de “crime-investigação-resolução” e provavelmente alguns filmes seguirão essa fórmula. Entretanto, alguns dos mais famosos livros de Agatha Christie fogem do padrão. Cito aqui novamente “E não sobrou nenhum”: essa é uma das histórias com maior carga de suspense já escrita pela autora.  Dependendo de como for desenvolvido o roteiro, o longa pode fazer os espectadores roerem as unhas do início ao fim. É uma grande oportunidade de fazer mais do mesmo dentro desse mesmo universo cinematográfico.

Esse universo cinematográfico nem mesmo precisaria ficar restrito ao gênero de romance policial. Agatha Christie escreveu romances também, sob a alcunha de Mary Westmacott. “O Gigante” (ou “Entre dois amores“) é uma das histórias mais apaixonantes que eu já li e com certeza mereceria uma adaptação para a telona. Porque não dar uma variada nos crimes e investigações para simplesmente contar uma história de amor (e dor) aos espectadores?

Um conselho: leiam esse livro. De nada

Uma boa ideia no momento certo

Melhor ainda do que ter uma boa ideia, é ter uma boa ideia no momento certo para executá-la. O cinema mundial vive a febre dos universos expandidos. Vide a profusão de longas superheróicos interconectados: a Marvel popularizou essa ideia e diversas franquias agora querem surfar nessa onda. A DC já começou o seu próprio universo, até mesmos os bichos gigantes querem se encontrar (Godzilla e cia). Com um público cada vez mais acostumado a referências pipocando na tela e personagens de um filme interferindo nos outros, esse é o momento para arriscar um universo cinematográfico de Agatha Christie.

Se todos os filmes tiverem um elenco desses, é meio caminho andado para o sucesso
Conclusão

Sim, é uma ótima ideia termos mais e mais filmes baseados nas obras de Agatha Christie. Quero ver as aventuras de Hercule Poirot, o seu fiel amigo Capitão Hastings, o impassível Battle, a sagaz Miss Marple. Quero pegar cada referência perdida nos longas, quero até mesmo imaginar um possível encontro à lá Vingadores de todos os detetives. OBS: isso já aconteceu no livro “Os Quatro Grandes“, então não estou ficando maluco, ok? Para mais informação e opinião sobre os filmes da nossa querida Rainha do Crime, continue acompanhando a Drop Hour!

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About Lucas Bastos

Mestre em Comunicação, 7,8 na escala Nerd, fã obsessivo de FMA, Marvel fanboy e defensor da tese de que George Martin é melhor que Tolkien.

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