Oscar 2018 e o futuro dos filmes de herói

Mulher Maravilha O futuro dos filmes de herói

A corrida do Oscar 2018 pode significar muito para o futuro dos filmes de herói

A temporada de premiações do cinema internacional é sempre um momento de vitrine para todos que trabalham na área. Um diretor novato pode ganhar visibilidade, um filme pode se consagrar, um ator pode virar o queridinho de Hollywood. Em um momento onde, em teoria, os melhores filmes estão em destaque, é quando os críticos e produtores abrem os olhos para o que está sendo reverenciado e pensam nas novas produções.

Em 2018, talvez seja um ano em que os filmes de herói tenham uma das maiores oportunidades de se provar nesse cenário. Um gênero (que nem é tão aceito como tal ainda) dito por muitos como vazio e apenas para blockbuster, pode finalmente ter um reconhecimento maior e influenciar o futuro de outros filmes.

Mulher Maravilha e Logan, histórias distintas, mas cruciais para o futuro dos filmes de herói

Apesar das brigas na internet entre fãs da DC e da Marvel, ambos estão sendo responsáveis para essa possível mudança. De um lado, Mulher Maravilha, do outro, Logan. Dois filmes que serviram como marcos para o gênero e que inovaram na sua maneira. De um lado temos o primeiro filme de herói protagonizado por uma mulher, do outro temos um filme de gênero e com censura 18 que provou ao mundo que filmes de herói podem ser algo além de piada e ação.

Ambos com uma boa recepção da crítica e do público, com bons enredos, atuações e produção e agora estão na corrida para o Oscar 2018. No entanto, muitos podem pensar “ok, já tivemos vários filmes de herói no Oscar e até o Heath Ledger ganhou Oscar de melhor ator coadjuvante. Qual a diferença agora?”

O que faz dos principais filmes de herói de 2017 serem diferentes dos demais?

A primeira diferença é: Na maioria das vezes os filmes desse gênero estavam nas categorias técnicas, principalmente nas de efeitos visuais. Não que veja um demérito nessa área, mas não é uma categoria de grande glamour como roteiro, direção, melhor ator ou atriz ou até mesmo melhor filme. São as categorias de maior prestigio que abrem as portas e o reconhecimento por parte da academia. Um filme vender muito não é suficiente para o “respeito” da academia. No caso dos filmes de herói, por mais sucesso que façam atualmente, ainda são marginalizados.

O segundo ponto é: Tirando os Batman de Christopher Nolan, nunca tivemos filmes de herói tendo destaque por uma assinatura forte da direção ou uma fuga dos principais tropes do gênero. Mulher Maravilha conta com uma elogiadíssima Patty Jenkins na direção e mostrou que um filme quase independente do universo compartilhado funciona muito melhor para a DC. Já Logan, trouxe um filme extremamente violento e que, apesar de fazer referências a franquia X-men, mostrou que pode funcionar independente dos demais.

Mas o que o Oscar tem a ver com isso?

Com todos os elogios sendo feitos e a maneira como os filmes se destacaram por suas características únicas, é provável que Hollywood já esteja vendo com outros olhos para essas produções. No entanto, uma indicação de peso no Oscar é o que falta para se consagrarem de vez.

Com uma indicação para Logan ou Mulher Maravilha, é possível que os grandes estúdios percebam o trunfo que tem em mãos. Filmes fora das formulas podem dar dinheiro e também serem vistos com mais seriedade. Dessa maneira, imagino que a Disney e a Warner (atualmente as principais detentoras dos direitos de filmes de herói) comecem a cogitar mais filmes independentes e com assinaturas características.

Um Avengers sem piadinhas, um filme solo da Viúva Negra para maiores de idade com foco na espionagem, um Superman mais dramático e reflexivo…. Essas são algumas das muitas possibilidades de perspectivas que temos nos quadrinhos, mas que não costumam serem vistas no cinema.

Quais mudanças podem vir?

Muitos heróis nos quadrinhos têm personalidades bem mais complexas do que vemos atualmente nas telonas e trabalhar essas facetas é algo arriscado, uma vez que pode não agradar o público geral. No entanto, com uma visão mais aberta, podemos sim ter esses filmes mais experimentais. Arriscar em algo fora da formular Marvel (que já vem se incorporando nos filmes da DC) ainda parece maluquice, mas é um futuro possível se pararem para pensar que Logan e Deadpool, por exemplo, se saíram bem do seu próprio jeito.

No entanto, o futuro dos filmes de herói vai além das formulas e novas facetas dos personagens. Temos também a vantagem da liberdade criativa dos diretores. Diretores mais “cara do Oscar” não costumam pegar filmes de herói para dirigir, embora não exista um motivo oficial, muito se especula pelo fato de serem blockbusters e não darem a liberdade necessária para esses profissionais trabalharem como costumam em empresas menores ou focadas em filmes cult.

Conclusão

Com a confirmação de uma indicação no maior prêmio do cinema, seria possível que os grandes estúdios viessem a perceber que um futuro dos filmes de herói no cinema pode vir pela veia cult e autoral. Dessa maneira, poderíamos ter filmes com mais técnica cinematográfica sendo aplicada, roteiros originais e enfoque em personagens de menor destaque ou com mais discussões sociais. Ou seja, teríamos uma maior diversidade no modo de “fazer cinema de herói”.

Muita gente diz que as formulas usadas atualmente já estão ficando repetitivas. Eu sou uma dessas pessoas, mas acho também que não adianta mudar por mudar. O formato atual funciona e vende, mas produções mais recentes como as citadas aqui e até mais antigas, como Soldado Invernal, já mostraram que é possível ir além.

Não há problema com filmes blockbusters, é graças a eles que temos a quantidade de filmes de herói que temos atualmente. Mas quanto mais diversidade nas produções e mais filmes originais, melhor para o público. Trazer filmes com mais assinatura não abre os olhos da academia, como é algo necessário para que os mais céticos reconheçam a qualidade que o gênero de heróis pode trazer.

 

 

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Professor de japonês, amante de cinema e telespectador de desenho japonês desde que se entende por gente .

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