Opinião: Cosplay, um hobby levado a sério?

 

A personagem aqui em cima, para quem não sabe, é Kanako Ohno do manga Genshiken. Uma das minhas personagens preferidas da série e que me inspirou na criação desse texto por sua posição inflexível em relação ao seu hobby (cosplay): é uma maneira de se divertir, expor sua “admiração” e empatia por certo personagem e, como está na imagem, uma maneira de se sentir livre.

Apesar de nunca ter pensado em fazer cosplay, eu sempre achei muito legal ter a chance de “ver” meu personagem favorito e poder conversar com alguém que gosta dele ou daquela série tanto quanto eu. No entanto, eu fiquei por um bom tempo achando que aquilo não passava de um “carnaval fora de época” encarado como um hobby. Mas eu vi que não é bem assim.

Muitos cosplayers tem essa visão casual e creio que isso seja fundamental. Dentre os que eu conheço, a maior parte começou como apenas um hobby: se encontrar com amigos nos eventos, mostrar sua fantasia nova, tirar fotos e etc. Nesse estágio o que vale é, literalmente, a diversão. Se você quer ser, por exemplo, o Ichigo de Bleach, você será tanto quanto aquele cara que foi ao evento com uma peruca importada, roupa com tecido mais caro e etc.

No entanto, eu reparei que os cosplayers casuais estavam diminuindo e que, ao contrário dos eventos, a qualidade das fantasias estava cada melhor. Óbvio que isso é bom para quem faz cosplay e para quem gostar de ver, mas, assim como discutimos nos jogos no podcast “Diversão que não diverte” (caso não tenha escutado clique aqui), eu acho que o “cenário cosplay” está perdendo o que eu considero o foco principal: a diversão.

O nível das competições está crescendo cada vez mais. Ligas bem estruturadas, campeonato nacional, campeonato mundial, premiações de alto valor e etc. Tudo isso contribui para que o cosplayer tenha que se dedicar cada vez mais (não só no figurino, mas também na apresentação e interpretação). “Mas Mizumoto, o que tem de errado em querer competir se estão dando coisas boas?” Sinceramente, não tem nada de errado competir e “cobiçar” algo bom, mas acho que fazer algo somente com esse foco é errado. As pessoas vão para compensar seus gastos no figurino, há, em alguns casos, uma hostilidade entre os participantes (desde boatos na internet até agressões físicas e verbais) e muitos dos cosplayers se privam da diversão do evento e de curtir com os amigos porque precisam ficar integralmente na área cosplay.

Por esses e outros motivos eu acho que a diversão “deixou de divertir”. Mas também foi por essa mudança brusca que resolvi fazer o texto (afinal de contas, se eu que sou uma pessoa fora desse ciclo notei essa mudança, será que ninguém que faz cosplay não se pega pensando no mesmo?). Que fique claro que não descrimino quem pensa nesse foco competitivo, mas acho que não devem se esquecer de que há mais coisas além disso. É isso galera, espero que tenham gostado e peço desculpa caso alguém tenha se ofendido. Não deixem de comentar o que pensam do assunto!

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Mizumoto

Estudante de letras: português-japonês, amante de cinema e telespectador de desenho japonês desde que se entende por gente.

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