Opinião: A idade chegou ou os tempos mudaram?

O início de dezembro é uma época do mês natalino que muitos fãs de anime ou de cultura pop em geral, daqui do Rio de Janeiro, aguardam por conta de um evento em especial, o Anime Family. Confesso que durante alguns anos de minha adolescência eu pensava da mesma maneira, não só com o Family, mas também com vários outros “eventos de anime”. Mas, de uns anos para cá, o que me deixava ansioso e até feliz se transformou num transtorno sem igual e me fez ter essa reflexão: será que eu estou velho demais para esses eventos ou as coisas que mudaram? Já adianto a resposta, é um pouco de cada coisa.

Sobre as mudanças eu diria que o ponto crítico seria o foco da maior parte do público e como os organizadores souberam se aproveitar disso. Antes era comum grandes grupos indo juntos e a interação social ser maior (me lembro da época do falecido Orkut em que meus amigos combinavam de se encontrar com outras pessoas lá a fim de, olha que doido, fazer novas amizades), agora temos um foco quase que exclusivo das vendas, uma grande prova disso é a quantidade absurda de stands em comparação com a quantidade, quase nula, de salas temáticas, de exposições ou até mesmo palestras. Além disso, temos a questão do preço do ingresso que vem subindo exorbitantemente a cada ano sem que o evento apresente uma estrutura justa pelo preço pago (quando digo estrutura eu me refiro desde o espaço físico onde ocorre o evento até as supostas atrações que deveriam justificar o valor do seu ingresso).

Há também a questão da interação social, e aqui eu serei um tanto bairrista, uma vez que os eventos deixaram de ser de “cultura japonesa” e viraram eventos de “cultura de venda”. Não me entendam mal, não vejo problema em englobar elementos de cultura pop num mesmo lugar, mas vejo problema na maneira como isso é feito. Seria ótimo uma variedade de atrações para os mais diversos públicos, mas não consigo ver uma sala de aula com mais de 50 pessoas dentro, num calor absurdo, como sendo, por exemplo, um “Espaço K-pop”. Sério, se quer fazer um espaço para nichos específicos, ao menos dê um mínimo de conforto e coloque algo atrativo para aquele grupo (porque ficar num espaço como o que eu descrevi com um computador e 2 caixas de som tocando música está longe de ser algo atrativo e confortável para você aproveitar seu hobby, ainda mais se você pagou 25 reais para isso). Ou seja, já que não tem um espaço descente para colocar infinitas coisas, ao menos tente manter um padrão “aceitável” para a premissa inicial d’O Evento de Cultura Japonesa.

Sobre a idade ter chegado, eu diria que é muito em função de como o avanço de informações tem se mostrado. Sou da época em que ir em evento era uma chance ótima de conhecer novas séries ou se aprofundar mais sobre uma ou outra. Hoje em dia, você faz isso sem sair de casa e tira essa “magia” que eu via nos eventos. Além disso, a popularização do termo “nerd” (e que o otaku, ocidentalmente, vem sendo englobado), acaba trazendo pessoas que passam longe do público, ao meu ver, alvo desse tipo de evento. Agora a fila do evento parece até entrada de micareta, com vários vendedores ambulantes com cigarros e cervejas, adolescentes bêbados às 10h da manhã e etc. Nada contra beber, mas não acho que essa seja a proposta do evento e também não pega bem pro evento ter menores de idade praticando esses atos, mas isso é uma outra conversa.

Em resumo é isso. Não acho que esteja totalmente certo, mas é assim que eu vejo e penso a respeito dos eventos, em especial o Family por ser considerado o maior evento do estado. Me foquei no Rio porque é onde eu vivo, mas se alguém tiver relatos melhores dos eventos no seu estado, não deixe de comentar.

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Mizumoto

Estudante de letras: português-japonês, amante de cinema e telespectador de desenho japonês desde que se entende por gente.

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