Mais de 30 anos depois, ainda vale a pena ler “Dragon Ball”

A obra máxima de Akira Toriyama continua fazendo sucesso com o anime e games, mas a joia da coroa é o mangá

Em 2017 foi anunciado mais um jogo para uma das franquias de maior sucesso do mundo geek: “Dragon Ball FighterZ“. O game de luta tem em seu roster personagens icônicos das mais variadas sagas do mangá e anime. Conforme iam sendo anunciados os lutadores, comecei a perceber o quão pouco sabia sobre a franquia. Sim, eu sabia quem eram Nappa, Yamcha, Androide 16, etc… mas não lembrava com detalhes sua origem. Me escapavam os detalhes dos seus momentos de destaque dentro da história. Então tomei uma decisão: eu iria ler, do início ao fim, o mangá de Dragon Ball. Mais de 500 capítulos depois, percebi que deveria ter feito isso antes, porque é simplesmente fantástico.

Em 1984 chegava ao Japão uma história de um garoto com rabo de macaco. Ele e uma adolescente geniosa partiriam em uma jornada em busca das lendárias Esferas do Dragão. Os leitores talvez não tivessem a menor ideia das fantásticas aventuras que os aguardavam. Cada capítulo reservava um novo desafio. Cada busca pelas relíquias mágicas representava um mergulho no desconhecido. Mas tudo o que Goku, Bulma e nós, fãs, sabíamos era que tínhamos que encontrá-las.

Primeiro trailer revelado do jogo. Desde então, o roster já aumentou consideravelmente

Um mundo novo a explorar

Um elemento me encantou ao ler o mangá clássico de Dragon Ball: o mundo no qual a aventura se passa. Akira Toriyama, ao desenvolver sua história, optou por uma estratégia que eu adoro: não limitou o seu universo. A cada capítulo o leitor descobre algo que ele não fazia a menor ideia que existiria. Existem porcos transmorfos nesse mundo? Sim. Nuvens voadoras? Sim. Ciborgues? Agora sim. Humanos com poderes telecinéticos? Claro, porque não existiriam?

A cada saga o universo da franquia se expande e novos personagens, regiões, espécies ou até planetas inseridos mexem com a história. Goku descobre novas ameaças, faz mais e mais amigos e as aventuras nunca param de nos surpreender.

A primeira capa a gente nunca esquece

O humor como diferencial

Poucas vezes me peguei gargalhando durante a leitura de um mangá. Com Dragon Ball, felizmente, isso foi comum. Em minha cabeça ainda tinha muitas memórias de Dragon Ball Z (saga de Majin Boo, Cell, etc.) arcos nos quais o humor fica em segundo plano. Quando comecei a acompanhar as primeiras aventuras de Goku, me surpreendi com o quanto elas são engraçadas. Os personagens se metem em diversas situações cômicas. Alguns diálogos quebram tanto a sequência esperada que é impossível não rir (quem lembra de Goku “avisando” ao Kuririn que ele não tinha nariz, hein?). Os inimigos não são apenas criaturas obcecadas em destruir o mundo: às vezes são são pitorescos e bizarros que funcionam mais como alívio cômico do qualquer outra coisa.

Uma observação: quando falo que Dragon Ball é muito engraçado, não estou me referindo a piadas ou situações nas quais são retratados atos pervertidos ou assédios morais. Infelizmente, as primeiras aventuras de Goku são recheadas de situações nas quais os personagens (especialmente o Mestre Kame) assediam Bulma. Não gosto desse recursos narrativo e não o considero engraçado.

Sobre as inconveniências de se destruir a Lua com um Kamehameha

 

Menos do mesmo

As minhas memórias mais frescas de Dragon Ball me remetiam a uma fórmula repetitiva. Goku e seus amigos encontravam uma nova ameaça, eles perdiam para ela, e após muito treinamento e sofrimento, Goku conseguia derrotá-la. É claro que cada arco tinham suas especificidades, mas no geral, era isso. Mas quando peguei o mangá de Dragon Ball para ler, fiquei encantado por ver essa fórmula sendo triturada. Sim, Goku ainda é mais forte e resolve 99% dos problemas, mas as batalhas são imprevisíveis. Não é o Kamehameha ou a Genki Dama que resolvem a maioria, mas sim estratégias e táticas bem pensadas (ou até inusitadas). Os torneios disputados pelos personagens tem desfechos surpreendentes – e muitas vezes até cômicos.

E o que me deixou mais impressionado: cada arco é muito diferente do outro. As primeiras sequências são uma típica aventura por um mundo inexplorado em busca das esferas. A saga da Red Ribbon apresenta Goku aos inimigos mais fortes conhecidos até então. O confronto contra Piccolo é o primeiro que eleva o nível da ameaça a um patamar global. A partir daí, infelizmente, a criatividade acaba sendo reduzida em prol de enredos mais do mesmo: troca de socos, disparos de energia, transformações novas, etc.

Quem lembra desse arco sensacional?
Conclusão

Eu não fazia ideia de que o mangá de Dragon Ball era tão divertido. Quando eu me lembrava da franquia, me vinha muito mais as imagens de Goku super sayajin derrotando algum inimigo. Ao ler pela primeira vez a obra original de Toriyama, consegui entender as raízes do seu sucesso mundial. Dragon Ball é uma aventura divertida, recheada de personagens carismáticos, com enredos criativos e uma boa dose de desafios e reviravoltas. Quem nunca pegou essa história para ler, recomendo que o faça agora mesmo.

 

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About Lucas Bastos

Mestre em Comunicação, 7,8 na escala Nerd, fã obsessivo de FMA, Marvel fanboy e defensor da tese de que George Martin é melhor que Tolkien.

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