Críticas: “Karas”, um anime tão bom quanto desconhecido.

Quando falamos de grandes sucessos no mundo dos mangás e animes, é difícil fugir dos clássicos, como Dragon Ball, Slam Dunk, Sakura Card Captors, etc. Considero essencial tratarmos sobre essas obras, mas acho que às vezes esquecemos de dar oportunidade a alguns títulos que, por estarem fora dos holofotes dos grandes veículos especializados no gênero, acabam passando despercebidos. “Karas” é um deles, e apesar do tom sombrio próprio à trama, merece demais sair da escuridão.

Faz pose para a foto, Karas!

“Karas” é um anime bem curtinho – 6 episódios apenas -, escrito por Shin Yoshida e desenvolvido pela Tatsunoko Production, a responsável por grandes sucessos como Speed Racer, por exemplo. Inclusive conheci a franquia graças à participação de seu protagonista em “Tatsunoko vs Capcom“, jogo de luta exclusivo do Nintendo Wii. A curta obra foi exibida entre 2005 e 2007.

Karas e Chun-li contra….contra…sei lá, esqueci o nome dele. Mas o jogo é ótimo, recomendo.

O plot não é exatamente inovador: cada cidade japonesa é protegida por um Karas, um ser sobrenatural com poderes incríveis, como se transformar em veículos, habilidades especiais como vôo e velocidade sobre-humanas, além de perícia em espadas. A função desse Karas é vigiar a cidade e proteger todos os cidadãos da mesma, tanto os humanos quanto os youkai – espécie de espíritos, figuras comuns no folclore japonês. O problema é que um desses vigilantes, chamado Eko, se cansa do seu trabalho, pois os humanos cada vez mais ignoram a existência dos Youkai e, com isso, ameaçam sua sobrevivência. Assim ele decide tocar o terror na sua cidade, Shinjuku, ao preparar um engenhoso plano para obrigar os humanos a se lembrarem dos seres sobrenaturais. Como esse plano exige mortes e destruição – do contrário não haveria anime, né? – a cidade começa a enviar outros Karas para detê-lo.

O anime começa justamente com uma luta épica entre um desses Karas anônimos contra Eko, e já adianto: se isso não te convencer a assistir, talvez essa não seja sua praia mesmo. Os combates são majestosos: os produtores misturaram 2D e efeitos 3D de maneira brilhante e proporcionam um combate de proporções épicas. Otoha, o personagem principal do anime, o Karas que precisa impedir o plano de Eko a tempo, envolve-se em pelo menos uma briga por capítulo, e simplesmente TODAS são dignas de um replay.

O desfecho dessa luta é uma das coisas mais lindas do anime.

Quando disse que o plot não era inovador, de maneira alguma quis dizer que é ruim. Apesar de Eko ser um vilão um tanto padrão, os outros personagens são muito interessantes e ajudam a compor um bom cenário para a história. Os Mikura – seres híbridos de máquinas com youkai – são seus “capangas” e tornam a vida de Otoha bem difícil. Cada um tem habilidades próprias que tornam cada luta diferente da outra. Os outros coadjuvantes, em sua maioria humanos, oferecem interessantes tramas secundárias e enriquecem o anime, tirando um pouco o foco do espectador do conflito entre Karas e Ekou.

O gênero de “Karas” flutua entre ação, suspense e terror. Digo isso porque o anime contém um pouco de tudo, mas felizmente são os melhores elementos de cada um deles. Temos muito sangue e mortes violentas, assim como batalhas memoráveis e uma narrativa que propositalmente mistura a cronologia dos acontecimentos para confundir o espectador. Recomendo que você persista assistindo mesmo que não tenha entendido plenamente a história, pois isso é normal. A partir do segundo é que uma figura começa a se formar no quebra-cabeças – e você sente necessidade de assistir ao resto para poder completá-lo.

Eko é um cara bem legal, pena que não pode ver um Karas…

“Karas” é um dos melhores animes que já assisti em minha vida, principalmente por suas batalhas visualmente impressionantes e cenas inesquecíveis. Muito bem recebido principalmente no Japão, a obra venceu o prêmio de Melhor Produção Original no Tokyo Anime Award de 2006. Caso você tenha se interessado em assistir, deixo aqui o link para o primeiro episódio, disponível no Youtube (infelizmente é difícil achá-lo legendado em português). Confira a luta da qual falei no texto – é logo a primeira – e, principalmente, divirta-se!

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Lucas Bastos

Mestre em Comunicação, 7,8 na escala Nerd, fã obsessivo de FMA, Marvel fanboy e defensor da tese de que George Martin é melhor que Tolkien.

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