Review: Genshiken

O cotidiano de uma universidade ou escola é um cenário bem comum em séries e filmes, mas, normalmente, com um enfoque nos alunos mais “descolados” ou com um plot de comédia romântica. Mas e se tivéssemos uma obra observando o cotidiano de um grupo nerd, mais especificamente, otakus japoneses?

É a partir dessa premissa que Shimoko Kio escreveu “Genshiken, The Society for the Study of Modern Visual Culture” ou, popularmente, Genshiken. A primeira fase do mangá, que será o foco dessa review, conta com 9 volumes e foi publicado no Japão pela editora Kodansha e publicado recentemente no Brasil pela editora JBC.

A história gira em torno de Kenji Sasahara, um calouro de faculdade que se encontra na dúvida sobre qual clube deseja participar e acaba conhecendo o Genshiken, um clube para otakus. A princípio o rapaz fica um pouco apreensivo com o clube, mas aos poucos vai se identificando e gostando daquele ambiente. Dentro do clube Sasahara passa a conviver com vários otakus, cada um com sua característica própria. No entanto, não são todos personagens que estão felizes com esse ambiente e é aí que entra, ao meu ver, a outra protagonista da série, Kasukabe Saki que é namorada de outro calouro, Kousaka, e não tem a menor afinidade com otakus.

No mais clássico estilo slice-of-life, o autor vai narrando o dia a dia dos personagens. A interação entre os membros do clube é, sem dúvidas, o ponto alto da série. O autor trabalha muito bem a construção dos seus personagens e, a medida em que vamos lendo o mangá, vemos a relação deles se intensificando de tal maneira que o leitor é capaz de visualizar uma verdadeira roda de amigos. Outro destaque dos personagens vai para a Saki que nos dá a visão de um “estranho fora do ninho” e tem a mudança mais perceptível no decorrer da obra.

A narrativa vai sendo construída com capítulos isolados (apesar de termos pequenos arcos) que, em sua maioria, apresentam os personagens envolvidos em alguma atividade relacionada à cultura pop japonesa. Assim, vemos os membros do Genshiken indo à Comiket, fazendo compras em Akihabara, indo na casa dos amigos jogar vídeo game e etc.

Outro destaque do mangá é a sua arte. Kio trabalha muito bem nos seus cenários sempre lotados de elementos da cultura pop e com diversos easter eggs. O design nos personagens também é muito interessante por se tratar de uma arte que os torna em sua maioria, fisicamente, desinteressantes e que condiz com o estereótipo de otaku que a obra propõe.

Em grande parte dos capítulos temos situações cômicas e piadas, na maioria feitas pela Saki, envolvendo o gosto dos personagens. Essa parte cômica, ao meu ver, acaba sendo uma faca de dois gumes. Em alguns momentos temos situações extremas como personagens, literalmente, passando fome para comprar um jogo, infinitas horas em filas de evento para comprar os melhores doushinjis, pra mim, o pior dos casos que foi o Madarame (um dos presidentes do clube) ignorando a mão quebrada para ficar em um evento.  Esse é o principal ponto negativo do mangá, porque em certos momentos você pode ficar meio puto com aquelas situações e assim perdem o seu caráter cômico.

Genshiken me chamou bastante atenção por abordar o universo otaku japonês. Embora tenham as suas semelhanças com o que vemos no ocidente, o termo no Japão tem uma conotação muito mais ofensiva e aqueles que se consideram otakus tem comportamentos mais peculiares. Reconheço que é um tema muito especifico, mas acho que o autor arriscou e acertou.

Como disse no início, esse post só iria tratar da primeira fase do mangá, mas atualmente Genshiken está na sua fase, Genshiken Nidaime. Essa continuação renova completamente o universo da primeira parte e é considerado por muitos uma nova obra. Muitos não tem gostado, mas eu particularmente tenho achado interessante e gostei muito do anime que aborda o começo de Genshiken Nidaime.

Confesso que não sou mega fan como o Diogo do Anikenkai, mas, de maneira geral, eu considero Genshiken um bom mangá e recomendo bastante recomendo para que gosta de slice of life e/ou quer saber mais sobre esse núcleo social. Por ter saído recentemente no Brasil, é um mangá relativamente fácil de encontrar!

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Mizumoto

Estudante de letras: português-japonês, amante de cinema e telespectador de desenho japonês desde que se entende por gente.

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