Review: Fullmetal Alchemist

“Naruto e One Piece que me desculpem, mas Fullmetal é fundamental.”

Há seis meses fui obrigado a aceitar que tinha um problema muito comum entre os nerds: mangás demais e dinheiro de menos. Uma solução que encontrei foi começar a vender algumas coleções antigas, títulos que eu gostei muito de ter comprado, mas que francamente não iria parar pra reler. Mas quando encarei a minha coleção completa de Fullmetal Alchemist, percebi que a gaveta não ficaria vazia.

FMA (como também é conhecido) é de autoria de Hiromu Arakawa. Começou a ser publicado no Japão em 2001 e chegou ao fim em 2010. Apenas em 2007 o mangá foi lançado no Brasil, através da Editora JBC. Apesar da edição final ter chegado às bancas em 2011, a JBC ainda deve o quarto e último dos volumes especiais, com detalhes da trama, entrevistas com a autora, etc.

fmaTudo começou aqui…

Com relação ao anime de Fullmetal, precisamos fazer uma observação. FMA possui dois animes diferentes. O primeiro foi exibido entre 2003 e 2004, ou seja, foi concluído muito antes do fim da trama original. Logo, os roteiristas tiveram que criar mais da metade do plot central, e podemos dizer que o trabalho foi bem feito. O resultado é legal, o argumento é interessante e o final é bem triste. Mas aí surgiu uma segunda série animada, intitulada “Fullmetal Alchemist: Brotherhood”, baseada inteiramente no enredo do mangá. E depois disso ficou impossível assistir ao primeiro, porque a história do mangá é fantástica.

Fullmetal-Alchemist-Brotherhood1Saudade desses irmãos

Fullmetal Alchemist conta a história dos irmãos Elric. Ainda crianças, Edward e Alphonse perdem a sua mãe. Tomados pela angústia e solidão, ambos tentam realizar um tabu da alquimia: uma transmutação humana. Em outras palavras: eles tentam ressuscitá-la. Por mais fantástico que seja o mundo onde vivem, no qual a alquimia é uma realidade e é possível fabricar uma lança apenas desenhando os símbolos certos no chão, a transmutação não ocorre como deveria e os irmãos pagam um preço alto pelo erro: Ed perde sua perna esquerda e Al, o irmão mais novo, o corpo inteiro. Ed consegue fixar a alma do seu irmão mais novo em uma armadura, mas perde também o braço direito nesse processo. Ed promete a si mesmo e ao seu irmão que irá restaurar os corpos dos dois, e para isso os dois partem em uma jornada em busca do único elemento que pode realizar tal façanha: a lendária Pedra Filosofal.

04-largeUma das melhores imagens conceituais da obra

A partir daí a trama avança para um campo macroscópico e conhecemos melhor o país em que os irmãos Elric vivem. Amestris é um país diferente dos demais, no qual a alquimia se desenvolveu exponencialmente, principalmente para fins militares, o que explica-se pelo fato da nação estar constantemente em guerra. Amestris é governada por um Exército Nacional liderado pelo Führer King Bradley, um dos melhores personagens da trama. Ed afilia-se ao exército ao tornar-se o Alquimista Federal mais jovem da história. E aí seus problemas começam a aparecer, já que no caminho para a Pedra Filosofal ele e Alphonse entram em rota de colisão com os Homúnculos, criaturas com super-poderes e praticamente imortais.

Fullmetal Alchemist - Deadly Sins

 Os homúnculos, vilões de Fullmetal Alchemist: pegar os 7 na porrada é tarefa ingrata

Vou direto ao ponto: Fullmetal Alchemist é o melhor mangá que já li, e acho estranho que muitas pessoas considerem-no apenas como mediano. A obra possui todos os elementos que adoro em uma história: dramas existenciais, busca por objetivos quase impossíveis, personagens cativantes, batalhas épicas e reviravoltas surpreendentes. Aliás, Edward Elric é um dos poucos personagens principais de mangás/animes que realmente me cativou. Ele é forte sem apelar para a vantagem invisível de ser o protagonista e engraçado sem forçar a barra. A obra é tão boa que até os jogos originados a partir dela são da melhor qualidade, com destaque para os games de ps2, “Fullmetal Alchemist: Curse of the Crimson Elixir”, esse de aventura e “Fullmetal Alchemist: Dream Carnival”, de luta.

mustangblowingshitupAqui vai um Mustang irritado para você

FMA marcou a minha adolescência e faço questão de guardar a minha coleção. Nunca se sabe quando sentirei vontade de reler as tragédias familiares dos irmãos Elric, admirar a elegância fatal de King Bradley ou rir com o narcisismo de Roy Mustang. Naruto e outras obras overrated que me desculpem, mas Fullmetal Alchemist é fundamental em minha vida.

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Lucas Bastos

Mestre em Comunicação, 7,8 na escala Nerd, fã obsessivo de FMA, Marvel fanboy e defensor da tese de que George Martin é melhor que Tolkien.

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