Review: Diário do Futuro (Mirai Nikki)

“Um desperdício de boas ideias”

Em janeiro de 2013 a editora brasileira JBC começou a publicar o mangá “Diário do Futuro”, nome brasileiro dado à obra “Mirai Nikki”. Na época eu não acompanhava nenhum mangá e como recebi ótimas recomendações sobre o título, resolvi comprar o primeiro volume. Hoje devo dizer que recebi um belíssimo spoiler fake.

De cara devo dizer que a proposta do mangá me agradou. Sou fã de historias que envolvam viagens no tempo e seus paradoxos, logo o roteiro me pareceu promissor: um jogo de sobrevivência entre 12 portadores de “Diários do Futuro”. Tal jogo, organizado por uma entidade suprema que regula o espaço e o tempo, busca definir quem é um substituto à altura para esse importante cargo (aparentemente currículo e entrevista não são o suficiente para ocupar essa vaga). Assim, os 12 jogadores devem lutar e matar uns aos outros para que no final o único sobrevivente tenha a honra de tornar-se um deus.

Deus Ex-MachinaDeus Ex-Machina: o cara com o melhor emprego não-remunerado do mundo.

Para auxiliá-los – e simultaneamente atrapalhá-los – nessa tarefa, cada jogador recebe um “Diário do Futuro”, uma fonte de informações – normalmente na forma de um celular – que expõe informações sobre o futuro da pessoa, inclusive sua possível morte. Ah, uma curiosidade: caso esse diário seja destruído de alguma forma, o usuário morre. Apesar de todos participarem em igualdade de condições – todos possuem um diário – nem todos observam o futuro da mesma forma: o personagem principal, Yukiteru Amano, lê registros aleatórios de todos os acontecimentos a sua volta; já a número 2, Yuno Gasai, tem acesso a todos os movimentos do seu querido Yukiteru.

diários do futuroAgora acabou essa história de não ter cuidado com o celular…

E é essa relação de amor doentio que dá força à trama. Yukkie e Yuno formam um casal inusitado, estranho, cujas atitudes são bastante questionáveis e que por vezes faz você torcer para que os dois terminem juntos, mesmo que não saiba exatamente se isso é bom ou ruim. Além do casal principal da trama, há outros personagens envolvidos diretamente no enredo central, e é ai que surgem os problemas.

mirai nikki

Ok, eles não são tão badass quanto essa cena sugere, mas são um casal memorável

Dos portadores, ou seja, os principais personagens envolvidos na trama, apenas 30% é realmente interessante. O resto é chato ou pelo menos dispensável. Apenas para exemplificar: não lembro do nome de pelo menos 6 deles. A relação entre familiares e casais muitas vezes são absurdas, até mesmo para um mangá. O plot torna-se tão desestimulante após a morte de alguns dos melhores personagens que, após o sexto volume, pensei seriamente em parar de colecionar. Felizmente há uma enorme reviravolta na edição 11 que te deixa realmente empolgado para o desfecho, o qual infelizmente me decepcionou.

Yuno Gasai

Propus que o nome brasileiro do mangá fosse “Yuno Gasai e + 11”, mas ninguém me ouviu…

“Mirai Nikki”, ou “Diário do Futuro” não foi o melhor mangá que já li e tampouco apresentou os melhores personagens que já conheci. Dotada de uma boa proposta que acaba se perdendo no fim, a obra tem seus méritos, como o de proporcionar reviravoltas sensacionais e algumas cenas épicas. Infelizmente considero os momentos bons em menor número em relação aos ruins. Em resumo: se pudesse voltar no tempo, teria dropado no início do mangá. Já que não posso, fico com algumas boas memórias da historia, mas dificilmente irei visitá-la novamente.

Ah, e não deixe de conferir a excelente opening do anime!

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Lucas Bastos

Mestre em Comunicação, 7,8 na escala Nerd, fã obsessivo de FMA, Marvel fanboy e defensor da tese de que George Martin é melhor que Tolkien.

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