Review: Beck – Mongolian Chop Squad (Corrente de Reviews 2016)

Beck – Mongolian Chop Squad é um anime de 26 episódios produzido pelo estúdio Madhouse entre os anos de 2004 e 2005. O anime conta a história de um grupo de jovens que decidem formar uma banda. Durante o anime acompanhamos os desafios de iniciar e manter uma banda, as angustias dos personagens e seus problemas pessoais.

Apesar de acompanharmos a banda como um todo, Koyuki, o jovem cantor e guitarrista, e Ryuusuke, o guitarrista e líder da banda, são os personagem com maior destaque. Koyuki é um jovem bem tímido e que passa por muitos problema na escola por conta de bullying, mas que, apesar dos seus problemas, encontra na música uma motivação para seguir em frente. Já Ryuusuke é o fio condutor do grupo de pessoas que acompanhamos durante os 26 episódios. Um jovem mais descolado, vívido e amante da música Ryuusuke consegue ligar todos os membros da banda e criar uma harmonia entre eles. Duas personalidades bem distintas, mas necessárias para o crescimento da banda, uma vez que Ryuusuke desperta o potencial de Koyuki.

As ambições dos integrantes da banda, as suas motivações para seguir aquela carreira, suas inspirações musicais… tudo isso é bem encaixando e faz com que o telespectador se sinta membro daquele grupo de amigos e torça pelo sucesso daquele grupo.  O desenvolvimento gradual da banda que começa em pequenos shows e vai até uma grande turnê é bem empolgante e evidencia as dificuldades do ramo da industria fonográfica e enriquecendo ainda mais o enredo.

Falando em enredo, Beck tem como tema principal a música, mas a jornada de cada personagem e o amadurecimento deles é tão importante quanto para o desenrolar da história. Apesar de termos dois principais, todos os demais integrantes da banda e personagens que convivem com eles são muito bem explorados. Desde a professora da escola de Koyuki até Maho, irmã de Ryuusuke, cada personagem tem um arco de desenvolvimento bem interessante. Não acompanhamos apenas o aperfeiçoamento musical daqueles jovens, acompanhamos também as suas dificuldades na vida pessoas, os sacrifícios que tem que passar para conseguir dinheiro, problemas na escola, vida amorosa e até frustrações profissionais. Beck, mais do que nos apresentar uma banda, nos apresenta um grupo de pessoas que poderia muito bem ser seu grupo de amigos.

Mas, apesar de todo esse desenvolvimento, a narrativa pode não agradar a todos pela maneira que é conduzida. Os primeiros episódios são um pouco arrastados e alguns arcos se repetem tanto que perdem força antes de suas resoluções. O bullying sofrido por Koyuki, embora necessário, fica previsível em certo momento e repetitivo, algo que poderia ter sido resolvido se fosse trabalhado em menos episódios. Mas isso não tira todo o mérito do roteiro, só que sem esses problemas a experiência seria digna de nota 10 nesse quesito.

Outro ponto muito positivo do anime é a trilha sonora. Além das músicas originais da banda, toda trilha sonora é sensacional. Os riffes de guitarra, as músicas das bandas que os jovens acompanham e até mesmo as referências, ainda que não necessariamente estejam tocando, de bandas estrangeiras dão um toque especial para o anime. Diferentemente de K-On que tem a música quase em segundo plano, Beck abraça esse elemento e o aproveita ao máximo. Se o roteiro não te pegar, escute pelo menos a OST porque é uma experiência incrível

Sobre a parte técnica do anime no que diz respeito a animação, Beck deixa um pouco a desejar. A qualidade oscila demais, diversos frames são muito feios e o character design não é dos mais cativantes. Em alguns episódios parece que  o estúdio responsável gastou todo o orçamento para animar a mão dos personagens tocando a guitarra e esqueceu de todo o resto. Embora a qualidade melhore um pouco da metade pro final da série, eu demorei um pouco para acreditar que não era um anime dos anos 90 nesse quesito.

No geral, Beck foi uma surpresa grata que essa corrente de reviews me proporcionou. Com personagens cativantes, uma temática bem trabalha e uma trilha sonora muito acima da média, Beck faz jus a popularidade que tem. Ainda que tenha seus defeitos, o anime tem que ser recomendado para quem gosta de música e de slice-of-life.

corrente

E essa foi a nossa participação da Corrente de Reviews 2016 do Anikenkai. Agora é a vez do Missão Ficção, blog que indicamos Hataraku maou-sama. Resolvemos indicar algo mais leve e uma comédia pareceu cair bem. Com um plot meio louco, Hataraku maou-sama é bem engraçado e achamos que vale a pena ser visto.

Facebook Comments

Mizumoto

Estudante de letras: português-japonês, amante de cinema e telespectador de desenho japonês desde que se entende por gente.

2 comentários em “Review: Beck – Mongolian Chop Squad (Corrente de Reviews 2016)

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *