Review: Bakuman

Bakuman é um mangá escrito por Tsugumi Ohba e ilustrado por Takeshi Obata (mesmo criadores de Death Note) e lançado na gigante Shonen Jump. Com um total de 20 volumes, a série teve um desempenho positivo. De cara já digo que é o meu mangá preferido, apesar de saber dos seus problemas, e fiquei muito feliz em saber que a JBC está relançando a partir desse mês (junho de 2014).

O mangá nos apresenta a história de Moritaka Mashiro, um menino de 14 anos que se encontra em dúvida sobre o seu futuro e decide que será um funcionário de alguma empresa e se contentará com uma vida medíocre. No entanto, seus planos vão por água a baixo quando seu companheiro de classe, Akito Takagi, pega um de seus cadernos  e descobre o talento de Mashiro para desenho e os sentimentos de Mashiro por sua amiga de classe, Miho Azuki. Takagi então tenta convencer Mashiro a se tornar um mangaká e o chama para ilustrar as suas histórias. Mashiro é relutante por conta do seu tio, um antigo mangaká que morreu por excesso de trabalho. A situação só muda quando Mashiro descobre que Miho quer se tornar uma dubladora e ele, inconscientemente, acaba fazendo uma promessa absurda com a garota: eles irão se casar quando o mangá de Mashiro virar um anime, mas até lá eles não poderão se falar pessoalmente. E assim começa a jornada de Ashirogi Muto (pseudônimo dos garotos) em busca de se tornarem mangakás de sucesso na maior revista do Japão, a Shonen Jump.

Apesar de uma sinopse simples (afinal, porque eu deixaria de ler, na Jump, histórias de caras saindo na porrada para acompanhar dois garotos fazendo mangá em um mangá?), Bakuman prova que é capaz de desenvolver uma história a partir de um tema “normal” sem cair na monotonia. Ohba se aproveita de um cenário que sempre gerou curiosidade por parte de alguns fãs (o ambiente editorial e a vida de um quadrinista) para criar uma história cheia de reviravoltas, amizades, rivalidades (apesar de tudo estamos falando de um shonen né?) e muitas informações da sociedade japonesa e “quadrinistica” do país. Esses dois últimos foram os que mais me chamaram atenção em Bakuman.

Obviamente não é o retrato mais fiel do mundo, mas Bakuman traz informações interessantes sobre a rotina editorial e do mangaká. Detalhes sobre o ToC (tabela que “mede” a popularidade das séries), reuniões dos editores, auxilio dos assistentes, rotina frenética que os autores precisam ter para cumprir os prazos. Essas e outras informações ilustram bem ao leitor que a vida de um artista desse tipo está longe de ser só flores. Além disso, temos toda ambientação japonesa que dá um Q a mais no desenvolvimento da obra. Os temores de não ter um futuro definido, a questão de se tornar um “homem de verdade”, a visão sobre a mulher (misógina rola solta aqui, ok?) são coisas abordadas no mangá e que refletem e muito na sociedade japonesa. Vale ainda ressaltar o diálogo com a “real” Jump e as diversas referências à mangás verdadeiros que acabam dialogando com os diversos títulos fictícios que os personagens vão criando.

Outro destaque positivo pra obra é a qualidade dos desenhos de Obata que já eram boas em suas obras anteriores (Death Note, por exemplo) e que, na minha opinião, conseguiram melhorar ainda mais em Bakuman. Os cenários têm uma riqueza de detalhes incrível, a expressão dos personagens e a construção do personagem fisicamente são uma obra prima a parte. Ainda nesse quesito vale ainda ressaltar como o desenhista consegue mudar bem seu traço ao apresentar diversos mangás de diversos autores de maneira magnifica.

Bakuman Manga

A quantidade de detalhes no cenário e a qualidade do desenho

Bakuman Eiji

Niizuma Eiji, meu personagem preferido e principal rival da dupla Ashirogi Muto

Por esses e outros motivos eu considero Bakuman uma obra impar na indústria dos mangás e uma leitura quase que obrigatória para os fãs desse estilo. Além da sua versão em mangá, a série também teve um anime em três temporadas e recentemente foi anunciado um filme live-action.

Tentei não me alongar muito até porque não quero estragar a surpresa de quem for ler. Mas possivelmente voltarei a falar desse mangá aqui na DropHour seja como referência ou sobre algum tema específico. E, caso tenham interesse, não deixem de conferir na banca mais próxima e acompanhem a saga de Ashirogi Muto para conseguir os seus sonhos!

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Lucas Mizumoto

Professor de japonês, amante de cinema e telespectador de desenho japonês desde que se entende por gente .

2 comentários em “Review: Bakuman

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