Review: All you need is Kill

Ainda no ritmo da CCXP, hoje teremos a review de All You Need is Kill que, assim como Green Blood, era um dos anuncios de peso da editora JBC para o evento. Sem dúvidas um dos grandes anúncios da editora JBC para o ano de 2014, a obra, baseada na light novel de Hiroshi Sakurazaka e impulsionada pelo filme No limite do amanhã (estrelado por ninguém menos que Tom Cruise), nos prometia uma ótima história repleta de ação, suspense e drama sendo reproduzida com a arte do famoso mangaká Takeshi Obata.

All You Need is Kill se passa em um futuro apocalíptico em que uma raça conhecida como Mimetizador está destruindo a humanidade. Dentro dessa realidade pouco agradável, somos apresentados ao jovem soldado Kiriya Keiji que, apesar de ser um soldado inexperiente, está preste a se tornar uma chave nessa luta para a salvação do seu povo. Kenji se encontra em um looping temporal: toda vez que é morto, ele volta para o dia anterior ao seu confronto e com as memórias pré-morte. Apesar de incialmente achar que aquilo é um sonho, Kiriya logo percebe a gravidade da situação em que se encontra e procurar aprimorar sua capacidade de luta para poder derrotar os Mimetizadores. Para tal preparo, o jovem soldado busca se espelhar na “valquíria” do campo de batalha, Rita Vrataski, uma famosa militar norte americana que está em uma missão conjunta com o segmento de Kenji. Rita, apesar de aparentar ser uma menina frágil, recebeu tal alcunha por ser impiedosa no campo de batalha e ser uma das poucas capaz de eliminar os Mimetizadores e ainda continuar viva. A partir disso, começamos a acompanhar a trajetória da dupla Kiriya e Rita no combate contra a exterminação humana.

all-you-need-is-kill-4894507É amigo, não foi um sonho…

Quando li a sinopse eu fiquei um pouco receoso com a obra pela premissa repetitiva que ela apresenta. No entanto, a leitura me mostrou que de repetitivo o mangá só tem o termo “looping”. A maneira como o autor desenvolve sua história em um, aparentemente, curto espaço de tempo é bem interessante, o amadurecimento do protagonista que, ao meu ver, é bem visível ilustra bem isso. Apesar de estarmos acompanhando apenas dois da vida desses personagens, a infinidade de vezes que esses dois dias acontecem acabam permitindo uma exploração mais dinâmica. Além disso, a maneira como a obra é dividida auxilia o progresso narrativo.

All you need is kill é dividido em dois volumes. No primeiro temos um enfoque em Kiriya. Começamos a história com um personagem bem inocente e jovial, mas em meados do volume já fica explicita a sua percepção mais madura das coisas de maneira a qual isso transparece aos outros personagens, o que acaba culminando no momento em que ele percebe uma maneira mais eficaz de destruís os Mimetizadores e descobrindo a real força de Rita. Na segunda metade o enfoque é na personagem Rita. Vemos, através de um flashback, as suas motivações para entrar no exército, como ela desenvolveu suas habilidades de combate e qual o real significado de uma pergunta que ela faz na primeira página da edição 1.

All You Need Is KillCapas das duas edições com os protagonistas do mangá

Ao começar a ler o segundo volume eu fiquei um pouco confuso com a quebra narrativa, mas logo percebemos que o desenvolvimento da Rita é fundamental para o prosseguimento da obra.  Após o flashback, os personagens começam a interagir entre si e criam um confuso laço afetivo que além do campo de batalha. Para Rita, Kiriya é um estranho com um enorme potencial de batalha e uma habilidade extraordinária, mas para Kenji, Rita é, graças aos seus loopings, uma antiga companheira de batalhas e uma pessoa a ser admirada.

Essa combinação de ação e romance em um cenário, apesar de repetitivo, bem aproveitado me fizeram gostar bastante da narrativa apresentada. Além disso, outro fator que influenciou bastante na minha leitura foi o responsável pelos desenhos do mangá, Takeshi Obata, mesmo desenhista de Death Note. Obata é o meu mangaká preferido e duas das minhas obras preferidas saíram das canetas desse cara (Bakuman e Hikaru no Go) e por isso eu tive que conferir All you need is kill.

Apesar do meu hype pela arte, o que eu vi estava muito longe daquilo que eu esperava. O design de personagens humanos estava no padrão que eu considero como do Obata, mas as cenas de ação eram um tanto confusas e os Mimetizadores eram umas criaturas bizarras que até agora não consigo entender como elas funcionam de fato. Por se tratar de uma obra em que o conflito militar é o cenário predominante, a arte de Obata acabou influenciando, negativamente, o trabalho. No entanto, não posso dizer que esse “defeito” tira todo o mérito da obra, as lutas são legais, mas passam aquela sensação de que poderiam ser mais empolgantes. O detalhamento nas expressões dos personagens casa muito bem com o enredo por conseguir reforçar a tensão psicológica que vai se formando.

All You Need Is Kill

To até agora tentando entender o que aconteceu nessa cena

All You Need Is Kill

O perigo da humanidade, a bola bizarra cheia de dentes, Mimetizador

Além disso, vale ressaltar o trabalho da versão brasileira. Mais uma vez a JBC nos apresenta um trabalho de ótima qualidade e por um preço mais baixo (R$ 12,50) do padrão R$ 13,90 da editora. Um papel de qualidade, parte interior da capa colorida e com formato 12 x 18 cm (ao meu ver mais prático, principalmente para transportar). E para fechar com chave de ouro, o gerente de conteúdo da editora, Cassius Medauar, não só anunciou o lançamento do mangá na CCXP como também trouxe a novidade de que, exclusivamente no evento, as duas edições estariam disponíveis ao público!

All You Need Is Kill

Algumas informações da versão brasileira, para saber mais clique aqui

Apesar das críticas quanto a arte, All you need is kill é um mangá rápido, mas com boa história e uma estratégia narrativa inovadora. Se você gosta de ação e ficção, essa é uma obra que você deve dar uma conferida. Assim como a sua versão cinematográfica, No limite do amanhã, a obra distribuída pela JBC tem tudo para ser um sucesso de venda (podendo surpreender até os menos interessados, além da história, pelo preço e número de volumes). Se tiverem uma chance, não deixem de conferir a saga de Kenji contra os Mimetizadores!

Facebook Comments

Mizumoto

Estudante de letras: português-japonês, amante de cinema e telespectador de desenho japonês desde que se entende por gente.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *