Primeiras Impressões: Pokémon RGB (Mangá)

“Ele quer ser o melhor de todos, como ninguém jamais foi”

Essa semana quando fui fazer a minha tradicional visita à minha banca de jornal favorita em busca do volume 4 de Fullmetal Alchemist, me deparei com um velho novo lançamento que fez a criança dentro de mim virar o boné imaginário para trás e querer ser um mestre Pokémon de novo. Estou falando do mangá de Pokémon RGB (ou Red, Green e Blue), o primeiro mangá oficial da história da franquia.

Publicada originalmente em 1997 com o nome de “Pokémon Adventures”, a obra só chegou oficialmente a terras brasileiras agora, em novembro de 2016, pelas mãos da Panini Comics, uns 357 anos depois. O mangá tem roteiro de Hidenori Kusaka e arte de BLA  e conta a história de um simpático e corajoso treinador chamado Red e suas aventuras pelo mundo Pokémon em busca de completar sua Pokedex! A coincidência do nome do personagens e do protagonista das primeiras versões é proposital: o mangá é baseado na história dos jogos originais, ainda que adapte o enredo do jogo a sua maneira.

Pokémon RGB Capa

A capa do primeiro volume acompanhou o personagem principal: Red

Para mim essa primeira leitura foi bacana por dois motivos. O primeiro é pela qualidade do mangá em si – assunto que ainda vou detalhar nesse texto, fiquem calmos e o segundo é por esse ser meu primeiro contato com o mangá. Sim, a obra é velha e sim eu poderia ter lido tudo pela internet, mas sei lá, de alguma forma sempre soube que um dia eu teria esse mangá em mãos e queria que quando acontecesse, tudo fosse inédito e especial. E foi assim mesmo.

Pokémon RGB (tratarei o mangá assim porque esse é o nome oficial da publicação no Brasil) se beneficia do fato da história da franquia ser bastante versátil, podendo ser aplicada a diversas mídias. Uma história de um garoto e seus bichinhos de estimação super-poderosos se aventurando pelo mundo é um excelente enredo base para um mangá. Inclusive fico surpreso como que o anime de Pokémon não tenha conseguido, em diversos momentos, tornar a sua trama mais dinâmica ou minimamente interessante com um plot com tanto potencial.

Voltando ao mangá, é importante deixar claro para os leitores de primeira viagem mas veteranos nos jogos que essa é uma adaptação MESMO da história de Red e Blue. Sim, Blue ainda é seu rival e ainda é um saco, a torre de Lavender ainda tem Gastlys, ainda existem os líderes de ginásio… em diversos momentos aparecem elementos dos jogos os quais nós, já velhos de guerra nesse negócio de monstros de bolso, podemos olhar e falar “cara, isso aqui era assim mesmo no jogo”.

Entretanto, de resto, temos uma história completamente nova. E essa trama inédita – por assim dizer, já que já existe há uns 19 anos – tem muitos momentos legais, mas também tem outros, em menor número, que são difíceis de entender. Vamos logo a exemplos de momentos que considerei um tanto infelizes desse primeiro volume. É difícil ver um Onix receber um ataque elétrico, e não ser apenas nocauteado, mas literalmente desmembrado por ele e não ficar pensando “ok, vocês ao menos jogaram para saber que ele teria resistência a isso?”. O próprio arco de Lavender é muito inferior a história original do jogo, deixando o jogador veterano de Pokémon triste por esse ter um ponto tão pouco aproveitado. Ah, e ver a morte brutal de um pokémon em batalha – isso REALMENTE acontece nesse mangá – é bem triste para um fã que, como eu, sempre olhou os bichinhos mais como amigos ou companheiros do que como instrumentos de batalha.

Mas como já adiantei, as qualidades superam os defeitos nesse mangá. Além das referências aos jogos presentes nas páginas dos mangás, considero que uma qualidade da obra é apresentar o universo pokémon de uma maneira mais direta e leve do que nos jogos. Não existem intensos debates antes ou durante os combates sobre as vantagens de desvantagens de cada tipo ou a força dos ataques. Dessa maneira,  a ação é mais fluída e cada duelo entre os monstrinhos é mais rápido e imprevisível. Red é um protagonista bem legal de acompanhar também: ele tem personalidade forte, é impulsivo, elétrico e orgulhoso, mas tem um bom coração e um profundo respeito por todos os Pokémon, seus e dos outros. Ele quer ver todos os Pokémon do mundo e também capturar todos eles, mas não quer feri-los, se possível. E se a história se desenrolar da mesma forma que no jogo, além disso tudo ele ainda será um vencedor. Quanta diferença para o chato Ash, não é?

Também gostei bastante do traço do artista nessa obra. Pokémon é uma obra com DNA infantil e acho interessante como que o mangá respeita isso nos desenhos. Tanto os humanos e pokémon são representados de maneira bem simples, sem muito detalhamento seja na aparência, nos ataques, no cenário, etc. Acho que isso é um ponto a favor do mangá, um elemento que ajuda a conservar o caráter fantasioso e até ingênuo da história original: convenhamos, um menino de 11 anos de idade e seus bichos de estimação viajando o mundo para se tornar o maior treinador de todos não precisa e nem pode ter traços de um Obata (Death Note) da vida, né?

“Pokémon RGB” chega às bancas pelo valor de R$ 13,90, mas em termos de nostalgia, vale muito mais. Estou ansioso pelos próximos volumes e pelos próximos passos de Red em sua jornada para tornar-se o maior treinador Pokémon do mundo!

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Lucas Bastos

Mestre em Comunicação, 7,8 na escala Nerd, fã obsessivo de FMA, Marvel fanboy e defensor da tese de que George Martin é melhor que Tolkien.

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