Primeiras impressões: Pokémon Black & White (mangá)

A franquia Pokémon é uma das minhas preferidas desde pequeno e uma das poucas coisas que não tive contato foi a série de mangá. No entanto, a Editora Panini lançou recentemente relíquia nostálgica, ainda que numa fase mais avançada (Black & White).

Pokémon Adventures vem sendo lançado no Japão desde 1997 e todas as suas sagas seguem sem pausa. Por isso, a primeira edição Brasileira teve um formato fora dos padrões (meio tanko ou tanko) já que corresponde ao final da edição 43 no original (que fecha a saga Hearth Gold & Soul Silver). Por isso, essa primeira edição foi bem pequena e com um preço reduzido (R$ 6,50) que, infelizmente, não será mantido próximas edições.

Mas chega de falar da parte estrutural e vamos falar do conteúdo! Pokémon Black & White conta a história de Black, um menino que adora batalhas pokémon e tem como foco para sua vida vencer a liga Pokémon. Para isso, o garoto conta com seus pokémons Musha (um Munna) e Bravy (um Braviary) e seus amigos Bianca e Cheren. Nesse primeiro volume vemos as crianças recebendo seus pokémons da professora Juniper e iniciando efetivamente a sua jornada.

Por se tratar de uma adaptação quase que direta dos jogos de console, nesse primeiro volume temos basicamente um “tutorial” de como funciona o mundo Pokémon: os meninos tendo que escolher entre um Pokémon de fogo, um de água e um de grama; a despedida dos pais, já que esses jovens vão partir para uma nova jornada; a professora Juniper explicando um pouco desse mundo e falando da pokédex e etc.

Nesse momento pode rolar a seguinte pergunta: por que eu vou ler algo que, teoricamente, não acrescentaria nada à experiência que eu tive com os jogos? E a resposta é simples: porque ele apresenta o universo do jogo e amplia. No mangá temos os personagens sendo mais explorados, vemos a personalidade do protagonista (coisa que nos jogos não existe já que o cara mal fala), vemos seus pokémons e suas peculiaridades (elemento que aproveitam muito bem do anime) e temos batalhas Pokémon que superam as do anime e do jogo. Sobre esse último ponto, gostaria de destacar como os elementos do jogo são aproveitados, os pokémons tem level, tem determinados ataques e vemos o treinador ciente disso e criando estratégias (Tivemos até o clássico treinador alpinistas!). Esses são os pontos altos da obra, mas não pense que terá algo complexo ou uma porradaria frenética, antes de mais nada estamos falando de um roteiro que, inicialmente, é voltado para crianças.

Outra coisa que achei interessante nesse primeiro volume foi a interação de Black com a Musha. O garoto usa da característica do Pokémon de “comer sonhos” para limpar sua mente e conseguir focar nos pontos fracos dos seus oponentes.  Acredito que com o tempo isso deixe de ser usado e espero que quando isso aconteça o Black esteja um treinador mais amadurecido.

No que diz respeito a arte, eu acho que o trabalho de Satoshi Yamamoto é bem satisfatório. Com traços simples e cenários bem próximos ao que vemos nos jogos, o desenhista nos transporta para o mundo Pokémon de maneira cativante. No entanto, tenho que concordar com quem diz que a arte contribui para pegada mais infantil da obra.

E por fim, gostei bastante do trabalho da Panini. Além de trazer uma série que muitos fãs esperavam bastante, a qualidade “física” da edição brasileira me agradou bastante. Tradução legal (principalmente por não tentar adaptar os nomes dos personagens), qualidade do papel e contracapa colorida foram alguns dos detalhes que me agradaram.

De maneira geral, Pokémon Black & White 1 foi um mangá que me agradou bastante e certamente continuarei a colecionar. Resgatando a nostalgia dos fãs, trazendo um conteúdo melhor do que aquele que temos no anime e dando uma revigorada numa franquia que a geração atual meio que esqueceu, acho que esse mangá tem tudo para ser um sucesso no Brasil, não só com a galera das antigas, mas também com a criançada. Como a primeira edição tem um preço mais convidativo, acho que todos deveriam dar uma olhada.

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Lucas Mizumoto

Professor de japonês, amante de cinema e telespectador de desenho japonês desde que se entende por gente .

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