Primeiras Impressões: Planetes

” ‘Planetes’ fez aquele garoto que um dia se encantou com ‘Cowboy Bebop’ ressurgir em mim. “

Sabe aquela história de que não se deve julgar um livro pela capa? Então, acredito que ela seja uma lição a ser aplicada para as HQs em geral. Também não é sábio comprar um mangá sem saber pelo menos a sinopse básica da história. Essas são duas regras de ouro que evitam gastos inconsequentes e decepções.

Mas quem disse que eu sigo essas regras? Por isso mesmo eu comprei “Planetes”, novo lançamento da Panini e Planet Manga. E graças a essa minha rebeldia nerd eu comecei uma das melhores leituras do meu ano até então.

“Planetes” é de autoria de Makoto Yukimura. Publicado originalmente em 2001, o mangá recebeu adaptação para um anime de 26 episódios, produzido pelo estúdio Sunrise – o mesmo de “Cowboy Bebop”, anime que guarda algumas semelhanças com essa obra, como veremos adiante. No Brasil, o mangá chega em quatro edições e a primeira já deu um espetáculo: marcador de livro incluso, 12 páginas coloridas, excelente papel e capa especial com direito a orelha e tudo, por módicos R$ 18,90.

A história é, de longe, o maior atrativo da obra, então deixem-me adiantar só um pouco. O ano é 2074 e o local é a órbita da Terra. A nave Toy Box, uma espécie de caminhão de lixo especial, recolhe os detritos localizados em volta da atmosfera da Terra, dentre eles diversos satélites desativados. Os tripulantes da humilde nave são a piloto Fee Charmichael e os lixeiros Hachimaki Hoshino (japonês) e o russo Yuri Mihairokov. Os tripulantes exercem sua profissão de maneira competente e mantém relações amistosas entre si. O enredo se desenvolve de maneira episódica, com arcos iniciados e fechados no mesmo capítulo, relatando momentos vividos pela equipe. Nesse primeiro mangá foram cinco capítulos, nos quais o papel de protagonista varia de um personagem para outro.

E acredite em mim quando digo que todos os capítulos são excelentes. Apesar dos acontecimentos em si serem bem variados, todos os episódios tratam, de maneira mais implícita ou explícita, da busca pelo nosso lugar no universo. Qual o nosso papel no mundo? Porque continuamos fazendo seja lá o que for que fazemos em nosso dia-dia? Pelo que lutamos todos os dias? Alie essas questões filosóficas com muito bom humor, interessantes dados científicos sobre como seria uma vida no espaço e o carisma do trio de protagonistas, e “Planetes” apresenta um excelente cartão de visitas.

Outro tópico conceitual abordado na obra até agora, apesar de aparecer explícito em poucos momentos, é a crítica ao caráter expansionista da humanidade. Em “Planetes”, a humanidade já transcende as fronteiras do espaço e por onde passa deixa um rastro de problemas. Exploração de recursos naturais, poluição, caos… será esse o único legado dos seres humanos? Talvez a nossa saída da Terra não signifique um recomeço, mas sim uma repetição dos mesmos erros que tanto insistimos em cometer por aqui.

Esse mangá me lembrou o anime “Cowboy Bebop” em diversos pontos. Ambos se passam no espaço, em um futuro ainda distante (tanto cronologicamente quanto em tecnologia), mas discutem temáticas humanas ainda bem atuais. Os protagonistas também são tripulantes companheiros, outra similaridade entre as obras. E assim como em “Cowboy Bebop”, no qual vamos descobrindo mais sobre o passado dos personagens à medida que os episódios avançam, em “Planetes” o perfil psicológico da tripulação da Toy Box vai sendo desenhado aos poucos.

Falei pouco da arte em si, mas não porque a considerei ruim e sim porque não há nada demais a relatar. Algumas cenas específicas são muito bem trabalhadas, assim como a magnífica capa que vende o mangá melhor do que qualquer publicitário. No mais, o traço é bem simples, mas não tira a intensidade da obra e nem a sensação de que a história se passa em uma ambientação diferenciada – o espaço, as estações lunares, etc.

“Planetes” fez aquele garoto que um dia se encantou com “Cowboy Bebop” ressurgir em mim. E tudo graças a um enredo provocador, que te tira das certezas do cotidiano e faz você refletir sobre o que te move. Devorei o primeiro volume e mal posso esperar pelo segundo. Esse mangá me chamou a atenção pela capa e me cativou em definitivo em sua leitura. Assim que terminar a coleção, escreverei uma crítica definitiva sobre “Planetes”!

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Lucas Bastos

Mestre em Comunicação, 7,8 na escala Nerd, fã obsessivo de FMA, Marvel fanboy e defensor da tese de que George Martin é melhor que Tolkien.

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