Primeiras Impressões: Green Blood

“Chegando com o pé na porta”

A Comic-Con Experience trouxe muitas alegrias aos fãs de quadrinhos. Uma delas foi o lançamento oficial de “Green Blood”, novo mangá da JBC. De autoria de Masasumi Kakisaki, o mangá terá cinco edições, e hoje analisaremos a primeira e promissora edição desse título.

De cara já posso dizer: é bom termos um mangá como esse no mercado. Porque? Não só porque ele é bom, ou é um típico seinen, mas porque ele enriquece a variedade de gêneros de mangás no mercado. “Green Blood” não se passa nem no japão ou em algum mundo fantasioso; também não temos criaturas mágicas ou sobrenaturais. A história da obra é, inclusive, baseada em fatos reais: no século XIX, Manhattan era uma terra perigosa, ainda em desenvolvimento pós Guerra Civil Estadunidense. Recheada de imigrantes vindos de todos os lugares do mundo, o que era para ser a terra das oportunidades torna-se um campo de batalha entre gangues, local no qual assassinatos, roubos e estupros são uma triste rotina.

GreenBlood-JBC_Banner-HenshinA capa e as informações técnicas sobre o mangá

O enredo se desenrola em torno da vida de dois irmãos irlandeses: Luke Burns, um jovem e honesto trabalhador, cuja vida é dificultada pelas péssimas condições de trabalho de “Five Points”, violento distrito no qual mora. O outro, mais velho, é Brad Burns, um homem que leva uma vida dupla: de dia é um desempregado comum, mas de noite é um assassino profissional conhecido como “Grim Reaper”, sempre a serviço da principal gangue da região, os irlandeses “Grave Diggers”. A vida de assassino não é fácil e está prestes a tornar-se mais complexa agora que outra facção, a “Iron Butterfly”, ameaça tomar o território.

Brad7O “Grim Reaper” e sua marca registrada: a baioneta.

Além do enredo bem diferente do que costumamos ver em mangás, me agradou muito da arte da obra. A arte é riquíssima em detalhes: o desenhista se utiliza demais do jogo de luz e sombras, raramente deixa um cenário em branco, e cada personagem tem um traço tão distinto que é impossível confundi-los. A arte acompanha o enredo: nas cenas tensas, as feições se transformam de maneira condizente; e nos momentos violentos, com estupros, assassinatos e desfigurações, o autor não sente receio de desenhar e nem suaviza ferimentos, marcas de violência ou até corpos em decomposição. É um mangá pesado: nada de comprar para seu sobrinho de 10 anos de idade, hein?

“Lei e Justiça, definitivamente, não existiam em Five Points”

Gostei muito do primeiro volume pois apresentou todo o enredo e os personagens principais sem ser metódico ou repetitivo na explicação. Fiquei ansioso para saber quais mudanças ocorrerão no plano político da história – a batalha entre as gangues – e como ficará a relação entre os dois irmãos. Tudo indica que Brad Burns, o assassino badass, terá de tomar decisões complicadas daqui para frente, que colocarão em xeque sua lealdade ao serviço ou a sua família. Aguardemos as cenas do próximo capítulo – ou melhor, mangá.

green-blood-3438381Quero saber que merda isso aí vai dar

Fico feliz que a JBC tenha trazido ao mercado brasileiro um verdadeiro western em formato de mangá. Lógico que adoramos os clássicos mangás de pancadaria e poderes mágicos, mas é bom ver que há mais do que isso saindo por aí. Dê uma chance à “Green Blood”. Se não curtiu o enredo, pelo menos compre pela arte, que é sensacional. E se mesmo assim eu não te convenci, confira a preview do mangá disponibilizada pela JBC http://mangasjbc.uol.com.br/green-blood-preview/. Valeu galera!

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Lucas Bastos

Mestre em Comunicação, 7,8 na escala Nerd, fã obsessivo de FMA, Marvel fanboy e defensor da tese de que George Martin é melhor que Tolkien.

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